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No prefácio do livro o autor apresenta uma abordagem crítica e profunda sobre o sistema educativo finlandês, sem idealizá-lo nem cair em clichês. O texto esclarece desde o início que este livro não elogia o sistema de ensino escolar da Finlândia, mas oferece um olhar detalhado sobre as suas práticas pedagógicas e as mudanças curriculares desde o ensino inicial até ao superior.
Andere reconhece que a Finlândia, como qualquer nação, é produto da sua história e cultura. Por isso, insiste em que a importação directa de sistemas, instituições ou políticas não é possível, sublinhando que enquanto as estruturas educativas são locais, as pedagogias podem ser universais. Consequentemente, a abordagem do livro recai naquilo que pode ser aprendido a nível humano e pedagógico, além dos contextos nacionais.
Uma característica distintiva desta obra é a sua investigação in loco, traduzida em 14 estudos de caso escolar cujas narrativas foram redigidas no mesmo dia das visitas e aprovadas pelos próprios diretores. Em particular, o capítulo 5 analisa as respostas de professores e gestores, procurando padrões e tendências nas práticas educacionais finlandesas, com o objetivo de verificar a hipótese sobre o seu nível de “repetitividade”.
O autor destaca a forma como a Finlândia conseguiu traduzir intenções educativas — como pensamento crítico, criatividade e bem-estar — em práticas concretas de ensino, sem sacrificar o rigor cognitivo. Desta forma, as escolas finlandesas se tornam espaços de interacção autêntica entre crianças, professores, famílias e comunidades.
Eduardo Andere conclui que o desempenho escolar é consequência do bem-estar infantil, e não o contrário, propondo assim uma mudança fundamental de paradigma. O livro perfila-se como uma ponte entre políticas educativas e a sua aplicação real, nutrida por vozes experientes e experiências escolares vivas.

