O que faz um “bom aluno”?

Ler na fonte | Autores: Octavio Díaz Santana – María-Eugenia Cardenal – Sara María González Betancor


Tirar apontamentos, prestar atenção e estar em silêncio enquanto o professor explica: esta seria uma resposta habitual. Ou seja, o professor ou a professora como protagonista, e os alunos numa atitude passiva. Muitas vezes, este é considerado o melhor modelo para obter boas notas.

As metodologias ativas propõem algo diferente: uma aprendizagem baseada na participação dos alunos. Pretende-se que assumam uma atitude ativa, para a qual os docentes têm de proporcionar espaço. Mas será que esta mudança melhora realmente o desempenho?

Numa investigação recente tentou-se responder a esta questão, focando-nos nas competências de Comunicação linguística, Inglês, Matemática e Ciência e Tecnologia. Para tal, utilizaram-se dados de alunos do 6.º ano de escolaridade nas Ilhas Canárias.


O papel do professor

A sociologia da educação mostra que lecionar de uma forma ou de outra não tem apenas consequências para a aprendizagem: influencia também o clima da sala de aula. E isso traduz-se em maior ou menor atenção, respeito, segurança e confiança.

Na nossa investigação analisámos como atua o professor em contexto de aula, distinguindo dois estilos de docência: o diretivo, como exemplo de prática tradicional, e o participativo, como prática ativa.

Tivemos também em conta dois tipos de relações:

  • Afetivas, ou seja, o apoio emocional que o aluno recebe em forma de segurança, respeito ou escuta.
  • Educativas, relacionadas com o apoio direto à aprendizagem, como respostas a perguntas ou conselhos de melhoria.

Segundo os nossos resultados, o estilo docente influencia as relações estabelecidas entre professor e aluno. Em particular, o estilo participativo gera relações mais positivas, enquanto que com o estilo diretivo essas relações são menos favoráveis.


O que dá melhores resultados?

Tendo em conta o anterior, perguntámo-nos se o papel do docente afeta as notas dos alunos. Os nossos resultados mostram que, quando o professor adota um papel ativo, as notas são melhores do que quando assume um papel tradicional. Ou seja, ter espaço para participar nas aulas e estabelecer boas relações com o professor melhora os resultados escolares.

Os dados também sublinham a importância das relações no desempenho, sobretudo das relações afetivas. O apoio emocional do professor desempenha um papel essencial na aprendizagem. Por isso é fundamental dar atenção aos vínculos com os alunos.

Não basta refletir sobre as formas de lecionar; é preciso considerar também o efeito que essas formas têm nos alunos. A maneira como a aula é dada encoraja-os a participar? Dá-lhes segurança e confiança? Estimula a vontade de aprender?


Pôr em prática nas escolas

Estes resultados apoiam uma maior presença das metodologias ativas nas salas de aula. Não só porque melhoram o desempenho académico, mas também porque promovem o envolvimento dos alunos e fortalecem as relações com os professores. O papel ativo gera, assim, um clima escolar muito mais positivo do que o papel tradicional.

Levá-lo para as salas de aula exige, em primeiro lugar, o compromisso das autoridades educativas, mas também a formação dos professores. Afinal, aumentar a adopção de metodologias ativas implica novas formas de ensinar e de se relacionar com os alunos, que nem todos os docentes conhecem ou sabem aplicar.

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