Policing Higher Education: The Antidemocratic Attack on Scholars and Why It Matters | Eve Darian-Smith

2025 | Johns Hopkins University Press

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O livro de Eve Darian-Smith analisa o ataque global à liberdade académica e ao ensino superior, enquadrando-o como parte de uma tendência mais ampla de ascensão do autoritarismo e declínio da democracia em várias regiões do mundo, incluindo democracias liberais do Norte e Sul globais. A autora argumenta que as universidades e os seus académicos estão a ser alvo de múltiplos ataques-desde a censura, desinvestimento e vigilância até à perseguição, exílio forçado e, em casos extremos, violência física – por parte de governos e atores privados que pretendem controlar a produção e circulação do conhecimento.

Principais temas e argumentos

  • Tendências globais interligadas: O livro destaca como o aumento do autoritarismo está intrinsecamente ligado à repressão da liberdade académica. Estes ataques não são fenómenos isolados, mas sim parte de estratégias partilhadas por líderes políticos de extrema-direita e movimentos antidemocráticos, que aprendem uns com os outros e replicam táticas internacionalmente.
  • Estados Unidos em foco global: Embora o fenómeno seja global, Darian-Smith centra-se nos EUA devido ao seu papel dominante na definição de modelos de ensino superior e influência internacional. O ataque à liberdade académica nos EUA serve de prenúncio para tendências semelhantes noutros países, sendo também alimentado por uma crescente polarização política e desvalorização da democracia por parte de setores significativos da sociedade, em especial associados ao movimento MAGA e à extrema-direita.
  • Instrumentalização e policiamento das universidades: Os ataques às universidades incluem:
    • Cortes de financiamento e desinvestimento estratégico;
    • Censura curricular e limitação de publicações;
    • Negação de emprego e de tenure a académicos críticos;
    • Campanhas de difamação, assédio online e “doxing”;
    • Interferência legislativa e judicial para controlar o que pode ser ensinado ou investigado;
    • Policiamento físico e simbólico dos espaços universitários, tornando os campus zonas de conflito e medo.
  • Liberdade académica e responsabilidade social: A autora propõe uma redefinição da liberdade académica como prática de responsabilidade social, sublinhando que a defesa da liberdade de investigação e ensino é essencial para sociedades democráticas, inclusivas e capazes de responder aos desafios globais (como as alterações climáticas, desigualdade e migrações em massa).
  • Impacto humano e resistência: O livro humaniza o problema através de relatos de académicos perseguidos em diferentes contextos, mostrando o impacto real destas políticas na vida de professores, estudantes e investigadores. Destaca a importância da solidariedade internacional e de redes de apoio a académicos em risco, como o Scholars at Risk.
  • História e estruturas de poder: Darian-Smith contextualiza os ataques atuais numa longa história de tentativas de controlo ideológico das universidades, desde o colonialismo, passando pelo neoliberalismo, até à ascensão dos movimentos populistas e autoritários contemporâneos. O livro mostra como as universidades têm sido tanto alvo como instrumento de projetos políticos, económicos e sociais.
  • Recomendações e caminhos futuros: A autora defende a necessidade de renovar o compromisso com a liberdade académica, promover alianças transnacionais e reforçar o papel das universidades como espaços de pensamento crítico, inovação e resistência democrática. Sublinha a urgência de comunicar à sociedade em geral a importância do ensino superior como bem público e não apenas como investimento privado ou instrumento de mobilidade social individual.

Conclusão

“Policing Higher Education” apresenta uma análise abrangente e comparativa sobre como a erosão da liberdade académica é sintoma e catalisador do retrocesso democrático global. O livro alerta para as consequências de permitir que universidades sejam capturadas por interesses autoritários e mercantis e, apela à ação coletiva para defender a autonomia universitária e o pensamento crítico como pilares essenciais de sociedades livres e justas.

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