AI and the future of education: disruptions, dilemmas and directions | UNESCO

2025

Download |

O documento “AI and the future of education: Disruptions, dilemmas and directions” da UNESCO apresenta uma análise detalhada sobre os principais debates e implicações da utilização de inteligência artificial (IA) na avaliação educativa, com atenção especial ao impacto das ferramentas generativas de IA, como ChatGPT, sobre a credibilidade, a equidade e o próprio futuro das avaliações escolares.

Resposta direta e síntese

A principal contribuição do documento é mostrar que a ascensão da IA generativa está a causar uma ruptura no modelo tradicional de avaliação educativa. Por um lado, a IA coloca em causa a fiabilidade das avaliações, pois permite que respostas automatizadas imitem produções humanas a um nível difícil de distinguir para professores e instrumentos tradicionais. Por outro, as tentativas de “regresso” aos exames presenciais ou avaliações orais não são suficientes para garantir autenticidade ou justiça, e podem aprofundar desigualdades, principalmente entre contextos com diferentes níveis de acesso tecnológico.

Avaliação tradicional em crise

  • A IA generativa permite criar textos, resolver problemas e até responder a provas orais com uma qualidade semelhante ou superior à de muitos alunos, tornando difícil avaliar a aprendizagem real de cada estudante.
  • Os sistemas de detecção de texto artificial ainda são insuficientes, frequentemente falhando em distinguir produção humana da máquina, redundando numa “crise de autenticidade”.
  • O reforço das avaliações presenciais (exames em papel, orais) tem limitações: novas tecnologias como óculos inteligentes e interfaces cérebro-máquina já permitem possíveis formas de fraude que desafiam a vigilância tradicional.

Novos paradigmas de avaliação mediados por IA

  • Em contextos tecnologicamente avançados, a recomendação é reimaginar a avaliação, focando competências “irredutíveis” à máquina, como ética, pensamento relacional, julgamento humano, criatividade e colaboração.
  • Propõe-se adotar estratégias formativas contínuas, rubricas criadas por professores, feedback mediado por IA e sistemas combinados de avaliação humana e da máquina, sempre sob supervisão do docente.
  • Modelos como o “cybersocial learning” exemplificam o uso construtivo da IA, onde ela se torna parte do processo de aprendizagem, ajudando e avaliando, mas sempre com intervenção ativa e crítica do professor.

Riscos de aprofundamento das desigualdades

  • Cerca de 1/3 da humanidade permanece sem acesso digital regular. Assim, escolas em regiões menos favorecidas podem restringir-se a avaliações convencionais e menos relevantes para a sociedade digital, enquanto escolas ricas exploram formas avançadas e criativas de avaliação com IA.
  • Além do acesso, há também riscos de as avaliações mediadas por IA reforçarem padrões hegemónicos culturais e linguísticos, caso as IAs só “entendam” certos idiomas ou contextos.

Recomendações e caminhos futuros

  • Aconselha-se repensar não só os métodos de avaliação, mas também o próprio valor do conhecimento: o que importa avaliar na era da IA? As aprendizagens humanas mais importantes não são as que o computador imita, e sim as que expressam empatia, cidadania, criatividade e pensamento crítico.
  • É fundamental garantir acesso equitativo às tecnologias de IA e formar professores para liderar a integração crítica da IA em sala de aula e nos sistemas avaliativos.
  • Políticas públicas devem promover avaliações diversificadas, sensíveis ao contexto e que preservem a dignidade, a cultura e as línguas de todos os alunos.

Em resumo: A IA desafia radicalmente a avaliação educativa tradicional, exigindo mais do que adaptação técnica — exige uma profunda transformação cultural, pedagógica e ética, centrada no papel do professor, na inclusão e na justiça.

Leave a Reply