A Generalitat da Catalunha fez marcha atrás na digitalização das escolas e institutos, endurecendo a normativa sobre telemóveis para o próximo ano letivo 1 2. Os alunos da ESO já não poderão usar os seus dispositivos para fins pedagógicos, e fica totalmente proibido que os menores usem relógios inteligentes 1 2.
Proibição total de dispositivos móveis
A partir de setembro de 2025, todos os centros educativos catalães serão centros livres de telemóveis3. Os telefones e relógios inteligentes estarão estritamente proibidos nas salas de aula, nos recreios e em qualquer local dos institutos 3. Esta medida aplica-se a todas as etapas da educação obrigatória – infantil, primária e ESO 4 5.
Anteriormente, este ano letivo já tinha entrado em vigor uma primeira normativa restritiva que proibia completamente estes dispositivos no infantil, primária e secundária, incluindo a hora do recreio, permitindo apenas o seu uso na ESO para questões pedagógicas1. A partir de setembro, nem isso será permitido1.
Retirada de ecrãs no ensino infantil
Uma das medidas mais destacadas é a decisão de retirar progressivamente – desde o próximo ano letivo até 2028 – todos os ecrãs digitais e tablets da etapa infantil 1 4. Isto implica que muitas escolas que receberam estes grandes ecrãs durante este ano letivo terão de procurar outros espaços onde os colocar 1.
Até aos seis anos, as crianças não estarão expostas a nenhum ecrã, nem quadros digitais nem tablets3. Esta decisão segue a recomendação dos pediatras e o exemplo das escolas infantis do município de Barcelona, que em 2021 decidiu retirar o material tecnológico que tinha comprado3.
Mudanças na distribuição de portáteis
A partir do ano letivo 2026-27, os alunos receberão o portátil para uso individual no 6º ano do ensino primário, um ano mais tarde que atualmente 1 5. Presentemente têm acesso individual a estes dispositivos a partir do 5º ano 1.
Justificação das medidas
A conselheira da Educação, Esther Niubó, justificou estas medidas afirmando que “muitos centros avaliavam positivamente a normativa, mas diziam-nos que era insuficiente. Era necessário dar um passo em frente”1. O departamento considera que as tarefas que até agora realizavam com os telemóveis podem ser feitas com computadores ou tablets 1.
“Não queremos eliminar a digitalização das salas de aula, mas sim dar-lhe um uso mais saudável, ético e responsável”, apontou Niubó 1. A conselheira explicou que esta é a primeira geração que vive num ambiente plenamente digitalizado, onde as mudanças tecnológicas são muito rápidas e afetam o bem-estar e o rendimento académico 3.
Apoio da comunidade educativa
Segundo o estudo do Instituto Catalão de Avaliação de Políticas Públicas (Ivàlua), 68% dos docentes e equipas diretivas concordam com uma proibição total dos telemóveis na secundária6. Além disso, 89% percebem um impacto positivo da proibição vigente no que respeita à convivência, atenção e rendimento académico 6.
O Governo atual admite veladamente que o anterior Executivo exagerou com o grande projeto de digitalização apresentado em 2023, que incluiu uma grande compra de 32.000 ecrãs interativos e 4.200 conjuntos de robótica, entre outros elementos, representando um investimento de 120 milhões de euros financiado pelos fundos Next Generation 1.

