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Este guia é um recurso colaborativo concebido para o inspirar e encorajar a elevar o nível do seu makerspace da forma que melhor se adeque aos seus utilizadores. Partilhamos dicas e conselhos que reunimos ao longo de 5 anos a apoiar bibliotecas em todo o Reino Unido, bem como das nossas próprias experiências. Considere-o uma “lista de inspiração” em vez de um “livro de regras” para o ajudar a lançar, relançar ou reimaginar o seu espaço.
Acreditamos que os melhores produtos e serviços são impulsionados pelos próprios utilizadores. Dar voz aos utilizadores resulta em melhores serviços para todos.
Happy Making!
1. O que é um makerspace?
Um makerspace é um espaço de aprendizagem com infusão digital que promove a abertura, criatividade, colaboração, partilha e aprendizagem ativa. Combinam influências de hackspaces, metodologias de aprendizagem ativas e construcionistas, e tecnologias abertas.
No seu cerne está o construcionismo, uma teoria de aprendizagem que promove os benefícios de aprender ao fazer coisas que são significativas para o aluno, baseando-se nas suas próprias experiências e interesses.
Neste espírito, muitos membros da comunidade maker documentam e partilham os seus próprios projetos e contribuem para uma vasta comunidade online de guias, tutoriais, apoio e inspiração.
Os makerspaces não são definidos pela tecnologia que possuem. A sua essência reside em abordagens de aprendizagem colaborativas e ativas, que promovem o potencial criativo da tecnologia através de experiências de aprendizagem significativas. Atualmente, estão a evoluir, formando novas abordagens à aprendizagem colaborativa em bibliotecas e outros espaços abertos.
2. Porquê criar um makerspace numa biblioteca?
As bibliotecas desempenham um papel importante na comunidade, tanto no que diz respeito à criatividade como à cidadania digital. Os makerspaces oferecem uma forma de combinar estas forças para formar serviços e espaços inovadores.
Os makerspaces podem complementar e reforçar os serviços da sua biblioteca nas seguintes áreas:
• Literacia digital
• Aprendizagem após o horário escolar e ao longo da vida
• Espaços comunitários para a criatividade e as artes
• Educação em Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática (STEAM)
• Empreendedorismo e apoio a negócios locais
• Inclusão social
Lançar um makerspace pode ajudar a sua biblioteca a alcançar novos públicos e a envolver os utilizadores existentes de formas inovadoras. Além disso, a flexibilidade é fundamental; os makerspaces não precisam de ser espaços permanentes. Podem também ser móveis ou popup, adaptando-se às necessidades e recursos da sua biblioteca.
3. Como começar: uma abordagem ‘lean’
O mais importante é começar. A sua primeira versão não será a última. Em vez de visar um makerspace perfeito e pronto a lançar, é mais útil começar com algo que facilite conversas com a sua comunidade de utilizadores. Estas conversas são o resultado mais importante do lançamento do seu makerspace.
Para o planeamento, adote uma abordagem ‘lean’. Evite documentos de planeamento excessivamente longos e rígidos. Em vez disso, favoreça planos flexíveis que possam evoluir. Uma ferramenta eficaz é uma versão adaptada do Business Model Canvas, desenvolvido por Alex Osterwalder, que oferece uma estrutura clara sem ser demasiado restritiva.
Para começar de forma focada, siga estes passos:
1. Defina os seus objetivos: Escreva 5 objetivos para o seu programa de makerspace que sejam significativos, mensuráveis e acionáveis. Ter uma imagem clara do que pretende alcançar ajudá-lo-á a tomar decisões e a medir o sucesso.
2. Selecione as métricas de sucesso: Depois de definir os seus objetivos, identifique até três para focar na fase de protótipo. Estes servirão como as suas métricas de sucesso iniciais, permitindo-lhe avaliar o que está a funcionar.
3. Envolva a sua comunidade: Comece agora. Convide os seus colegas e membros da comunidade para partilharem as suas ideias. Um grupo diversificado trará perspetivas mais ricas e inspiradoras.
4. A escolher as ferramentas certas
Adote uma abordagem gradual ao selecionar tecnologia e equipamentos. Não precisa de gastar todo o seu orçamento de uma só vez. É possível fazer muito com pouco, e ao começar de forma modesta, estará mais bem preparado para tomar decisões informadas sobre os recursos de que o seu makerspace realmente precisa.
Para orientar as suas escolhas tecnológicas, recomendamos o modelo “low floor, high ceiling and wide walls”, concebido por Seymour Papert e Mitchel Resnick no MIT Media Lab. Escolha tecnologias que tenham um Low Floor (piso baixo), sendo fáceis para os principiantes começarem, e um High Ceiling (teto alto), oferecendo flexibilidade suficiente para projetos complexos à medida que os utilizadores ganham competências.
Existe também outra dimensão importante a considerar: Wide Walls (paredes largas) – tecnologias que suportam uma vasta gama de diferentes tipos de projetos, apelando a diversos interesses e tipos de utilizadores.
Além deste modelo, considere os seguintes fatores práticos:
• Opções de suporte: A quem pode recorrer quando algo avaria?
• Existência de uma comunidade ativa: Existe uma comunidade online que partilha materiais de aprendizagem e experiências?
• Reparabilidade e longevidade: O equipamento pode ser reparado facilmente para garantir a sua durabilidade?
• Gestão responsável de dados: Como são geridos os dados dos utilizadores?
• Armazenamento: Onde irá guardar o equipamento de forma segura?
• Segurança: Quais são os requisitos de segurança para o uso das ferramentas?
5. Envolver a equipa e promover uma mentalidade ‘maker’
A introdução de novos serviços pode ser intimidante para alguns membros da equipa. Depender apenas da auto-nomeação corre o risco de envolver apenas os mais confiantes e deixar os outros para trás. É crucial remover as barreiras à participação para garantir que toda a equipa se sinta incluída.
Aqui ficam algumas ideias para integrar a sua equipa:
• Cozinha de testes na sala de almoço: Disponibilize alguns recursos do makerspace num ambiente informal e não intimidatório, como a sala de almoço, para que a equipa possa experimentar livremente.
• Fornecer apoio e formação: Ofereça formação e suporte contínuo para os membros da equipa que estejam interessados em envolver-se mais ativamente.
• Incentivar a contribuição: Encoraje a equipa a partilhar ideias para atividades e projetos baseados nos seus próprios interesses e paixões.
Para além das ferramentas, é fundamental cultivar uma “Mentalidade Maker” (‘Maker Mindset’). Esta mentalidade valoriza a curiosidade, a colaboração e a resiliência.
Todos são bem-vindos! Colabore com todos os tipos de makers.
Não tenha medo de fazer perguntas.
A criatividade importa! Jogue, experimente e inove.
Abrace o fracasso. Reflita e aprenda com os erros.
Escute e deixe-se inspirar pelo trabalho dos outros.
Documente o seu processo de aprendizagem. Participe e partilhe na sua comunidade.
Esteja aberto a novas ideias. Envolva-se, resolva problemas e itere.
6. Criar um programa centrado no utilizador
Lembre-se: o seu primeiro makerspace é um protótipo. É uma forma de conhecer pessoas interessadas, testar novas ideias e permitir que a comunidade ajude a moldar o espaço. As suas ideias evoluirão à medida que ganha experiência e recolhe contributos. O princípio orientador deve ser sempre:
Desenhe com os utilizadores, não para os utilizadores.
O espaço físico e digital
Quer o seu espaço seja permanente, partilhado, móvel ou popup, o acesso e o design são cruciais para o seu sucesso.
• O espaço físico: Considere questões práticas como as seguintes:
◦ Quem pode aceder ao espaço e quando?
◦ É necessário fazer marcação ou participar numa sessão de iniciação?
◦ O equipamento pode ser requisitado para empréstimo?
• Incorporar a colaboração: Torne a colaboração parte integrante do espaço. Isto pode ser feito através de elementos de design (quadros brancos, mesas móveis) e da gestão do espaço. Crie formas simples para os utilizadores darem o seu contributo sobre as regras, procedimentos e decisões. Incentive a aprendizagem entre pares e exiba o trabalho da sua comunidade em exposições regulares e nas redes sociais (com permissão).
• Conexão remota: Quando o acesso físico não é possível, as bibliotecas podem usar plataformas online e o empréstimo de kits de criação para manter a comunidade envolvida e conectada.
Parcerias e eventos
Somos grandes fãs de nos apoiarmos nos ombros de gigantes. Colabore com indivíduos e organizações da sua comunidade. Pode começar por organizar eventos como Raspberry Jams (encontros para entusiastas do Raspberry Pi), CoderDojos ou Repair Cafes. Estas parcerias podem trazer novas energias e conhecimentos para a sua biblioteca.
Conclusão: Iterar e divertir-se
Após o lançamento do seu protótipo de makerspace, o trabalho continua. O serviço deve evoluir constantemente com base no feedback e nas contribuições dos seus utilizadores.
Este feedback virá não apenas de pedidos formais, mas também, e talvez mais importante, de conversas informais com os participantes. Tome nota de todas as conversas e experiências para compreender o que funciona e o que pode ser melhorado.
Construir um serviço de forma colaborativa e aberta com os seus utilizadores levará a um makerspace melhor e mais relevante na sua biblioteca.
Divirta-se.


Muito obrigada pela partilha! Estou a desenvolver uma tese de mestrado nesta área e a informação é muito útil!
Obrigada
Ainda bem! Obrigado pelo comentário. Bom trabalho!