Changing Assessment: How to Design Curriculum for Human Flourishing | UNESCO

2025

Download |

Changing Assessment: How to Design Curriculum for Human Flourishing, de Conrad Hughes, é uma obra que propõe uma crítica profunda aos sistemas tradicionais de avaliação escolar e sugere caminhos para uma reforma centrada no desenvolvimento humano e na valorização das múltiplas competências dos alunos.

A obra começa por identificar o problema central das escolas atuais: a avaliação está excessivamente focada num conceito estreito de inteligência e conhecimento académico, negligenciando a diversidade de talentos e experiências humanas. O autor argumenta que os sistemas de avaliação, sobretudo no final do ensino secundário, são demasiado restritivos, de alto risco e incapazes de reconhecer competências como a criatividade, colaboração e outras qualidades essenciais para o século XXI.

Hughes traça a origem histórica dos modelos de avaliação, mostrando como as práticas atuais derivam de paradigmas do século XIX, nomeadamente dos testes de QI e da distribuição normal (curva de Gauss), que promovem uma visão elitista e hierarquizada das capacidades humanas. Estes modelos foram concebidos para distinguir e classificar, mais do que para promover o desenvolvimento pleno de cada indivíduo.

O autor critica também a organização do tempo escolar e os sistemas de classificação (como a “Carnegie Unit” e os sistemas de notas), argumentando que estes impõem ritmos artificiais ao ensino, desvalorizam o feedback formativo e têm efeitos negativos no bem-estar psicológico dos alunos. O sistema de notas, por exemplo, é apontado como fonte de ansiedade, perda de autoestima e desmotivação, sem contribuir de forma significativa para a aprendizagem.

A obra analisa ainda o impacto dos testes padronizados em larga escala (como PISA, TIMSS, etc.), que, apesar de permitirem comparações internacionais, reduzem o currículo a áreas facilmente mensuráveis e perpetuam desigualdades, excluindo competências relevantes e contextos culturais diversos. Hughes destaca como a centralização curricular e a hegemonia cultural dos sistemas de avaliação prejudicam alunos de contextos minoritários ou periféricos, reforçando divisões sociais e económicas.

capítulo dedicado à pandemia de Covid-19 mostra como a crise expôs a fragilidade dos sistemas de avaliação tradicionais, levando à suspensão de exames e à adoção de alternativas improvisadas, muitas vezes injustas. Apesar da oportunidade para repensar o modelo, a maioria das escolas e sistemas rapidamente regressou ao paradigma anterior, desperdiçando a ocasião para uma mudança estrutural.

Hughes apresenta, ao longo do livro, modelos alternativos de avaliação já implementados em algumas escolas e países: aprendizagem baseada em projetos, credenciais digitais, portfólios, entrevistas, declarações pessoais e valorização de competências extracurriculares. Defende que a avaliação deve ser mais flexível, formativa e centrada no desenvolvimento de competências para a cidadania, o trabalho e a realização pessoal.

A obra conclui com um estudo de caso sobre o trabalho desenvolvido na International School of Geneva e pela UNESCO IBE, que exemplifica uma abordagem mais holística, inclusiva e orientada para o florescimento humano, servindo de modelo para reformas futuras.

Em síntese, “Changing Assessment” propõe uma transformação profunda dos sistemas de avaliação escolar, desafiando o paradigma meritocrático e tecnocrático vigente, e defendendo uma educação que reconheça e celebre a pluralidade de talentos, promovendo uma sociedade mais equitativa, criativa e humana.

Leave a Reply