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Introdução
A energia faz parte das nossas vidas e o acesso a esta é hoje tomada como algo garantido e parte integral duma vida confortável. Contudo, nem sempre nos questionamos do impacto que o nosso consumo tem no ambiente e como poderemos reduzir esse impacto. Enquanto cidadãos temos a responsabilidade de consumir a energia da forma o mais eficiente possível. Como cidadãos temos também a obrigação de exigir que a energia que consumimos seja o mais sustentável possível e que contribua para as metas da descarbonização. A razão pela qual temos de descarbonizar é simples: os gases de efeito de estufa aprisionam o calor, causando o aumento da temperatura à superfície do planeta. Quantos mais gases houver, mais a temperatura sobe. E uma vez que os gases estejam na atmosfera ficam lá por um longo período de tempo. Cerca de um quinto dos gases emitidos hoje ainda estarão lá daqui a 10000 anos. Por esta razão temos de inovar para zero gases. É nossa obrigação deixar um planeta habitável às futuras gerações.
Neste contexto é necessário pôr em movimento um processo de descarbonização da sociedade e é essencial encontrarmos fontes de energia que sejam simultaneamente suficientes e seguras para garantir um nível de vida adequado. É também essencial avançar para uma maior electrificação da sociedade. A produção da electricidade com recurso a tecnologias limpas pode ajudar a resolver o problema do transporte, da climatização das casas e negócios e das fábricas que usam energia eléctrica de forma intensiva para produzir os seus produtos. Descarbonizar significa reduzir todas estas categorias. A produção de electricidade com recurso a tecnologias limpas não resolverá o problema da descarbonização mas será um passo essencial. Já não sobram dúvidas que a energia do futuro não vem da exploração intensiva dos recursos do planeta mas sim do conhecimento e do uso responsável dos recursos que o planeta nos oferece. Isto significa também que a par com o desenvolvimento de novas tecnologias é
essencial que haja uma politica de inovação energética assente em produzir melhor e de forma mais limpa e eficiente, ter maior flexibilidade no portfolio de soluções energéticas e flexibilidade nos recursos utilizados (por exemplo, ampla distribuição geográfica das matérias primas) e consumir de forma mais eficiente e responsável .
A aposta nas energias renováveis (eólica, solar) é essencial. Mas será também necessário considerar outras formas de energia que não produzem gases causadores do efeito de estufa e que sejam capazes de providenciar a electricidade de base necessária para fazer face às intermitências das energias renováveis. A fissão nuclear é actualmente umas das soluções viáveis, contribuindo com segurança para a descarbonização. Ainda que possa não ser uma solução de longo termo, a fissão nuclear é crucial para comprarmos algum tempo até que a fusão nuclear se torne uma realidade. É certo que a palavra nuclear causa insegurança mas a maior insegurança é o desconhecimento. Por esta razão este livro tenta abordar de forma simples o problema da energia, a explicar o que é a energia nuclear (fissão e fusão) e de que forma estas energias nucleares são diferentes e como poderão ambas contribuir para a descarbonização. A fusão é uma solução muito menos perigosa do ponto de vista dos resíduos (que a fissão), mas há na opinião pública uma grande incerteza quanto ao momento em que vai ser possível usá-la assim como dúvidas acerca da eficiência energética ou a quantidade de eletricidade que será produzida. Grande parte do livro destina-se a explicar o que é a fusão nuclear, o que tem sido feito para chegarmos à realidade um reactor comercial de produção de energia eléctrica, os desafios e as metas alcançadas. O livro tentará dar elementos suficientes para que os leitores possam ficar mais informados e com a curiosidade estimulada para pesquisarem mais sobre o assunto, construindo assim uma visão critica mas assente em informação que se quer o mais científica possível. (…)
Bruno Soares Gonçalves

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