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Desde o lançamento do ChatGPT, a 30 de novembro de 2022, a Inteligência Artificial (IA) tem vindo a transformar rapidamente a investigação, o ensino e o mercado de trabalho. Esta tecnologia está a redefinir a forma como nos relacionamos com o mundo e, consequentemente, o próprio mundo.
O Instituto Superior Técnico adota uma abordagem proativa e centrada no ser humano perante esta transformação. Este guia tem como propósito fornecer orientações claras para a nossa comunidade — estudantes, docentes e colaboradores — sobre como utilizar a IA de forma ética, responsável e eficaz.
“As machines get better at being machines, humans have to get better at being more human.” – Andrew Scott, Professor de Economia na London Business School, McKinsey Global Institute’s Forward Thinking podcast (2023)
- O princípio fundamental: uma IA centrada no ser humano
A filosofia fundamental do Técnico é que a IA deve servir como um assistente poderoso, mas a tomada de decisão e a responsabilidade devem permanecer sempre centradas no ser humano. A utilização destas ferramentas deve ter como alicerces os seguintes valores:
• Ética
• Transparência
• Proteção de dados
• Proteção de propriedade intelectual
Este princípio alinha-se com a visão do Regulamento de Inteligência Artificial da União Europeia, que estipula que “a IA deverá ser uma tecnologia centrada no ser humano. Deverá servir de instrumento para as pessoas, com o objetivo último de aumentar o bem-estar humano.”
2. Oportunidades e riscos em contexto académico
Boosting Productivity and Creativity
As ferramentas de IA oferecem um potencial significativo para acelerar a investigação e o ensino, preparando os estudantes para os desafios de engenharia do futuro. Para estudantes e investigadores, os principais benefícios incluem:
• Compilar, resumir e organizar informação: Acelerar a fase inicial de pesquisa e estruturação de conhecimento.
• Assistir na programação e desenvolvimento de código: Aumentar a produtividade em tarefas de desenvolvimento de software.
• Fornecer feedback automatizado e permitir uma aprendizagem mais individualizada: Adaptar materiais e apoio ao ritmo de cada estudante.
• Estruturar relatórios técnicos e afinar perguntas de investigação: Refinar a clareza e o foco do trabalho académico.
• Ligar bases de dados, ficheiros e agendas: Atuar como assistente personalizado na organização e acesso à informação necessária para a realização de tarefas.
• Buscar padrões em grandes volumes de dados: Identificar tendências e correlações que poderiam passar despercebidas à análise humana.
Superando os desafios principais
Apesar das suas vantagens, os modelos de IA atuais apresentam riscos que exigem uma utilização crítica e informada. Os principais desafios são:
1. Erros (Alucinações): Os modelos de IA generativa são probabilísticos e podem produzir respostas incorretas ou fabricar fontes. Embora a sua exatidão esteja a melhorar rapidamente, toda a informação gerada deve ser rigorosamente verificada.
2. Enviesamentos (Biases): Os algoritmos são treinados com vastos conjuntos de dados que podem conter enviesamentos sociais, culturais ou de género. Isto pode levar a que as respostas da IA perpetuem estereótipos ou padrões de discriminação existentes.
3. Privacidade e Confidencialidade: É de importância crítica não utilizar dados de investigação confidenciais, informação pessoal ou estudos de caso sensíveis nos prompts, pois a informação submetida pode ser exposta ou utilizada para treinar modelos futuros, comprometendo a confidencialidade.
3. Uma estrutura prática: a declaração de uso e o sistema de “semáforo”
Para assegurar a integridade académica e a transparência, o Técnico implementa a “Declaração de Uso” como um instrumento fundamental. Associado a esta declaração, foi adotado um “sistema de semáforos” que define claramente o nível de utilização de IA permitido em cada tarefa ou elemento de avaliação.
Nível 0 (Vermelho) – Uso Proibido
Neste nível, o uso de qualquer ferramenta de IA é expressamente proibido. Aplica-se a elementos de avaliação como exames escritos ou orais e demonstrações de experiências laboratoriais, onde o trabalho deve ser realizado exclusivamente com base no conhecimento e nas competências do estudante.
• Objetivo Pedagógico: Incentivar as competências individuais para promover a autonomia intelectual e a independência tecnológica.
• Modelo de Declaração:
◦ "Declaro que este elemento de avaliação foi integralmente realizado sem qualquer recurso a ferramentas de IA."
Nível 1 (Amarelo) – Uso Limitado com Declaração
A utilização de ferramentas de IA é permitida para tarefas específicas, como a geração de ideias, organização de tópicos, revisão linguística ou sugestões de estrutura. O utilizador é inteiramente responsável por rever, editar e validar todo o conteúdo final.
• Objetivo Pedagógico: Fomentar o uso crítico e ético da IA, incentivando o estudante a dominar o processo criativo e a validação do conteúdo.
• Modelo de Declaração:
◦ "Todas as decisões e conteúdo técnico deste trabalho são da minha autoria. Foram utilizadas [listar ferramentas] para [funções]"
◦ Exemplo: "Todas as decisões e conteúdo técnico deste trabalho são da minha autoria. Foi utilizado ChatGPT da OpenAI. (2025) [https://chat.openai.com] para gerar o índice do trabalho."
Nível 2 (Verde) – Uso Totalmente Permitido com Declaração
O uso de ferramentas de IA é livremente permitido e incentivado ao longo de todo o projeto. A IA é tratada como uma ferramenta colaborativa, mas a sua utilização deve, ainda assim, ser declarada.
• Objetivo Pedagógico: Promover a literacia tecnológica e desenvolver a capacidade de integrar ferramentas avançadas de IA no planeamento e realização de processos de engenharia, inovação e resolução de problemas complexos ou abertos.
• Modelo de Declaração:
◦ "Foram integradas ferramentas de IA no desenvolvimento do projeto e na elaboração do seu relatório. Foram utilizadas as ferramentas: [listar ferramentas]"
◦ Exemplo: "Foram integradas ferramentas de IA no desenvolvimento do projeto e na elaboração do seu relatório. Foram utilizados: - OpenAI. (2025). ChatGPT [Large language model]. https://chat.openai.com - GitHub. (2025). GitHub Copilot [AI coding assistant]. https://github.com/features/copilot"
4. Principais recomendações: o que fazer e o que não fazer
Para uma integração bem-sucedida e responsável da IA, a comunidade do Técnico deve seguir um conjunto de práticas claras.
O que fazer:
• Encarar as ferramentas da IA como assistentes virtuais, sem nunca substituir a intervenção e a decisão humanas.
• Equilibrar o acesso à informação com a reflexão crítica, utilizando a tecnologia para aprofundar a compreensão e não apenas para reproduzir conteúdo.
• Utilizar a IA para aumentar a capacidade de análise e realização, potenciando a produtividade em tarefas de investigação e académicas.
• Proporcionar uma avaliação de conhecimentos e competências na era da IA que inclua componentes multivariadas e interativas, como discussões em grupo, provas e apresentações orais.
• Exigir uma Declaração de Uso sempre que a utilização da IA na avaliação de conhecimentos e competências for permitida (níveis de permissão de grau 1 ou 2; amarelo ou verde).
O que não fazer:
• Não divulgar em prompts informação sensível, dados pessoais ou dados de investigação confidenciais.
• Não transcrever análises obtidas por IA sem intervenção, curadoria e autoria humana. Todo o conteúdo deve ser verificado e apropriado criticamente.
• Não fechar nenhuma decisão científica, técnica ou académica com base apenas em decisões da IA, sem o devido julgamento e validação humanos.
Conclusão: Inovar para o futuro
A integração da Inteligência Artificial no Técnico visa ampliar o pensamento crítico, a colaboração e a capacidade de resolver problemas. Ao adotar estas orientações, preparamos os nossos estudantes não apenas para as profissões de hoje, mas também para um futuro em rápida evolução, onde a capacidade de unir ciência, ética e inovação será mais crucial do que nunca.

