Sobre as causas do atraso científico em Portugal – Uma digressão histórica | livro

Luís Miguel Bernardo | Braga, 2021

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Prefácio

Desde os primórdios da nacionalidade até à época dos Descobrimentos, Portugal acompanhou, modestamente, o movimento cultural europeu. No entanto, durante o período da expansão marítima dos séculos XV e XVI o conhecimento das ciências náuticas (navegação, geografia, oceanografia, cartografia, astronomia e instrumentação náutica) foi cultivado intensamente em Portugal, proporcionando o desenvolvimento de novos conhecimentos das ciências naturais e sociais e revelando as debilidades da ciência medieval. Nesta época, a ciência portuguesa era essencialmente prática e utilitária. A reserva e o sigilo que a envolveram impediram a sua disseminação e dificultaram o surgimento de homens que fizessem um trabalho de abstração, síntese e teorização, como foi o caso excecional do matemático e cosmógrafo–mor Pedro Nunes. O sigilo — encarado como dever de Estado — impediu, além disso, o reconhecimento público de homens empenhados na ciência nacional. …

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