
Bergen, conhecida como a “porta de entrada para os fiordes noruegueses”, é uma das cidades mais históricas e culturalmente ricas da Noruega. Fundada há mais de 950 anos, esta cidade portuária testemunhou a ascensão e queda de impérios, sobreviveu a catástrofes naturais e reinventou-se continuamente ao longo dos séculos. A sua história é uma narrativa fascinante de comércio medieval, dominação hanseática, resistência durante a guerra e renascimento cultural. Desde as suas origens vikings até ao seu estatuto moderno como capital cultural europeia, Bergen permanece como um testemunho vivo da resiliente herança nórdica, onde as antigas tradições comerciais se entrelaçam com a inovação contemporânea numa paisagem única entre montanhas e fiordes.

A Fundação Viking e os Primeiros Séculos (1070-1200)
As Origens de Bjørgvin
A cidade de Bergen foi oficialmente fundada em 1070 pelo rei Olav III, também conhecido como Olav Kyrre (Olav, o Pacífico), filho do lendário Harald Hardrada, que morreu na Batalha de Stamford Bridge em 1066. Olav Kyrre escolheu esta localização estratégica na costa oeste da Noruega, baptizando-a com o nome de Bjørgvin, que significa “o prado verde entre as montanhas”. Contudo, pesquisas arqueológicas modernas revelaram vestígios de um assentamento comercial que já existia nas décadas de 1020 ou 1030, sugerindo que a região já era habitada e utilizada para comércio antes da fundação oficial.

O Estabelecimento Real
Antes da fundação de Bergen, existia uma propriedade real chamada Alrekstad, localizada no sopé do monte Ulriken e nas margens do lago Store Lungegårdsvann. Esta propriedade tinha raízes que remontavam aos anos 400, como evidenciado pelos túmulos funerários encontrados no local, mas foi durante o reinado do rei Harald Fairhair, que unificou a Noruega num só país, que a propriedade começou verdadeiramente a desenvolver-se. Harald Fairhair estabeleceu Alrekstad como uma das suas propriedades reais em todo o país e residiu lá no século IX.
Os sucessores de Harald Fairhair, Håkon, o Bom, e Olav Kyrre, governaram o país a partir da propriedade real. Olav Kyrre governou por 26 anos a partir de Alrekstad, e a propriedade tinha uma posição muito estratégica, rodeada por água ou montanhas, com Puddefjord como única entrada. Foi Olav Kyrre que, olhando para Vågen (a baía onde a cidade de Bergen se encontra hoje), decidiu que deveria transferir a propriedade para lá, movendo assim a sede real para Holmen (hoje a Fortaleza de Bergenhus) para melhor defender a sua nova cidade.
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A Arquitectura Religiosa Primitiva
Olav Kyrre não apenas fundou a cidade, mas também estabeleceu as bases para a sua importância religiosa. Durante o seu reinado, foram construídas várias igrejas, incluindo a Cristo Igreja em Bergen e a Catedral de Nidaros em Trondheim. O rei também reconheceu plenamente a autoridade do Arcebispado de Bremen sobre a Igreja norueguesa, contrastando com a política conflituosa do seu pai em relação à Igreja.
A catedral de Bergen, originalmente conhecida como Olavskirken (Igreja de Santo Olavo), tem as suas primeiras referências históricas registadas em 1181. A igreja primitiva foi construída em estilo românico, com uma nave de cerca de 20 por 13 metros e um coro de 9 por 18 metros, incluindo a abside. Esta igreja viria a tornar-se um local de importância nacional, sendo palco de várias coroações reais nos séculos seguintes.

A Era da Capital Medieval (1200-1350)
Bergen como Centro do Poder Real
Durante o século XIII, Bergen assumiu gradualmente a função de capital da Noruega, tornando-se a primeira cidade onde se estabeleceu uma administração central rudimentar. A catedral da cidade foi local da primeira coroação real na Noruega na década de 1150 e continuou a acolher coroações reais durante todo o século XIII. A Fortaleza de Bergenhus, datada da década de 1240, foi construída para guardar a entrada do porto em Bergen.
As funções de cidade capital foram perdidas para Oslo durante o reinado do rei Haakon V (1299-1319), mas Bergen manteve a sua importância como centro comercial e religioso. Durante este período, a cidade testemunhou a construção de edifícios emblemáticos que ainda hoje são marcos da cidade, incluindo o Salão de Håkon e a Torre Rosenkrantz.
O Salão de Håkon e as Estruturas Medievais
O Salão de Håkon é um dos edifícios mais antigos de Bergen e símbolo da monarquia na cidade. Esta residência real medieval e salão de banquetes foi construído em pedra durante o século XIII pelo rei Haakon IV da Noruega (1217-1263). Até hoje, o salão tem sido utilizado para cerimónias e celebrações nacionais, permanecendo aberto aos visitantes na maior parte dos dias.
Junto ao Salão de Håkon encontra-se a Torre Rosenkrantz, um importante e visível monumento de pedra na cidade. A maior parte da torre data de cerca de 1560, mas algumas partes remontam à década de 1270. Como o Salão de Håkon, a torre fazia parte da maior fortaleza de Bergen, conhecida como Bergenhus, e servia tanto como parte da fortificação quanto como residência.
A Importância Comercial Crescente
Durante o século XIV, comerciantes alemães do norte, que já estavam presentes em números substanciais desde o século XIII, estabeleceram um dos quatro Kontore da Liga Hanseática em Bryggen, em Bergen. O principal produto exportado de Bergen era o bacalhau seco da costa norte da Noruega, cujo comércio começou por volta de 1100. A cidade recebeu o monopólio do comércio do norte da Noruega pelo rei Håkon Håkonsson (1217-1263).
O stockfish (bacalhau seco) foi a principal razão pela qual a cidade se tornou um dos maiores centros comerciais do norte da Europa. No final do século XIV, Bergen tinha-se estabelecido como o centro do comércio na Noruega. O stockfish representava 80-90% das exportações norueguesas, enquanto outros produtos incluíam óleo de peixe, arenque seco, peles de ovinos e caprinos, couros bovinos, manteiga e produtos de caça à baleia e foca.

A Dominação da Liga Hanseática (1350-1750)
A Chegada dos Comerciantes Alemães
A primeira menção de comerciantes alemães em Bergen data de 1186, durante o reinado do rei Sverre. O rei Sverre, reconhecendo a presença alemã, declarou: “Queremos agradecer a todos os ingleses que aqui chegaram, trazendo consigo trigo e mel, farinha ou tecido… Os alemães chegam aqui em grande número e com grandes navios. Pretendem levar manteiga e bacalhau em detrimento do país, e trazem em troca vinho que as pessoas vão comprar. O seu comércio trouxe muito mal e nada de bom.”
Esta citação revela a ambivalência inicial em relação à presença alemã, mas os comerciantes alemães começaram a chegar a Bergen à medida que a Liga Hanseática crescia na Europa. O principal centro hanseático era Lübeck, e os “lubeckenses” começaram a reconhecer a popularidade de Bergen como cidade comercial. Com vantagens sobre outros comerciantes devido às suas boas conexões, eventualmente assumiram o controlo do comércio inglês de trigo e, em vez de usar comerciantes de Bergen como intermediários, comercializavam directamente com os pescadores.
O Estabelecimento do Kontor
Durante o início do século XIV, os alemães tornaram-se mais organizados, estabelecendo a sua área em redor de Bryggen como um Kontor hanseático oficial. Bergen tornou-se o quarto kontor, sendo os outros Novgorod, Bruges e Londres. Os reis noruegueses não gostaram de Bergen se tornar um Kontor e tentaram lutar contra as próprias leis do Kontor.
Em 1311, o Bispo de Bergen disse que os alemães deviam pagar impostos. Os alemães recusaram, boicotaram o comércio, mataram o bispo e mais de 60 habitantes locais, e queimaram o mosteiro. Eventualmente, conseguiram o que queriam. A dominação da Liga Hanseática em Bergen estabeleceu-se graças à Peste Negra, que matou 70% da população de Bergen. A perda populacional levou ao encerramento dos negócios comerciais, armazéns foram abandonados, e o governo e a realeza perderam poder.
A Organização em Bryggen
Os comerciantes alemães eram proprietários de empresas, localizadas dentro dos inquilinatos (longas filas de edifícios) em Bryggen. Cada inquilinato tinha até 15 empresas no seu interior. Os alemães eram proprietários dos edifícios mas não da terra. Cada empresa tinha armazéns, quartos de dormir, salas de estar e oficinas. Cada inquilinato tinha um cais na frente, um guindaste, uma passagem privada ao longo do inquilinato e uma cozinha nas traseiras.
A empresa tinha um gerente, enquanto o proprietário vivia na Alemanha. O gerente supervisionava o capital e utilizava-o para pagar o stockfish. O gerente ficava com uma pequena parte do lucro, sendo o objectivo poupar dinheiro suficiente para comprar uma empresa, regressar à Alemanha e viver muito confortavelmente. A Liga Hanseática operava um sistema comercial complicado, muitas vezes através de crédito, sendo os gerentes responsáveis pelo sistema de crédito.

O Impacto Cultural e Social
Os comerciantes alemães não se limitaram ao comércio; também trouxeram artesãos alemães para aproveitar os negócios comerciais. Sapateiros da Alemanha receberam o monopólio da fabricação de sapatos, enquanto outros artesãos que vieram para Bergen incluíam ourives, peleiros, alfaiates, cortadores, padeiros e barbeiros. Um facto curioso é que os hanseáticos alemães trouxeram a canela e as competências que aperfeiçoaram o famoso e único bolinho de canela de Bergen.
Em 1294, o rei da Noruega concedeu aos comerciantes das cidades alemãs o direito de vender livremente nas cidades norueguesas. Não podiam vender em localizações rurais e não podiam navegar mais para norte do que Bergen. Por último, declarou que Bergen seria o local principal para o comércio com o norte da Noruega e as ilhas, o que foi uma boa notícia para a Liga Hanseática.
Cerca de 1.000 comerciantes hanseáticos viviam em Bryggen, que se tornou a sua própria cidade dentro de Bergen. As autoridades tentaram governar os alemães, mas tornou-se impossível. A Liga Hanseática era demasiado poderosa e demasiado organizada, controlando também o comércio, e a Noruega precisava dos fornecimentos que chegavam. Contra os desejos dos noruegueses, a Liga Hanseática expulsou comerciantes holandeses e ingleses.

A Peste Negra e as Suas Consequências (1349-1400)
A Chegada da Catástrofe
Em 1349, a Peste Negra chegou a Bergen através de um navio vindo de Inglaterra, provavelmente no início de Setembro. Esta chegada fatal é detalhadamente descrita nos únicos relatos contemporâneos islandeses, o Gotskálks-annál e Lögmanns-annál de Einarr Hafliðason. O Lögmanns-annál fornece informações sobre a migração da Peste Negra no oeste da Noruega, contendo declarações de testemunhas dos bispos islandeses Orm de Hólar e Gyrd Ivarsson de Skalholt, que visitaram a Noruega quando a peste chegou de Inglaterra.
Neste testemunho, é descrito como o infame “navio da peste” chegou a Bergen vindo de Inglaterra. Quando a carga foi descarregada do navio, a tripulação começou a morrer. Pouco depois, os habitantes de Bergen começaram a morrer, e de Bergen espalhou-se por toda a Noruega, matando finalmente um terço da população. O navio inglês foi alegadamente afundado, mas vários navios da peste teriam encalhado ao longo das praias da mesma forma.
O Impacto Demográfico
Embora o número exacto de mortes da Peste Negra seja desconhecido, é claro que a peste causou um choque demográfico. A população não se recuperou aos níveis pré-pandémicos até ao século XVII. Entre 60 e 65 por cento da população estima-se que tenha morrido durante a Peste Negra, e a Noruega só se recuperaria no século XVII. Das 36.500 quintas e 60.000 agregados familiares que existiam por volta do ano 1300, 16.000 quintas e 23.000 agregados familiares existiam em 1520.
As Consequências Políticas e Sociais
O que pode apoiar a explicação tradicional de que a Peste Negra causou o declínio político da Noruega foi o facto de o número de mortos entre as classes sociais de elite parecer ter sido muito maior na Noruega do que na Suécia e em Inglaterra. Enquanto todos os bispos sobreviveram à Peste Negra na Suécia, todos os bispos da Noruega morreram na peste com excepção do bispo de Oslo; em 1371, notou-se que dos 300 padres da Noruega antes da peste, apenas 40 restavam.
A classe norueguesa de funcionários parece ter experimentado perdas pesadas, pois o rei foi forçado a concentrar os que restavam nas províncias do sul para restaurar a ordem enquanto deixava as províncias do norte por sua conta. A diminuída nobreza norueguesa não conseguiu proteger os direitos políticos da Noruega na União de Kalmar, e o poder militar foi perdido para a Dinamarca, que usava mercenários da Alemanha.

A Reconstrução e os Incêndios (1400-1750)
Os Incêndios Devastadores
A história de Bergen está marcada por uma série de incêndios devastadores que moldaram repetidamente a arquitectura e o layout da cidade. Em 1248, a igreja antiga ardeu durante um grande incêndio em toda a cidade, e depois foi construída uma nova igreja de pedra no mesmo local. Houve outro incêndio na igreja em 1270, e Magnus Lagabøte financiou as reparações depois disso. Em 1463, ardeu novamente, mas não foi totalmente reconstruída até à década de 1550.
O incêndio mais significativo ocorreu em 1702, quando a maior parte da cidade foi reduzida a cinzas. Este “Grande Incêndio de 1702” foi particularmente devastador para Bryggen, mas a área foi rapidamente reconstruída sobre as fundações que estavam lá desde o século XI, permitindo que Bryggen permanecesse o mesmo. A reconstrução mais recente de Bryggen data de depois do Grande Incêndio de 1702, com alguns desses edifícios originais permanecendo hoje.
A Evolução Arquitectónica
Os edifícios de madeira são construídos em proximidade uns dos outros e partilham pátios traseiros comuns que datam dos anos 1400-1500. Depois dos incêndios de 1623 e 1640, a Catedral de Bergen recebeu a sua aparência geral actual. A torre da nave construída pelo bispo Pederssøn foi demolida, e a actual torre na extremidade oeste foi construída. Durante a renovação na década de 1880, sob a direcção dos arquitectos Christian Christie e Peter Andreas Blix, os interiores rococó foram restaurados à sua antiga aparência medieval.
O verdadeiro motivo da fundação instável de Bryggen é que múltiplos incêndios arrasaram os armazéns ao longo dos séculos. Com cada incêndio, os escombros da margem foram empurrados para a água com os armazéns reconstruídos em cima da nova linha costeira adicionada. “Chove muito sobre a madeira e é por isso que tudo está tão mole”, explica um guia local. “A linha de água e o porto costumavam estar mais para trás”, explica Celine Weisenfeld, guia do Museu Hanseático. “Sempre que Bryggen ardia, eles reconstruíam-no da mesma forma que era antes, mas ligeiramente mais para dentro da água”.

A Transição Para a Era Moderna (1750-1900)
O Declínio da Influência Hanseática
A partir de cerca de 1600, a dominação hanseática do comércio da cidade declinou gradualmente em favor de comerciantes noruegueses (muitas vezes de ascendência hanseática), e na década de 1750, o Kontor, ou principal posto comercial da Liga Hanseática, finalmente fechou. Bergen manteve o seu monopólio do comércio com o norte da Noruega até 1789. A bolsa de valores de Bergen, a Bergen børs, foi estabelecida em 1813.
Mas não foi o fim da presença alemã em Bergen. O comércio com os pescadores do norte permaneceu, e os negócios continuaram a ser conduzidos em língua alemã. Os comerciantes noruegueses receberam até aulas gratuitas de alemão para poderem compreender as suas contas e frequentar a Igreja de Santa Maria. Embora Bryggen se tenha tornado mais norueguesa ao longo dos anos 1800, a presença alemã permaneceu até que o Kontor norueguês fechou as suas portas em 1899.
O Crescimento Populacional e Urbano
Por volta de 1600, Bergen era a maior cidade da Escandinávia com uma população de cerca de 15.000 habitantes. Bergen permaneceu uma das maiores cidades da Escandinávia, e foi a maior cidade da Noruega até à década de 1830, sendo ultrapassada pela cidade capital de Oslo. Durante os séculos XV e XVI, Bergen permaneceu uma das maiores cidades da Escandinávia.
Bergen expandiu-se várias vezes incorporando municípios e distritos vizinhos. Em 1877, as freguesias do condado pertencentes à Catedral e Korskirken (Sandviken, Møhlenpris, Nygård, Lungegården e Kalfaret) foram incorporadas. Årstad foi incorporada em 1915 e Gyldenpris foi transferida para Bergen de Laksevåg em 1921. Fyllingsdalen foi transferida para Bergen de Fana em 1955.
O Desenvolvimento Industrial e Marítimo
Durante os séculos XVII e XVIII, Bergen esteve envolvida no comércio de escravos atlântico. O comerciante de escravos baseado em Bergen, Jørgen Thormøhlen, o maior armador da Noruega, foi o principal proprietário do navio negreiro Cornelia, que fez duas viagens de comércio de escravos em 1673 e 1674, respectivamente. Ele também desenvolveu o sector industrial da cidade, particularmente no bairro de Møhlenpris, que tem o nome dele.
Quando a revolução industrial começou, Bergen tomou a liderança na navegação marítima com os novos navios a vapor. Isto continuou, e o peixe e a madeira tornaram-se grandes exportações comerciais, que se tornaram a base para o crescimento futuro de Bergen. A Bergen Steamship Company começou a operar em 1851, e o Bergen Mekaniske Verksted (estaleiro) foi estabelecido em 1855.
A Era Contemporânea (1900-2000)
A Segunda Guerra Mundial e a Ocupação
Em 9 de Abril de 1940, Bergen foi ocupada no primeiro dia da invasão alemã, após uma breve luta entre navios alemães e a artilharia costeira norueguesa. Os navios alemães passaram a Dinamarca na noite do dia 8, e quando as fortificações norueguesas foram notificadas, começaram os preparativos. As fortes que revestem a costa em redor de Bergen defenderam-se, mas não tiveram hipóteses contra os navios alemães. Os navios vieram com aviões e aproximadamente 1.900 homens.
As fortes de Bergen conseguiram danificar um navio, o Königsberg, mas o resto entrou na cidade sem danos. Os habitantes acordaram no dia 9 com uma bandeira alemã hasteada na Fortaleza de Bergen. Guardas alemães fortemente armados estavam posicionados fora de edifícios públicos. A ocupação tinha sido um sucesso, custando um total de 24 vidas, das quais 16 eram soldados alemães. O cruzador alemão Königsberg foi danificado e teve de largar âncora, sendo depois afundado por aviões britânicos no dia seguinte.
A Fortaleza de Bergen tornou-se o principal quartel-general dos soldados alemães durante a guerra. A maioria dos edifícios dentro da fortaleza serviu um propósito, sendo o único edifício que não usaram o Salão de Håkon. Bergen tornou-se um dos pontos de apoio mais importantes para os submarinos alemães que operavam no Mar do Norte, visando impedir os comboios aliados de chegarem a Murmansk. Durante a guerra, 190 submarinos diferentes estiveram ligados à 11.ª Frota de Submarinos alemã em Bergen por vários períodos de tempo.
A Explosão de 1944
Na manhã de 20 de Abril de 1944, os residentes de Bergen foram acordados por uma explosão ensurdecedora. Mais de 100 noruegueses foram mortos, com milhares mais feridos. 56 alemães foram mortos. Bergen também foi duramente atingida, com 248 edifícios destruídos, incluindo muitos edifícios históricos. Como a explosão ocorreu no aniversário de Hitler, os relatórios iniciais culparam a sabotagem. Mas, na verdade, a explosão foi inteiramente acidental. Um navio de pesca holandês que transportava explosivos para Hammerfest estava no porto.
O Desenvolvimento Moderno
Após a Primeira Guerra Mundial, Bergen foi atingida por uma crise financeira, fábricas fechadas, navios encalhados e um grande incêndio na cidade em 1916. A cidade foi reconstruída, mas a Segunda Guerra Mundial infligiu os mesmos danos. Estes danos foram maiores em Bergen do que em qualquer outra cidade da Noruega, o que também incluiu o número de mortos.
Em 1972, os seguintes municípios foram fundidos para formar um único grande município chamado Bergen: Arna, Bergen, Fana, Laksevåg e Åsane. Ao mesmo tempo, Bergen deixou de ser um condado separado. Hoje Bergen é o centro geográfico da Noruega e a segunda maior cidade, com uma população de 294.029 habitantes em 1 de Janeiro de 2025.
Bergen na Era Petrolífera e Cultural
A Indústria Petrolífera
Bergen tornou-se um centro importante para a indústria petrolífera norueguesa com a descoberta do petróleo no Mar do Norte. O campo petrolífero de Brage, localizado a 120 km a noroeste de Bergen, é apenas um exemplo de como a cidade se tornou central para a exploração petrolífera offshore. A indústria petrolífera, juntamente com as indústrias marítimas, tornou-se um dos principais sectores económicos da cidade.
Os principais clusters empresariais e industriais actuais incluem: Energia (petróleo, gás e energia renovável), indústrias marítimas, turismo, sector criativo (media, design, cinema e música), e sector marinho. Bergen desenvolveu-se como um dos centros de engenharia submarina mais avançados da Noruega, beneficiando da sua história, conhecimento, localização e proximidade aos recursos do Mar do Norte.
Capital Europeia da Cultura
Bergen foi nomeada Capital Europeia da Cultura em 2000. O programa cultural de Bergen 2000 consistiu em mais de 3.000 projectos, que incluíram mais de 20.000 performances e eventos. Numa sondagem Gallup, mais de 60% da população concordaram que o ano tinha sido um sucesso, com apenas 20% discordando. Mais de 40% da população participou em actividades culturais durante o ano 2000 mais do que durante anos anteriores.
Bergen ressoa com música e tem alguns dos melhores coros do país, músicos de jazz que improvisam durante a noite, e cantores de ópera cujas árias se elevam acima das muralhas da fortaleza de Bergenhus. A arte pode ser criada em lajes de pavimento, e até tampas de esgoto são transformadas em obras de arte – numa cidade que considera que a cultura é parte do quotidiano e uma expressão importante da variedade de vida de Bergen.
O Património Cultural e Museológico
A colecção de arte religiosa medieval no Museu da Universidade de Bergen está entre as mais belas do seu género na Europa. O museu foi fundado em 1825, como ‘Bergens Museum’, por Wilhelm Frimann Koren Christie, que colaborou estreitamente com o Bispo de Bergen, Jacob Neumann. O objectivo do museu era documentar e expor a história natural e cultural do oeste da Noruega.
O museu possui dezanove frontais de altar pintados dos séculos XIII e XIV, de um total de cerca de 140 exemplos na Europa. Além disso, há várias esculturas notáveis da Virgem com o Menino que outrora povoavam os altares das igrejas em redor do oeste da Noruega. A colecção inclui também várias pias baptismais românicas, retábulos góticos tardios, vasos metálicos e paramentos litúrgicos.
O Mercado do Peixe: Tradição Secular
O pitoresco Mercado do Peixe de Bergen é um dos mercados ao ar livre mais visitados da Noruega. O Mercado do Peixe tem uma localização encantadora no coração da cidade, entre os fiordes e as 7 montanhas de Bergen. O Mercado do Peixe de Bergen existe desde os anos 1200 e tem sido desde então um local de encontro para comerciantes e pescadores.
Pode encontrar peixe fresco e frutos do mar, produtos agrícolas locais como frutas, bagas e legumes. Há também vários restaurantes que servem uma grande selecção de frutos do mar. Em 2012, o Mercado do Peixe interior – Mathallen – abriu. Aqui os comerciantes têm lojas e restaurantes permanentes no interior e estão abertos todo o ano.

Conclusão: Bergen no Século XXI
Bergen permanece hoje como um testemunho vivo da rica história nórdica, onde cada pedra conta uma história de mais de nove séculos de evolução contínua. Da sua fundação viking por Olav Kyrre em 1070 ao seu estatuto actual como segunda maior cidade da Noruega, Bergen navegou através de períodos de grandeza real, dominação comercial hanseática, catástrofes naturais, ocupação militar e renascimento cultural.
A cidade moderna de Bergen, com os seus 294.029 habitantes, continua a honrar o seu passado enquanto abraça o futuro. As suas indústrias contemporâneas – energia, sector marítimo, turismo e cultura criativa – ecoam os padrões comerciais estabelecidos há séculos pelos mercadores hanseáticos. O distrito histórico de Bryggen, classificado como Património Mundial da UNESCO, permanece como o coração pulsante desta narrativa histórica, onde os edifícios de madeira coloridos continuam a abrigar artistas, comerciantes e restaurantes, mantendo viva a tradição comercial secular.
Bergen exemplifica como uma cidade pode preservar a sua identidade histórica enquanto se adapta às exigências modernas. Desde o antigo Kontor hanseático até aos modernos centros de tecnologia petrolífera offshore, desde as coroações medievais até à Capital Europeia da Cultura de 2000, Bergen demonstra que a verdadeira herança não reside apenas na preservação do passado, mas na capacidade de o reinterpretar e revitalizar continuamente. Entre as suas sete montanhas e debruçada sobre os fiordes, Bergen permanece, nas palavras da sua designação original, verdadeiramente “o prado verde entre as montanhas” – um local onde a história e a modernidade coexistem harmoniosamente na paisagem espectacular da Noruega ocidental.
