O futuro da educação digital: a perspetiva portuguesa | Eurobarómetro

De acordo com um novo inquérito do Eurobarómetro, uma esmagadora maioria dos europeus e portugueses acredita que as competências digitais devem ser integradas em todos os níveis de ensino. O inquérito “Necessidades futuras em matéria de educação digital” revela as perspetivas dos cidadãos sobre a educação digital, a inteligência artificial (IA) e o papel da tecnologia na aprendizagem. Este artigo explora os principais resultados do inquérito, com um foco especial nos dados de Portugal.

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1. Uma exigência clara: as competências digitais são essenciais

A perceção pública em Portugal reflete um consenso avassalador: as competências digitais não são mais uma opção, mas sim um pilar fundamental para a cidadania ativa, a segurança individual e a inovação tecnológica. Este consenso manifesta-se em domínios críticos da vida quotidiana. A esmagadora maioria dos portugueses (93%) considera estas competências essenciais para a participação plena na sociedade, desde a banca online aos cuidados de saúde. Para além da vida cívica, a literacia digital é vista como um escudo protetor, com 89% a concordar que ajuda a combater a desinformação online. Numa perspetiva de futuro, 91% acreditam que estas competências são indispensáveis para navegar de forma segura e responsável o universo emergente da inteligência artificial generativa.

2. O papel central da escola e dos educadores

Perante esta exigência clara por mais competências digitais, os cidadãos identificam a escola como o palco central para a sua implementação.

O ensino das competências digitais

Os inquiridos atribuem de forma inequívoca às instituições de ensino a responsabilidade primária pela disseminação destas competências. Quase a totalidade dos inquiridos em Portugal (97%) concorda que as competências digitais devem ser ensinadas a todos nas escolas e universidades. Para além disso, 81% dos portugueses acreditam que estas competências devem receber a mesma atenção que a leitura, a matemática e as ciências, um valor superior à média europeia de 78%.

O bem-estar digital e a tecnologia na sala de aula

Os cidadãos demonstram uma visão equilibrada, mas exigente, sobre a presença da tecnologia nas escolas. Existe um consenso quase unânime em Portugal (97%) de que as escolas devem ensinar os jovens a gerir o impacto das tecnologias digitais na sua saúde física e mental. Ao mesmo tempo, coexistem duas perspetivas distintas sobre os dispositivos: a maioria (68%) apoia a proibição de dispositivos digitais pessoais, como smartphones, nas escolas, enquanto uma maioria ainda maior (95%) defende a promoção de tecnologias digitais especificamente concebidas para a aprendizagem. Esta aparente contradição sugere que os cidadãos portugueses distinguem claramente entre o uso recreativo e disruptivo da tecnologia pessoal e o potencial pedagógico das ferramentas digitais concebidas para a aprendizagem.

A formação de professores e o papel dos pais

A responsabilidade pela educação digital é vista como partilhada entre a escola e a família, com expectativas claras para cada uma das partes.

• Professores e desinformação: 95% dos portugueses concordam que todos os professores devem ter competências para ajudar os alunos a reconhecer a desinformação online.

• Professores e segurança: 95% acreditam que os professores devem desempenhar um papel fundamental no apoio ao desenvolvimento de competências para uma interação segura com a tecnologia.

• Pais e famílias: 94% consideram que pais e famílias têm um papel crucial no ensino do uso seguro e responsável da tecnologia.

3. Inteligência artificial na educação: um otimismo cauteloso

A atitude dos portugueses em relação à integração da Inteligência Artificial na educação é predominantemente de otimismo cauteloso. A perspetiva maioritária (52%) é que a IA pode trazer tanto benefícios como riscos, e que a comunidade educativa deve explorar ambos os lados. Em contraste, 25% acreditam que a IA pode melhorar o ensino e não se deve ter receio de a experimentar, enquanto uma minoria de 16% considera que a IA não pertence à sala de aula. Embora a cautela prevaleça, é notável que mais de três quartos dos inquiridos (77%) veem um papel potencial para a IA na educação, relegando a oposição total a uma pequena minoria. Este panorama sugere um mandato claro para a exploração responsável em vez da proibição. Independentemente da posição, 87% dos portugueses concordam que todos os professores devem possuir as competências necessárias para utilizar e compreender a IA. Esta exigência soma-se à já expressa necessidade de formação em literacia mediática, posicionando a capacitação docente como o eixo central para o sucesso da educação digital em Portugal.

4. O papel da união europeia e os próximos passos

Os cidadãos esperam que a União Europeia desempenhe um papel ativo na definição do futuro da educação digital. Em Portugal, 60% dos inquiridos, um valor acima da média da UE de 49%, defendem que a UE deve desenvolver padrões para a utilização de tecnologia digital na educação, por exemplo, em matéria de privacidade de dados ou IA. Este inquérito ajudará a orientar os esforços da Comissão Europeia, que planeia adotar um “pacote Educação” em 2026, incluindo um roteiro para 2030 sobre o futuro da educação e das competências digitais.

Em suma, o Eurobarómetro revela um eleitorado português altamente consciente e exigente, que não só valida a urgência da transição digital na educação, como também define um roteiro claro de prioridades: capacitação docente, investimento em tecnologia pedagógica e um enquadramento regulatório robusto liderado pela UE.

“Hoje em dia, as competências digitais são essenciais para a vida quotidiana e os postos de trabalho preparados para o futuro. Esta pesquisa mostra que os europeus entendem essa realidade com clareza e pedem uma ação mais firme. Ouvimos as suas preocupações e estamos a trabalhar para ajudar todos os europeus — crianças e adultos — a desenvolver as competências digitais de que precisam. As suas ideias guiarão o roteiro para 2030 do próximo ano sobre o futuro da educação e das competências digitais.” — Roxana Mînzatu, vice-presidente executiva para os Direitos Sociais e as Competências, o Emprego de Qualidade e a Preparação

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