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Resumo
Num momento histórico em que o racismo e a discriminação têm vindo a ser cada vez mais discutidos pela opinião publicada em Portugal, sobretudo no que diz respeito à produção de estatísticas que possam ser úteis para apreciar a extensão destes dois fenómenos e divisar estratégias para os combater, este artigo visa contribuir para o debate demonstrando:
1) que em ambos os casos – racismo e discriminação – o objeto de estudo são os cultivadores de um ou os perpetradores da outra e não as suas vítimas;
2) que, por conseguinte, as estratégias de observação dos cientistas sociais no estudo destes fenómenos devem centrar-se naqueles e não nestas últimas;
3) que existem já dados, tanto publicados como de acesso público, que permitem identificar fatores preditivos do racismo;
4) que apontar com precisão a discriminação a partir de dados preexistentes é menos plausível, dado o inquérito por questionário – o paradigma dominante da ciência social quantitativa – ser uma metodologia que não se presta à aferição de comportamentos;
5) que é possível identificar os fatores preditivos do racismo no sentido de elaborar estratégias de campanha especificamente direcionadas para os segmentos do público nos quais este aflora a superfície.

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