Nota: O som é o que se ouvia em cada uma das bibliotecas.
O vídeo ilustra de forma clara um novo paradigma das bibliotecas públicas, na Europa. Os Países Baixos – Biblioteca Pública de Amesterdão, Open de Delft e Biblioteca da Universidade de Tecnologia de Delft – são um excelente exemplo disto mesmo.

Estas bibliotecas têm em comum:
- o digital já faz parte das bibliotecas, convivendo de forma integrada com o livro físico;
- os espaços são criados a pensar no bem estar dos utentes e, por isso, são disponibilizados diferentes espaços de trabalho e de grupo, propícios ao estudo, à pesquisa, mas também ao trabalho colaborativo;
- os espaços são flexíveis, multifuncionais, criativos e otimizados em função das pessoas e não dos recursos físicos;
- os recursos, as atividades e os espaços são pensados de acordo com as diferentes faixas etárias;
- o utente tem autonomia total para aceder a qualquer recurso ou espaço da biblioteca, sem necessidade da intervenção de um funcionário, que, de qualquer forma, está disponível, se necessário;
- a automatização de processos administrativos já faz parte do quotidiano das bibliotecas, como por exemplo a entrega e a devolução de livros.
Um exemplo a seguir!
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Um vídeo sobre bibliotecas holandesas revela um modelo onde tecnologia, autonomia e bem-estar convivem lado a lado — e que tem muito para ensinar às escolas portuguesas.
Há países onde a biblioteca deixou de ser um espaço silencioso de estantes intermináveis para se tornar num verdadeiro centro de vida comunitária, e os Países Baixos estão na linha da frente dessa transformação. Um vídeo recente ilustra este novo paradigma através de três exemplos concretos: a Biblioteca Pública de Amesterdão (OBA), o Open de Delft e a Biblioteca da Universidade de Tecnologia de Delft.
Quando o digital não substitui o livro
Um dos aspetos mais interessantes destas bibliotecas é que o digital não veio destronar o livro físico — os dois convivem lado a lado, de forma natural e integrada. A OBA, por exemplo, é hoje um edifício de referência arquitetónica em Amesterdão, com dez pisos e quase 30.000 metros quadrados, onde tecnologia e coleções tradicionais partilham o mesmo espaço sem conflito.
Esta integração é particularmente relevante para as escolas: mostra que investir em tecnologia não significa abandonar a leitura em papel, mas sim criar ecossistemas onde ambos se reforçam mutuamente.
Espaços pensados para pessoas, não para prateleiras
Talvez a mudança mais visível seja a forma como estes edifícios foram desenhados a pensar no bem-estar de quem os usa, e não na simples arrumação de recursos. Na TU Delft, a biblioteca foi reformulada para passar de um “Centro de Aprendizagem” tradicional para “Espaços Abertos”, com salas de projeto, zonas de exposição e mobiliário facilmente reconfigurável, uma mudança que duplicou o número de visitantes. O edifício da TU Delft tem ainda um cone gigante que simboliza a tecnologia e cria espaços de estudo circulares e introvertidos, além de um telhado verde que funciona como isolamento natural.
Já na renovação da OBA no bairro de Mercatorplein, o objetivo foi criar um ponto de encontro intergeracional, combinando áreas de estudo informal, salas multifuncionais, uma sala de leitura e um espaço “living-learning” que serve tanto crianças como adultos. Esta lógica de espaços flexíveis e multifuncionais, otimizados em função das pessoas, é exatamente o que muitas escolas procuram replicar nas suas próprias bibliotecas escolares.

Recursos adaptados a cada idade
Outro traço comum a estas bibliotecas é a diferenciação por faixas etárias — algo que ressoa diretamente com a realidade escolar. Na renovação de 2015-2018 da OBA, foi criada uma secção infantil redesenhada, salas de reuniões para diferentes tipos de grupos e a “Library of the World”, uma área dedicada a livros internacionais que funciona simultaneamente como exposição e biblioteca. Este cuidado em pensar recursos e atividades consoante a idade do público é uma prática que os professores podem transpor para as suas próprias mediatecas escolares, adaptando cantos de leitura, jogos e ferramentas digitais consoante o ano de escolaridade.
Autonomia do utilizador e automatização
O modelo holandês assenta ainda numa ideia central: o utente deve poder aceder a qualquer recurso sem depender constantemente de um funcionário, embora este continue disponível quando necessário. A automatização de processos como o empréstimo e a devolução de livros já faz parte do quotidiano destas bibliotecas, libertando o pessoal para funções de apoio mais qualificado, como orientação de pesquisa ou dinamização de atividades.
Para as escolas, este princípio de autonomia é talvez o mais transformador: alunos que gerem o seu próprio acesso a livros e recursos desenvolvem competências de responsabilidade e autoiniciativa, ao mesmo tempo que os professores bibliotecários ganham tempo para o que realmente importa — mediar a leitura e apoiar a pesquisa.
O que as escolas portuguesas podem aprender
| Característica holandesa | Aplicação possível na escola |
|---|---|
| Digital e físico integrados | Cantos de leitura com tablets/e-readers ao lado das estantes tradicionais |
| Espaços flexíveis e multifuncionais | Salas de biblioteca reconfiguráveis para trabalho individual, em grupo ou eventos |
| Recursos por faixa etária | Zonas diferenciadas para 1º ciclo, 2º/3º ciclo e secundário |
| Autonomia do utente | Sistemas de autoempréstimo geridos pelos próprios alunos |
| Automatização administrativa | Devolução e catalogação simplificadas, libertando tempo do professor bibliotecário |
Estes exemplos holandeses não são inatingíveis nem exigem necessariamente grandes orçamentos — muitas das mudanças começam por uma reorganização do espaço e uma mudança de mentalidade sobre o que uma biblioteca deve ser. O que a OBA, o Open de Delft e a Biblioteca da TU Delft têm em comum é, acima de tudo, colocar a pessoa no centro do desenho, e essa é uma lição que qualquer biblioteca escolar pode começar a aplicar já amanhã.
