Currículo, Ensino e Aprendizagem no Design: o que realmente importa

Março 2026

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Chegou às minhas mãos um documento de trabalho académico que, apesar de ter sido produzido no contexto de um doutoramento em Estudos de Currículo e Ciências da Aprendizagem nos EUA, tem muito para nos dizer — a nós, educadores portugueses que trabalhamos diariamente com alunos, formamos professores e pensamos sobre como melhorar o ensino. Chama-se Curriculum Instruction Handbook for Design Education, da autoria de Bara´ah Muqaddam, e é um daqueles textos que nos fazem parar e refletir sobre o que fazemos dentro da sala de aula.

Não vou fazer um resumo académico. Vou partilhar o que me pareceu mais importante — e mais útil para quem ensina.

Clicar na imagem para ver a apresentação…

Aprender não é receber informação

A ideia central do documento é simples, mas revolucionária na prática: aprender não é um processo passivo. Não aprendemos porque um professor nos transmite conteúdo. Aprendemos quando estamos ativamente envolvidos, quando experimentamos, erramos, refletimos e tentamos de novo.

A investigação em neurociência mostra que a emoção e a cognição estão profundamente ligadas. Quando um aluno está emocionalmente investido numa tarefa — seja um projeto, uma apresentação, uma escrita criativa —, a atenção sustenta-se mais, a memória retém melhor e o conhecimento dura mais tempo. Isto não é novidade para quem está em sala de aula, mas é bom ver confirmado pela ciência aquilo que já sentimos na pele.

O documento descreve um ciclo de aprendizagem que passa pelo envolvimento emocional → atenção → aprendizagem ativa → reflexão → memória de longo prazo. É uma espiral, não uma linha reta. E a reflexão é o elemento que transforma a experiência em conhecimento real.

O papel do professor: tornar o pensamento visível

No ensino do design — e, por extensão, em qualquer área criativa ou complexa —, o professor não é apenas quem transmite conteúdo. É quem torna o pensamento visível. Isso implica modelar processos em voz alta, mostrar como se raciocina perante um problema, guiar sem prescrever soluções.

O ciclo instrucional proposto no documento segue esta lógica:

  • Modelação pelo docente — mostrar como se pensa, não apenas o que se faz
  • Prática guiada — acompanhar os alunos enquanto experimentam
  • Aplicação autónoma — deixar que os alunos testem as suas ideias
  • Reflexão sobre o processo — promover a metacognição
  • Feedback e revisão — fechar o ciclo com melhoria

Este modelo é válido muito além do design. Funciona na língua portuguesa, nas ciências, na história, nas artes. O que muda é a forma como se aplica, não o princípio.

A metacognição como ferramenta de ensino

Uma das ideias que mais me marcou foi a importância da metacognição — ou seja, a capacidade de pensar sobre o próprio pensamento. O documento cita investigação que mostra que mesmo intervenções mínimas, como pedir aos alunos que expliquem por que tomaram determinada decisão, têm um impacto significativo na forma como aprendem.

Na prática, isto significa:

  • Pedir aos alunos que justifiquem as suas escolhas
  • Encorajar a comparação entre alternativas
  • Propor momentos de reflexão após atividades
  • Pedir que documentem o processo, não apenas o resultado

São estratégias simples. Mas que exigem tempo, intenção e cultura de sala de aula. Não se improvisam.

Currículo: não é uma lista de conteúdos

O documento insiste numa ideia que qualquer formador de professores conhece, mas que continua a não ser prática comum: o currículo é um sistema alinhado. Não é uma lista de temas a cumprir. É a relação coerente entre aquilo que queremos que os alunos aprendam (objetivos), o que fazemos em aula (atividades) e como avaliamos (instrumentos).

Quando estes três elementos estão desalinhados — objetivos ambiciosos, atividades rotineiras, testes de memorização —, os alunos ficam confusos, desmotivados e aprendem menos do que poderiam. A coerência curricular não é um luxo. É uma necessidade.

O documento também valoriza a progressão e a sequência: os conteúdos devem ser organizados de forma a que os alunos construam sobre o que já sabem, avançando do simples para o complexo, do concreto para o abstrato. Parece óbvio, mas na prática raramente acontece de forma intencional.

A IA no currículo: ferramenta, não substituto

Num dos capítulos mais atuais do documento, aborda-se a integração de ferramentas digitais e IA no currículo. A posição é equilibrada e sensata: a IA pode expandir as possibilidades criativas, ajudar a gerar ideias e explorar alternativas — mas não substitui o pensamento crítico nem a autoria do aluno.

Os alunos devem aprender a:

  • Usar a IA como apoio, não como atalho
  • Avaliar criticamente os resultados gerados por IA
  • Transformar ideias geradas automaticamente em soluções originais e pessoais

Esta é exatamente a conversa que precisamos de ter nas nossas escolas. A IA já está na sala de aula — com ou sem a nossa autorização. A questão não é se os alunos a usam, mas como os ajudamos a usá-la bem.

Avaliação que serve para aprender

A avaliação é, talvez, o capítulo mais desafiante. O documento defende uma mudança de paradigma: de uma avaliação que mede resultados para uma avaliação que apoia a aprendizagem. Isto implica:

  • Dar feedback contínuo, não apenas no final
  • Valorizar o processo tanto quanto o produto
  • Permitir a iteração e a melhoria ao longo do percurso
  • Incluir a reflexão do próprio aluno como parte da avaliação

Num sistema de ensino que ainda vive muito orientado para a nota final e para os exames, esta proposta soa a utopia. Mas há espaço para a aplicar — em projetos, em portefólios, em trabalhos de grupo, em momentos de autoavaliação estruturada. Depende de nós.

A instituição também precisa de aprender

Há uma dimensão do documento que raramente aparece nos manuais de pedagogia: a escola como organização aprendente. Não basta que os professores sejam bons individualmente. É preciso que a instituição crie condições para que o bom trabalho aconteça e se sustente.

Isso implica liderança com visão, comunidades de prática entre docentes, formação contínua integrada no quotidiano — não como evento isolado —, e sistemas de avaliação do próprio currículo que permitam ajustá-lo ao longo do tempo.

Uma escola que não reflete sobre si mesma tende a repetir os mesmos erros, ano após ano.

O que fica

Este documento foi escrito para o contexto do ensino do design. Mas as suas ideias centrais transcendem o contexto. A aprendizagem ativa, a reflexão sistemática, o alinhamento curricular, a avaliação formativa, a integração responsável da IA — são princípios que cabem em qualquer sala de aula, em qualquer disciplina.

O que mais me ficou foi esta frase implícita ao longo de todo o texto: ensinar bem não é uma questão de talento natural. É uma questão de intencionalidade. Fazer escolhas conscientes sobre o que ensinamos, como ensinamos e como sabemos se funcionou.

Vale a pena parar e perguntar: nas nossas aulas, essas escolhas são mesmo intencionais?


Referência: Muqaddam, B. (2026). Curriculum Instruction Handbook for Design Education. Edgewood University, EdD Program in Curriculum Studies and Learning Sciences.

IAVE

National Framework for Artificial Intelligence in Digital Learning (AIDL) in the Kingdom of Saudi Arabia

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O Centro Nacional de E-Learning anunciou o Quadro Nacional de Inteligência Artificial na Aprendizagem Digital (AIDL) no Reino. O quadro visa regulamentar o uso de tecnologias de inteligência artificial na educação digital, no país. É composto por nove dimensões-chave, com cada dimensão contendo várias secções principais. Cada secção fornece uma definição, identifica a diretriz-chave que explica os seus principais usos e aplicações. As nove dimensões incluem:

1. Liderança
2. Desenho de Currículo e Desenvolvimento de Conteúdo
3. Ensino e Aprendizagem
4. Avaliação e Monitorização de Desempenho
5. Ética e Uso Responsável da Inteligência Artificial
6. Normas Técnicas, Segurança e Privacidade de Dados
7. Apoio ao Estudante
8. Desenvolvimento Profissional
9. Avaliação e Melhoria Contínua

A estrutura representa um passo importante e estratégico, servindo como um indicador-chave do interesse do Reino em adotar tecnologias modernas no setor educacional, governar o seu uso e desenvolver aplicativos para maximizar o seu impacto e alcançar os resultados esperados da adoção de tecnologias de inteligência artificial no país.

La laïcité à l’École

Dezembro 2023

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Préface
Principe cardinal de notre République française, la laïcité a pour vocation historique de fonder l’unité de notre pays dans une loi commune et de garantir l’accès à une culture partagée.
Au moment où le fanatisme reprend sa course sous maintes latitudes, la laïcité apparaît comme un véritable choix de civilisation. L’École républicaine en est la voix et le terreau. C’est cette mission qui est violemment attaquée aujourd’hui. Ainsi portons-nous à jamais le deuil de nos professeurs, Samuel Paty et Dominique Bernard, assassinés pour ce qu’ils représentaient, des acteurs de notre héritage républicain et des passeurs de liberté.
Aujourd’hui, devant ce sursaut de l’inqualifiable, les professions de foi ne suffisent plus. L’application du principe de laïcité ne doit souffrir ni entorse ni ambiguïté. C’est pourquoi j’ai décidé, dès la rentrée 2023, d’interdire le port du qamis et de l’abaya à l’école, en clarifiant le cadre d’application de la loi de 2004.
La laïcité n’est pas une contrainte mais une liberté. En séparant la religion et la politique, la religion et le droit, elle permet l’égalité de tous, croyants et non croyants. Elle est la condition de la liberté de conscience dans notre République et son École.
Pour que l’enseignement soit vraiment libre, il doit être à l’abri de toute tutelle religieuse. C’est l’ambition de l’éducation à la française. L’origine d’une telle ambition émancipatrice est connue, mais parfois oubliée : permettre aux citoyens de se rassembler par-delà leurs différences, sans les nier ni les brimer. Notre enseignement donne le primat à la connaissance sur la multiplicité des appartenances et des observances, la prévalence au collectif sur les particularismes.
Je suis convaincu que l’école, par-delà les différences de tous ceux qu’elle accueille, doit être le lieu de la construction de références communes et de l’intérêt général sous la tutelle de la seule raison
et non d’une croyance quelle qu’elle soit.
Je remercie à cet égard mon prédécesseur Jean-Michel Blanquer d’avoir créé le Conseil des sages de la laïcité. Composé d’experts de haut niveau, ce Conseil vient, en appui de l’équipe nationale et des équipes académiques Valeurs de la République dans les académies, répondre à l’aspiration des professeurs et de l’ensemble des personnels de l’Education nationale de pouvoir disposer d’un socle, d’un cadre sûr, auxquels adosser leurs pratiques pédagogiques pour s’inscrire dans la mission historique de notre école républicaine. En s’appuyant sur des textes de référence, ce vadémécum vient répondre à des situations concrètes avec une approche pédagogique de la laïcité, offrant ainsi une ressource complète pour nos personnels enseignants et pour un large public.
Je vous en souhaite une excellente lecture,
Respectueusement et fidèlement,

Gabriel Attal
Ministre de l’Éducation et de la Jeunesse

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IA e direitos das crianças: um guia para a orientação transnacional

Autoras: Gazal Shekhawat e Sonia Livingstone

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Após a recente Cimeira de Segurança da IA ​​no Reino Unido , no início de novembro,  Gazal  Shekhawat  e  Sonia Livingstone, da LSE, chamam a atenção para os interesses das crianças na corrida armamentista global da IA.

Surpreendentemente,  a Cimeira de Segurança da IA ​​do Reino Unido incluiu pouca menção às crianças no seu programa, além de  uma menção retórica  delas como “o futuro”. Mas para concretizar a segurança das crianças – e de todo o nosso futuro, será crucial compreender como o sector da IA ​​e as políticas regulamentares impactam todos os aspectos da vida das crianças e jovens do mundo. Aqui refletimos sobre as orientações dos principais organismos transnacionais.

Cinco fontes principais de orientação sobre IA

  1. As ‘Orientações políticas sobre IA para crianças’ da UNICEF  (2021,  Versão 2.0 ) baseiam-se na consulta das partes interessadas em todo o mundo, numa  visão geral das estratégias nacionais  (2020) e num  resumo de investigação  com estudos de caso de riscos e oportunidades. Recomenda princípios de inclusão, justiça, privacidade, explicabilidade, aumentando a consciencialização dos governos sobre os direitos das crianças e sobre a IA entre crianças e cuidadores. No Reino Unido,  o Instituto Alan Turing testou esta orientação  com a Scottish AI Alliance e o Children’s Parliament para mostrar como as crianças podem contribuir eficazmente para as discussões sobre políticas de IA. Enquanto agência global para a protecção dos direitos das crianças, a orientação da UNICEF é multifacetada e tem peso em todos os continentes. A sua adoção é agora o próximo passo a aguardar.
  2. A orientação do Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia, Inteligência Artificial e os Direitos da Criança (2022) destaca requisitos prementes da IA, incluindo: ‘Minimização da IA, propósito valioso e sustentabilidade’, explicabilidade, transparência, não discriminação e integração da segurança das crianças em tecnologias de IA. Mostra como estes podem iluminar casos específicos em sistemas de recomendação, agentes conversacionais e sistemas robóticos. Embora faça parte da CE, o âmbito da orientação é notavelmente global.
  3. O relatório do Relator Especial sobre Privacidade do Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre a privacidade das crianças (2021) responde à forma como o uso expansivo da IA ​​pode infringir a privacidade das crianças, apelando ao respeito pelas convenções e quadros políticos estabelecidos da ONU, incluindo a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos do Criança. As recomendações lançam uma nova luz sobre a forma como os quadros jurídicos e baseados em direitos interagem com a IA.
  4. O Kit de Ferramentas de Inteligência Artificial para Crianças do Fórum Económico Mundial  (2022) defende os seus “PRIMEIROS” princípios: Justo, Inclusivo, Responsável, Seguro, Transparente – e apela a um sistema de rotulagem de IA, semelhante a códigos de barras ou códigos QR em produtos e serviços, aconselhando sobre possíveis danos, dados coletados e usuários adequados à idade. Esta orientação é especialmente relevante para o setor privado e pode apoiar empresas e executivos de alto escalão na condução do desenvolvimento de produtos para crianças.
  5. A Estrutura de Serviços Digitais Adequados à Idade da IEEE Standards Association (2021) baseia-se nos princípios 5Rights para garantir um padrão para produtos e serviços digitais, incluindo IA, adequados à idade. Ele fornece um ‘sistema de classificação de impacto’ com critérios de acesso aberto para apoiar designers de produtos, o governo e provedores educacionais, complementado pelos 4i’s (‘Intenções, Insumos, Instruções e Impacto’) da Orientação 5Rights para Formuladores de Políticas sobre IA,  conforme mostrado abaixo: Como é o bom?

Será evidente que o foco da orientação está fortemente nos processos de implantação de IA para evitar ou mitigar o risco de danos, deixando em grande parte não declarada a questão dos resultados desejáveis ​​para a sociedade, incluindo as crianças. Para além da – muito importante – governação de processos potencialmente problemáticos, para os quais os cinco recursos acima mencionados oferecem orientações valiosas e altamente práticas, baseadas em evidências, nas opiniões das partes interessadas e nas vozes das crianças, devemos também perguntar: como é que é bom para a IA e os direitos das crianças? Isso envolve considerar questões como:

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O que é a Inteligência Artificial? | Lição para alunos dos 6 aos 12 anos

O que é inteligência artificial (IA)? Como funciona e é diferente da IA ​​generativa? Iremos decompô-la enquanto se mostram as vantagens e desvantagens, desta tecnologia, ao longo do tempo.

Consultar na fonte |

O que vai precisar:

Slides da aula | Vídeo: O que é a IA? | IA Explicada: FolhetoVersão do professor

 LIÇÃO 1

O que é IA?

O que é inteligência artificial e quais são as suas potenciais vantagens e desvantagens?

6–12 Anos | 15 minutos.

A tecnologia de inteligência artificial está a evoluir rapidamente. Use esta breve lição para ajudar os alunos a familiarizarem-se com o funcionamento da IA ​​e a considerar alguns de seus possíveis benefícios e desvantagens.

Para mais lições relacionadas com a IA, consulte a coleção de lições AI Literacy .

OBJETIVOS :

  • Defina o que é inteligência artificial.
  • Entenda o que torna a IA generativa única.
  • Reflita sobre os benefícios e desvantagens da IA ​​generativa.

VOCABULÁRIO: inteligência artificial (IA) – um programa de computador ou aplicação que pode executar tarefas que normalmente requerem inteligência humana

inteligência artificial (IA) · IA generativa:  um tipo de IA que pode criar conteúdo, incluindo texto, imagens e áudio

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Plano de aula

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