Devemos ensinar os professores a usar as redes sociais?

Autores: Paula Marcelo-Martínez | Carmen Yot Dominguez | Cristina Yanes Cabrera

Ler na fonte |

Num mundo cada vez mais digitalizado, onde redes sociais como Instagram, YouTube e TikTok dominam a interação diária de jovens e estudantes, surge uma pergunta: é necessário formar futuros professores no uso profissional dessas plataformas?

Num estudo recente, pudemos observar uma clara desconexão entre o uso social e o uso profissional das plataformas digitais entre os estudantes de Educação. Depois de pesquisar 231 estudantes de programas de Educação em Espanha, pudemos verificar que as redes sociais são ferramentas subestimadas no campo académico.

Em primeiro lugar, os próprios professores estão relutantes em fazer uso dessas ferramentas mo seu reportório didático. A maioria das alunas que foram entrevistadas confirmou que não tinham realizado nenhuma atividade à volta das redes sociais.

No momento não, não aconteceu comigo. O mais próximo é um projeto que tivemos há algum tempo, mas não era sobre redes sociais em si, porque tinhamos que usar o YouTube. Não sei se conta como rede social porque era a análise de um filme infantil. Então, foi assistir ao filme e fazer uma análise posterior.”

Deveria fazer parte do currículo?

Os alunos, futuros professores, usam o Instagram e o YouTube para consumir conteúdo de entretenimento ou procurar inspiração; dificilmente usam plataformas como o LinkedIn ou o Facebook, que poderiam potencializar a aprendizagem profissional. Também não as consideram ferramentas-chave para melhorar a sua formação. Apesar disso, eles não se fecham para participar desse tipo de dinâmica.

“Acho bom, acho que é uma forma de continuar a aprender de uma maneira diferente e na qual podemos interagir com pessoas e com perfis que, embora ainda não conheçamos, têm coisas em comum connosco e podemos aprender uns com os outros”. (Resposta de um dos entrevistados à pergunta do que acharia que os professores projectassem atividades onde as redes sociais são integradas).

Redes que constroem comunidades

Nas redes sociais é possível criar comunidades de aprendizagem dinâmicas onde os professores podem conectar-se uns com os outros, partilhar recursos e apoiar-se uns aos outros. Estudos anteriores demonstraram que as redes sociais, quando usadas adequadamente, podem incentivar a colaboração e a construção de relacionamentos profissionais duradouros.

Os futuros professores não recebem formação específica no uso de redes sociais para o desenvolvimento profissional. Eles estão familiarizados com o uso recreativo das redes, mas não sabem como explorá-las como fonte de conhecimento ou como espaço para intercâmbio profissional. Como resultado, as redes sociais são vistas mais como um local de lazer do que como um recurso educativo.

Um recurso subutilizado

Do ponto de vista académico, os resultados do estudo revelam uma oportunidade claramente perdida. As redes sociais têm potencial para a aprendizagem colaborativa, a criação de redes profissionais e o desenvolvimento da aprendizagem autónoma. Plataformas como Instagram, o YouTube e até o TikTok podem ser aplicadas em programas de estudo para partilhar recursos educativos com os alunos, comunicarmos com eles e até mesmo gerar atividades e debates dentro e fora da sala de aula universitária.

Na sala de aula do século XXI, um professor bem preparado não pode limitar-se ao que acontece dentro das paredes da escola; também deve direcionar a sua atenção para os espaços onde outros professores já estão a interagir no plano profissional: as redes sociais.

Formar professores na era digital

Para adaptar os programas de formação à realidade digital em que vivemos não basta adicionar redes sociais ao currículo; é necessário capacitar os professores para formar os futuros professores no uso inteligente e estratégico dessas ferramentas.

A chave está em promover uma literacia digital crítica, onde os alunos não apenas consomem informações, mas são capazes de avaliar fontes, criar conteúdos educativos inovadores e participar ativamente de comunidades de aprendizagem online como as que diariamente alimentam o conhecimento, experiências e recursos para professores de toda a Espanha: o #claustrovirtual.

A chave não é apenas ensinar a usar as redes sociais, mas também formar futuros profissionais que saibam liderar a aprendizagem num mundo digital. A sala de aula do futuro não tem paredes, está na rede, em cada clique, em cada conexão. Agora é hora de agir, de repensar como preparamos os educadores de amanhã.

Leave a Reply