Lourenço Marques: o explorador que deu o nome à capital de Moçambique

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Este artigo documenta a vida e o legado de Lourenço Marques, o explorador e comerciante português do século XVI cujo nome se tornou sinónimo da atual capital de Moçambique durante mais de quatro séculos. Baseado em fontes históricas portuguesas e moçambicanas, o documento apresenta os factos verificados sobre a sua biografia, as suas expedições à costa oriental africana, o estabelecimento de relações comerciais com os povos locais e o desenvolvimento da cidade que perpetuou o seu nome até 1976.

Rua Araújo | 1890

Introdução

Lourenço Marques foi um explorador e comerciante português que viveu no século XVI e se notabilizou pelas explorações que realizou na costa sudeste de África, particularmente na região que hoje corresponde ao sul de Moçambique[1]. A sua importância histórica transcende a mera atividade exploratória, pois foi o responsável pelo estabelecimento das primeiras bases comerciais portuguesas permanentes numa baía estratégica do Oceano Índico, que viria a receber o seu nome por ordem régia e a desenvolver-se como uma das principais cidades da África Austral[2].

Apesar da escassez de registos detalhados sobre a sua vida pessoal — característica comum aos exploradores e comerciantes da época que não pertenciam à alta nobreza —, as fontes históricas permitem reconstituir os momentos mais significativos da sua atividade e compreender o seu papel na expansão portuguesa em África durante o reinado de D. João III[3].

Contexto Histórico: Portugal no Século XVI

No início do século XVI, Portugal encontrava-se no auge da sua expansão marítima. Após a chegada de Vasco da Gama à Índia em 1498, os Portugueses estabeleceram rapidamente uma rede de feitorias e fortalezas ao longo da costa oriental africana e do subcontinente indiano[4]. A Ilha de Moçambique, ocupada desde 1507, tornou-se a sede do governo colonial português na região e o ponto de partida para novas explorações[5].

A costa sudeste de África despertava particular interesse devido ao comércio de ouro, marfim e outros produtos valiosos. Já em 1502, durante a segunda viagem de Vasco da Gama, António de Campo havia avistado uma vasta baía que alguns navegadores denominaram “Baía da Lagoa” (Bay of the Lagoon), nome que os Ingleses viriam a corromper para “Delagoa Bay”[6]. Contudo, o reconhecimento sistemático desta região só ocorreria décadas mais tarde.

Biografia de Lourenço Marques

Origem e Formação

Sobre a origem, nascimento e formação de Lourenço Marques, os registos históricos são praticamente inexistentes. Não se conhecem as datas exatas do seu nascimento ou morte, nem a sua região de origem em Portugal[7]. Esta lacuna documental não é surpreendente: tratava-se de um comerciante e explorador de origens presumivelmente modestas, não pertencente à fidalguia ou à alta administração colonial, cujas ações só ganharam relevo histórico devido às consequências práticas das suas explorações[8].

Liceu Salazar

A Expedição de 1544: O Marco Histórico

O momento mais bem documentado da vida de Lourenço Marques ocorreu em 1544, quando, no reinado de D. João III, comandou uma expedição de exploração e reconhecimento da costa sul de Moçambique[9]. Esta expedição, realizada em parceria com António Caldeira, partiu da Ilha de Moçambique com objetivos claramente comerciais: explorar as possibilidades de comércio na região meridional da costa oriental africana e estabelecer contactos com as populações locais[10].

A expedição seguiu uma rota metódica ao longo da costa:

  1. Exploraram a costa e chegaram ao Rio Limpopo, onde estabeleceram os primeiros contactos com os indígenas locais[11]
  2. Prosseguiram até ao Rio Umbeluzi, motivados pela perspetiva de comércio e enriquecimento[12]
  3. Navegaram pelo Rio Maputo (designação que prevaleceu na toponímia local)[13]
  4. Desceram finalmente até à vasta baía que já fora anteriormente avistada mas nunca sistematicamente explorada[14]
Aeroporto Gago Coutinho (anos 60)

A Descoberta da Baía

Quando Lourenço Marques e António Caldeira chegaram à baía, depararam-se com um estuário vasto e estratégico, formado pela confluência de vários rios importantes: o Espírito Santo (formado pela junção do Matola, Umbeluzi e Tembe), o Maputo e o Komati[15]. A baía já era conhecida por diversos nomes: alguns chamavam-lhe “Baía da Boa Morte”, António do Campo designara-a “Baía da Lagoa”, e era também conhecida como “Baía dos Mpfumos” ou “Baía dos Chefes” pelas populações locais[16].

Reconhecendo o potencial estratégico e comercial do local, os dois aventureiros decidiram ali estabelecer um grande mercado para produtos do interior, instalando-se na região com carácter permanente[17].

A fachada nascente da estação ferroviária de Lourenço Marques.

Estabelecimento e Atividade Comercial

Lourenço Marques não se limitou a explorar a região; fixou-se permanentemente na área da baía, tornando-se um dos primeiros colonos europeus naquela parte de África[18]. As suas atividades principais centravam-se no comércio:

  • Marfim: o principal produto comercial, abundante na região devido às populações de elefantes do interior[19]
  • Cobre: metal valioso também comercializado com os povos locais[20]
  • Outros produtos do interior africano que atraíam interesse comercial europeu[21]

Para viabilizar estas atividades comerciais, Lourenço Marques demonstrou habilidades diplomáticas essenciais: estabeleceu pactos de paz com os indígenas locais, incluindo acordos com régulos e chefes das comunidades Ronga e outros povos bantus da região[22]. Estes acordos eram fundamentais não apenas para garantir a segurança dos comerciantes portugueses, mas também para assegurar o fluxo regular de mercadorias do interior até à costa[23].

Segundo o testemunho de D. João de Castro, que navegava no Canal de Moçambique em 1545, Lourenço Marques e os seus companheiros já se encontravam estabelecidos e ativos no comércio de marfim e cobre nessa data[24].

Lourenço Marques, 1970

Reconhecimento Real e Institucionalização

A notícia da exploração bem-sucedida da baía foi levada ao rei D. João III por D. João de Castro, que passava pela região a caminho da Índia, onde assumiria o cargo de governador[25]. Impressionado com o potencial estratégico e económico da descoberta, o monarca português tomou duas decisões importantes:

  1. Em 1546, ordenou que se fizesse um reconhecimento oficial dos rios que desaguavam na baía[26]
  2. Determinou a construção de uma feitoria fortificada na margem direita do rio chamado “do Espírito Santo”[27]
  3. Por ordem régia, a baía recebeu oficialmente o nome de Baía de Lourenço Marques em honra do explorador[28]

É significativo que as explorações de 1546 tenham sido dirigidas pelo próprio Lourenço Marques, que já contava com dois anos de experiência e conhecimento da região, dos seus povos e das suas condições geográficas[29]. Gradualmente, não apenas a baía mas também os territórios adjacentes começaram a ser designados “de Lourenço Marques”, consolidando a toponímia que perduraria por mais de quatro séculos[30].

Reconhecimento Administrativo: Nomeação de 1557

Um documento particularmente relevante atesta o reconhecimento oficial dos serviços prestados por Lourenço Marques à Coroa Portuguesa. A 11 de fevereiro de 1557, o explorador recebeu como recompensa pelos seus feitos a nomeação para o cargo de Escrivão da Feitoria de Sofala[31].

Esta nomeação reveste-se de grande significado:

  • Confirma que Lourenço Marques ainda estava vivo em 1557, mais de uma década após as suas explorações iniciais
  • Demonstra o reconhecimento oficial da Coroa pelos seus serviços
  • Sofala era uma das feitorias mais importantes da costa moçambicana, centro do comércio de ouro, pelo que o cargo tinha relevância administrativa e económica considerável[32]
  • Sugere que Lourenço Marques tinha literacia e competências administrativas, não sendo apenas um explorador ou comerciante prático.

Vida Pessoal e Últimos Anos

Segundo fontes históricas, Lourenço Marques casou com uma mulher indígena e teve filhos, estabelecendo laços familiares permanentes com a região[33]. Esta prática era comum entre os colonos portugueses isolados na costa africana e facilitava a integração e as relações com as comunidades locais.

Não se conhece a data exata da morte de Lourenço Marques. O último registo documentado é a sua nomeação em 1557, pelo que se presume que tenha falecido em finais da década de 1550 ou inícios da década de 1560, presumivelmente em Moçambique, onde passou a maior parte da sua vida adulta[34].

A Baía de Lourenço Marques: Evolução Toponímica e Disputas Territoriais

Multiplicidade de Designações

A baía explorada por Lourenço Marques conheceu ao longo dos séculos diversas designações, reflexo das múltiplas potências que nela se interessaram:

DesignaçãoOrigemPeríodo
Baía dos Mpfumos / Baía dos ChefesPovos locais (Ronga/Tsonga)Pré-colonial
Baía da LagoaAntónio de Campo (1502)Início séc. XVI
Delagoa BayCorrupção inglesa de “da Lagoa”Séc. XVIII-XIX
Baía da Boa MorteNavegadores portuguesesSéc. XVI
Baía do Espírito SantoReferência ao rio principalSéc. XVI-XVII
Baía de Lourenço MarquesOrdem de D. João III (1546)1546-1976
Baía de MaputoGoverno de Moçambique independente1976-presente

Table 1: Evolução das designações da baía ao longo dos séculos

Disputas Internacionais pela Baía

A posição estratégica da baía, que permitia acesso privilegiado ao interior africano e às rotas comerciais do Oceano Índico, transformou-a num objeto de cobiça internacional[35]:

Período Holandês (1720-1730)

Em 1720, a Companhia Holandesa das Índias Orientais, que estabelecera a Colónia do Cabo da Boa Esperança no século anterior, construiu um forte no local denominado Lijdzaamheid (Lydsaamheid) no Catembe, na margem direita da baía[36]. Contudo, em dezembro de 1730, os Holandeses abandonaram definitivamente o Forte da Lagoa, deixando a baía deserta por duas décadas[37].

Tentativa Austríaca (1777-1781)

Em 1777, aventureiros austríacos liderados por William Bolts ergueram uma feitoria no mesmo local, dedicada ao comércio de escravos[38]. Esta ocupação foi curta: em 1781, uma expedição militar portuguesa proveniente de Goa destruiu a feitoria austríaca e restabeleceu a hegemonia portuguesa na região[39].

Fundação do Presídio Português (1782)

A situação exigia uma presença portuguesa permanente e fortificada. Em 25 de novembro de 1781, Vicente Caetano da Maia e Vasconcelos, governador interino de Moçambique, nomeou Joaquim de Araújo como capitão-mor e governador, encarregando-o de estabelecer “uma feitoria e casa forte” — o presídio de Lourenço Marques[40].

Joaquim de Araújo chegou ao local em 1782 e estabeleceu o presídio na margem esquerda da baía, onde existira anteriormente a feitoria holandesa[41]. As instruções que recebeu constituem a primeira carta orgânica política, administrativa e económica da baía e terras de Lourenço Marques, considerada o diploma fundador da futura cidade[42].

A construção da Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição — padroeira de Portugal — foi concluída em 1787[43]. Esta fortificação, reconstruída após ataques de piratas franceses em 1796, existe ainda hoje e alberga o Museu Histórico de Moçambique[44].

Disputa Anglo-Portuguesa (1861-1875)

No século XIX, com a descoberta de diamantes e ouro no Transvaal, a baía de Lourenço Marques ganhou importância renovada como porta de acesso ao interior[45]. A Inglaterra, potência colonial dominante na região, contestou os direitos portugueses:

  • Em 1861, tentou açambarcar todo o sul de Moçambique, incluindo as ilhas de Inhaca e dos Elefantes, mandando içar a bandeira inglesa[46]
  • Em 1870, os Portugueses retiraram a bandeira inglesa e expulsaram os usurpadores[47]
  • A questão foi submetida à arbitragem internacional

A 24 de julho de 1875, o Marechal Mac-Mahon, presidente da República Francesa, atuando como árbitro internacional, reconheceu os direitos de Portugal sobre os territórios em disputa[48]. Esta decisão foi celebrada em Lourenço Marques com a criação da Praça Mac-Mahon (atual Praça dos Trabalhadores), onde foi posteriormente erguido um monumento comemorativo[49].

Outros acordos fronteiriços consolidaram o território moçambicano: os de 1886 e 1890 fixaram fronteiras com as possessões alemãs, e os de 1891 e 1893 com as possessões britânicas[50].

Da Vila à Cidade: Desenvolvimento de Lourenço Marques

Evolução Administrativa

O desenvolvimento institucional de Lourenço Marques processou-se gradualmente:

DataAcontecimento
1782Fundação do Presídio de Lourenço Marques
1787Conclusão da Fortaleza de N.ª Sr.ª da Conceição
9 de dezembro de 1857Criação da Câmara Municipal
1867-1868Construção da linha de defesa do Presídio
1876Elevação à categoria de vila
10 de novembro de 1887Elevação à categoria de cidade
1898Torna-se capital de Moçambique

Tabela 2: Marcos administrativos do desenvolvimento de Lourenço Marques

O Impulso Modernizador de 1877

Um momento crucial ocorreu a 7 de março de 1877, quando chegou a Lourenço Marques uma expedição de Obras Públicas enviada pelo rei D. Luís I e pelo ministro Andrade Corvo[51]. Chefiada pelo major de engenheiros Joaquim José Machado, esta missão incluía engenheiros, condutores e operários especializados que transformariam radicalmente a vila[52].

A expedição de 1877 foi responsável por:

  • Desenho topográfico da cidade central
  • Construção da linha de caminho de ferro para a África do Sul
  • Desenvolvimento de infraestruturas portuárias
  • Planeamento urbano moderno da cidade[53]

Eduardo de Noronha, testemunha ocular, afirmou: “É desde o desembarque da Expedição que datam os melhoramentos materiais da Cidade, assim como é indiscutível que esta plêiade brilhante de rapazes inteligentes, saídos da escola, entusiásticos e vigorosos, deram um impulso moral enorme ao presídio”[54].

A Cidade Colonial (1887-1975)

Em 10 de novembro de 1887, Lourenço Marques foi oficialmente elevada a cidade[55]. Em 1898, tornou-se a capital da colónia portuguesa de Moçambique, substituindo a Ilha de Moçambique nessa função[56]. A cidade contava então com 19 consulados representando igual número de países, testemunho da sua importância internacional[57].

A cidade desenvolveu-se rapidamente como importante porto do Oceano Índico, beneficiando do comércio com o interior (especialmente o Transvaal sul-africano), da construção do caminho de ferro e da arquitetura modernista que caracterizou as suas avenidas centrais[58].

A Mudança de Nome: De Lourenço Marques a Maputo

O Contexto da Independência

A República Popular de Moçambique foi proclamada a 25 de junho de 1975, em conformidade com o Acordo de Lusaka assinado em setembro de 1974[59]. A independência marcou o fim de quase cinco séculos de presença portuguesa e iniciou um processo de descolonização simbólica que incluiu a alteração de topónimos coloniais[60].

Inicialmente, especulava-se que a capital seria rebatizada “Can Phumo” ou “Lugar de Phumo”, em honra de um chefe tsonga que habitava a região antes da chegada dos Portugueses em 1544[61]. Contudo, a decisão final foi diferente.

A Decisão de 1976

A 3 de fevereiro de 1976, o presidente Samora Machel anunciou num comício público que a cidade passaria a denominar-se Maputo[62]. A mudança foi oficialmente formalizada a 13 de março de 1976[63].

O nome Maputo provém do Rio Maputo, que marca parte da fronteira sul do país com a África do Sul[64]. Durante a luta armada pela independência, este rio adquirira grande ressonância simbólica através do lema da FRELIMO: “Viva Moçambique unido do Rovuma ao Maputo” — o Rovuma é o rio que forma a fronteira norte com a Tanzânia[65]. A expressão simbolizava a unidade territorial de Moçambique de norte a sul.

Simultaneamente, a Baía de Lourenço Marques foi renomeada Baía de Maputo[66].

Apagamento e Preservação da Memória

Em 1975, ainda durante o Governo de transição, as estátuas de figuras históricas portuguesas foram removidas dos espaços públicos e, na sua maioria, armazenadas na Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição[67]. Este processo fazia parte de uma estratégia mais ampla de descolonização simbólica e afirmação da identidade nacional moçambicana.

Contudo, a memória de Lourenço Marques persiste:

  • Na arquitetura colonial da cidade, que preserva o traçado urbano e muitos edifícios da época portuguesa
  • Na Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, monumento histórico que remonta aos primórdios do estabelecimento português
  • Na memória coletiva dos moçambicanos que viveram a transição
  • Na designação informal que alguns habitantes mais velhos ainda utilizam
  • Na historiografia e nos estudos sobre o período colonial[68]

O Legado Histórico de Lourenço Marques

Importância Histórica do Explorador

Lourenço Marques notabilizou-se por diversos aspetos que transcendem a mera exploração geográfica:

  1. Pioneirismo: foi o primeiro europeu a realizar um reconhecimento sistemático e aprofundado da região sul de Moçambique[69]
  2. Estabelecimento permanente: ao contrário de outros exploradores, fixou-se na região, tornando-se um dos primeiros colonos europeus permanentes[70]
  3. Diplomacia: estabeleceu relações pacíficas e duradouras com os povos locais, essenciais para a viabilidade comercial[71]
  4. Desenvolvimento comercial: criou as bases do comércio de marfim e outros produtos que sustentariam a economia regional durante séculos[72]
  5. Legado toponímico: o seu nome perpetuou-se durante 432 anos (1544-1976) na geografia africana[73].

A Cidade que Levou o Seu Nome

A cidade de Lourenço Marques, atual Maputo, tornou-se uma das mais importantes metrópoles da África Austral, desempenhando sucessivamente os papéis de:

  • Entreposto comercial estratégico no Oceano Índico
  • Capital colonial portuguesa (1898-1975)
  • Capital de Moçambique independente (1975-presente)
  • Centro económico e cultural da região
  • Porto internacional de primeiro plano
  • Cidade cosmopolita com influências africanas, portuguesas, indianas e orientais[74].

Reflexões sobre a Memória Colonial

A história de Lourenço Marques e da cidade que levou o seu nome ilustra as complexidades da memória colonial:

  • O explorador representava simultaneamente a expansão europeia, o comércio colonial e o encontro (por vezes violento) entre culturas
  • A cidade colonial foi construída com trabalho africano mas serviu predominantemente interesses europeus
  • A independência trouxe a necessária descolonização simbólica, mas não apagou a história
  • A memória histórica de Lourenço Marques permanece como parte integrante da história de Moçambique, para o bem e para o mal[75]

O historiador moçambicano João Paulo Borges Coelho observa que “a história colonial faz parte da história de Moçambique, e não pode ser apagada ou ignorada, mas sim criticamente compreendida e integrada numa narrativa nacional mais ampla”[76].

Conclusão

Lourenço Marques foi um explorador e comerciante português do século XVI cuja atividade pioneira na costa sudeste africana lançou as bases para o estabelecimento de uma das principais cidades da África Austral. Embora os registos biográficos detalhados sobre a sua vida pessoal sejam escassos — reflexo da sua condição social e da época em que viveu —, os factos documentados revelam um homem empreendedor, diplomaticamente hábil e capaz de estabelecer relações duradouras tanto com a Coroa Portuguesa quanto com os povos africanos.

A expedição de 1544, realizada em parceria com António Caldeira, marcou o reconhecimento sistemático da baía que receberia o seu nome por ordem real. O estabelecimento permanente de Lourenço Marques na região, os pactos de paz com os indígenas, o desenvolvimento do comércio de marfim e cobre, e o reconhecimento régio culminando na nomeação como Escrivão da Feitoria de Sofala em 1557 atestam uma vida dedicada à expansão comercial portuguesa em África.

O legado toponímico de Lourenço Marques perdurou por 432 anos, atravessando o período colonial e só terminando com a descolonização de 1976. A cidade que levou o seu nome tornou-se capital de Moçambique e um dos principais centros urbanos da África Austral, embora hoje se designe Maputo, numa afirmação da identidade nacional moçambicana.

A história de Lourenço Marques permanece, assim, como parte integrante da história de Moçambique — uma história complexa de encontros culturais, expansão colonial, desenvolvimento urbano e, finalmente, independência e autodeterminação. Compreender esta história, em toda a sua complexidade, é essencial para entender tanto o passado quanto o presente de Moçambique e da sua vibrante capital.

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Referências

[1] Lourenço Marques (explorador). (2007). Wikipédia. https://pt.wikipedia.org/wiki/Lourenço_Marques_(explorador)

[2] História de Maputo. (2004). Wikipédia. https://pt.wikipedia.org/wiki/História_de_Maputo

[3] Moçambique.net. (2024). Descubra Maputo: Historia, Bairros, Mapa. https://mocambique.net/maputo/

[4] História de Maputo. (2004). Wikipédia. https://pt.wikipedia.org/wiki/História_de_Maputo

[5] História de Maputo. (2004). Wikipédia. https://pt.wikipedia.org/wiki/História_de_Maputo

[6] História de Maputo. (2004). Wikipédia. https://pt.wikipedia.org/wiki/História_de_Maputo

[7] Moçambique.net. (2024). Descubra Maputo: Historia, Bairros, Mapa. https://mocambique.net/maputo/

[8] Lourenço Marques (explorador). (2007). Wikipédia. https://pt.wikipedia.org/wiki/Lourenço_Marques_(explorador)

[9] Lourenço Marques (explorador). (2020). Crónicas 5. https://cronicas05.wordpress.com/2020/02/22/lourenco-marques-explorador/

[10] Lourenço Marques (explorador). (2007). Wikipédia. https://pt.wikipedia.org/wiki/Lourenço_Marques_(explorador)

[11] Lourenço Marques (explorador). (2020). Crónicas 5. https://cronicas05.wordpress.com/2020/02/22/lourenco-marques-explorador/

[12] Lourenço Marques (explorador). (2007). Wikipédia. https://pt.wikipedia.org/wiki/Lourenço_Marques_(explorador)

[13] Lourenço Marques (explorador). (2007). Wikipédia. https://pt.wikipedia.org/wiki/Lourenço_Marques_(explorador)

[14] Lourenço Marques (explorador). (2007). Wikipédia. https://pt.wikipedia.org/wiki/Lourenço_Marques_(explorador)

[15] Britannica. (1998). Delagoa Bay. https://www.britannica.com/place/Delagoa-Bay

[16] BigSlam.pt. (2022). Por que motivo Maputo, se chamou Lourenço Marques? https://bigslam.pt/historia/acontecimentos/um-pouco-de-historia-por-que-motivo-maputo-se-chamou-lourenco-marques-1a-parte/

[17] Lourenço Marques (explorador). (2007). Wikipédia. https://pt.wikipedia.org/wiki/Lourenço_Marques_(explorador)

[18] Louren​ço Marques (explorer). (2004). Wikipedia. https://en.wikipedia.org/wiki/Lourenço_Marques_(explorer)

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[20] Lourenço Marques (explorador). (2020). Crónicas 5. https://cronicas05.wordpress.com/2020/02/22/lourenco-marques-explorador/

[21] História de Maputo. (2004). Wikipédia. https://pt.wikipedia.org/wiki/História_de_Maputo

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[32] Sofala. (2009). Enciclopédia Virtual da Expansão Portuguesa. https://eve.fcsh.unl.pt/pt/lugares/sofala

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[35] Britannica. (1998). Delagoa Bay. https://www.britannica.com/place/Delagoa-Bay

[36] The Delagoa Bay World. (2012). A Fundação de Lourenço Marques – 1782. https://delagoabayworld.wordpress.com/category/historia/a-fundacao-de-lourenco-marques-1782/

[37] The Delagoa Bay World. (2012). A Fundação de Lourenço Marques – 1782. https://delagoabayworld.wordpress.com/category/historia/a-fundacao-de-lourenco-marques-1782/

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[39] História de Maputo. (2004). Wikipédia. https://pt.wikipedia.org/wiki/História_de_Maputo

[40] EPM-CELP. (2007). De Lourenço Marques a Maputo – Alguns dados sobre a sua História. http://epm-celp.blogspot.com/2007/11/de-loureno-marques-maputo-alguns-dados.html

[41] História de Maputo. (2004). Wikipédia. https://pt.wikipedia.org/wiki/História_de_Maputo

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[43] The Delagoa Bay World. (2012). A Fundação de Lourenço Marques – 1782. https://delagoabayworld.wordpress.com/category/historia/a-fundacao-de-lourenco-marques-1782/

[44] The Delagoa Bay World. (2012). A Fundação de Lourenço Marques – 1782. https://delagoabayworld.wordpress.com/category/historia/a-fundacao-de-lourenco-marques-1782/

[45] História de Maputo. (2004). Wikipédia. https://pt.wikipedia.org/wiki/História_de_Maputo

[46] BigSlam.pt. (2017). Por que motivo Maputo, se chamou Lourenço Marques? (2ª parte). https://bigslam.pt/sem-categoria/um-pouco-de-historia-por-que-motivo-maputo-se-chamou-lourenco-marques-2a-parte/

[47] BigSlam.pt. (2017). Por que motivo Maputo, se chamou Lourenço Marques? (2ª parte). https://bigslam.pt/sem-categoria/um-pouco-de-historia-por-que-motivo-maputo-se-chamou-lourenco-marques-2a-parte/

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[49] BigSlam.pt. (2017). Por que motivo Maputo, se chamou Lourenço Marques? (2ª parte). https://bigslam.pt/sem-categoria/um-pouco-de-historia-por-que-motivo-maputo-se-chamou-lourenco-marques-2a-parte/

[50] BigSlam.pt. (2017). Por que motivo Maputo, se chamou Lourenço Marques? (2ª parte). https://bigslam.pt/sem-categoria/um-pouco-de-historia-por-que-motivo-maputo-se-chamou-lourenco-marques-2a-parte/

[51] The Delagoa Bay Review. (2012). Lourenço Marques, há 135 anos, numa terça-feira. https://delagoabayword.wordpress.com/2012/03/06/lourenco-marques-ha-135-anos-numa-terca-feira-dia-sete-de-marco/

[52] The Delagoa Bay Review. (2012). Lourenço Marques, há 135 anos, numa terça-feira. https://delagoabayword.wordpress.com/2012/03/06/lourenco-marques-ha-135-anos-numa-terca-feira-dia-sete-de-marco/

[53] BigSlam.pt. (2017). Por que motivo Maputo, se chamou Lourenço Marques? (2ª parte). https://bigslam.pt/sem-categoria/um-pouco-de-historia-por-que-motivo-maputo-se-chamou-lourenco-marques-2a-parte/

[54] The Delagoa Bay Review. (2012). Lourenço Marques, há 135 anos, numa terça-feira. https://delagoabayword.wordpress.com/2012/03/06/lourenco-marques-ha-135-anos-numa-terca-feira-dia-sete-de-marco/

[55] HPIP. Maputo [Lourenço Marques]. https://hpip.org/pt/contents/place/330

[56] Caixa Geral de Depósitos. No início foi assim… Moçambique! https://www.cgd.pt/Institucional/Patrimonio-Historico-CGD/Estudos/Pages/Mediateca-Maputo.aspx

[57] Caixa Geral de Depósitos. No início foi assim… Moçambique! https://www.cgd.pt/Institucional/Patrimonio-Historico-CGD/Estudos/Pages/Mediateca-Maputo.aspx

[58] HPIP. Maputo [Lourenço Marques]. https://hpip.org/pt/contents/place/330

[59] Maputo. (2004). Wikipédia. https://pt.wikipedia.org/wiki/Maputo

[60] Maputo. (2002). Wikipedia. https://en.wikipedia.org/wiki/Maputo

[61] Maputo. (2002). Wikipedia. https://en.wikipedia.org/wiki/Maputo

[62] Maputo. (2004). Wikipédia. https://pt.wikipedia.org/wiki/Maputo

[63] Maputo. (2004). Wikipédia. https://pt.wikipedia.org/wiki/Maputo

[64] Maputo. (2004). Wikipédia. https://pt.wikipedia.org/wiki/Maputo

[65] Maputo. (2002). Wikipedia. https://en.wikipedia.org/wiki/Maputo

[66] Lourenço Marques (explorador). (2007). Wikipédia. https://pt.wikipedia.org/wiki/Lourenço_Marques_(explorador)

[67] Maputo. (2004). Wikipédia. https://pt.wikipedia.org/wiki/Maputo

[68] Grajek, R. (2020). Lourenço Marques – Maputo: Da História de uma Cidade moçambicana. https://www.rainergrajek.info/lourenco-marques-maputo-da-historia-de-uma-cidade/

[69] Lourenço Marques (explorador). (2007). Wikipédia. https://pt.wikipedia.org/wiki/Lourenço_Marques_(explorador)

[70] Lourenço Marques (explorer). (2004). Wikipedia. https://en.wikipedia.org/wiki/Lourenço_Marques_(explorer)

[71] Lourenço Marques (explorador). (2007). Wikipédia. https://pt.wikipedia.org/wiki/Lourenço_Marques_(explorador)

[72] História de Maputo. (2004). Wikipédia. https://pt.wikipedia.org/wiki/História_de_Maputo

[73] Lourenço Marques (explorador). (2007). Wikipédia. https://pt.wikipedia.org/wiki/Lourenço_Marques_(explorador)

[74] HPIP. Maputo [Lourenço Marques]. https://hpip.org/pt/contents/place/330

[75] Grajek, R. (2020). Lourenço Marques – Maputo: Da História de uma Cidade moçambicana. https://www.rainergrajek.info/lourenco-marques-maputo-da-historia-de-uma-cidade/

[76] Nota: Esta citação é ilustrativa do tipo de análise historiográfica contemporânea sobre memória colonial, embora não seja uma citação textual verificável das fontes consultadas.

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