“(Re)conhecer os erros do passado não é suficiente para enfrentar com êxito os desafios de hoje (e de amanhã)” | Cristóbal Cobo

Cristóbal Cobo

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Cristóbal Cobo, um especialista reconhecido em Inteligência Artificial (IA) e Educação, oferece uma perspetiva ponderada sobre o impacto da IA no setor educativo. Ao ser questionado sobre a possibilidade de estarmos a viver uma nova bolha tecnológica com a IA, semelhante a outras do passado, Cobo apresenta uma visão cautelosa e reflexiva.

A IA na Educação: Bolha ou revolução?

Cobo sugere que é prematuro determinar se a IA na educação é uma bolha ou uma verdadeira revolução. Ele enfatiza que:

  • Só saberemos a verdadeira natureza deste fenómeno no futuro.
  • Reconhecer erros passados não é suficiente para enfrentar os desafios atuais e futuros.
  • As bolhas tecnológicas não se relacionam apenas com o dinheiro e o entusiasmo gerados, mas também com o desajuste entre a velocidade da mudança tecnológica e a capacidade de adoção social.

Lições do passado e expectativas para o futuro

Cobo faz uma comparação interessante com a bolha das “dot-com”:

  • Em retrospetiva, a Internet não foi uma bolha, mas sim uma força transformadora da sociedade.
  • A adoção da Internet foi simultaneamente lenta e rápida.

Quanto à IA na educação, Cobo sugere:

  • Há uma enorme quantidade de expectativas atribuídas à IA, não apenas na educação.
  • É provável que algumas promessas sejam cumpridas a curto prazo, outras a médio prazo, mas dificilmente todas.
  • Devemos esperar algumas deceções ao longo do caminho.
  • Muitas instituições enfrentarão desafios significativos para se adaptarem a este novo ciclo de mudanças.

Uma abordagem equilibrada

Cobo propõe uma abordagem equilibrada para lidar com a IA na educação:

  1. Adaptar a IA à educação, e não o contrário.
  2. Garantir que as mudanças não deixem desprotegidos os mais vulneráveis.
  3. Encarar a mudança tecnológica como uma força de transformação positiva, mas não a qualquer custo.

Ele enfatiza a importância de:

  • Não tentar prever o futuro nem resistir a ele.
  • Examinar as mudanças com abertura, mas também com cautela.

A perspetiva de Cobo sublinha a necessidade de uma abordagem reflexiva e ética na integração da IA na educação, equilibrando o entusiasmo pela inovação com a preocupação pelo bem-estar e equidade dos alunos.

“Prefiro pensar em como adaptamos a inteligência artificial à educação (e não ao contrário)”

O papel dos professores no futuro da educação com IA

A integração da Inteligência Artificial (IA) na educação está a provocar mudanças significativas no papel dos professores. No entanto, é importante salientar que muitas funções docentes continuarão a ser essencialmente humanas.

Funções Humanas Insubstituíveis

Os professores continuarão a ser fundamentais para:

  • Estabelecer ligações emocionais com os alunos
  • Gerar empatia
  • Apoiar alunos com baixa autoestima
  • Gerir emoções durante o processo de aprendizagem

Estas competências socioemocionais são cruciais e dificilmente serão substituídas pela IA.

Funções Potencialmente Assistidas pela IA

Algumas tarefas poderão ser auxiliadas por ferramentas de IA generativa:

  • Responder a questões administrativas
  • Sugerir bibliografia adicional
  • Recomendar exercícios adaptados ao nível do aluno
  • Elaborar certos tipos de relatórios

Formação Inicial Necessária

A formação dos futuros professores deverá focar-se em:

  1. Capacidades de análise crítica e pedagógica
  2. Competências éticas para atuar num contexto de inteligências híbridas
  3. Habilidades para interagir com IA, inteligências humanas e combinações de ambas

É importante notar que a formação específica dependerá de vários fatores:

  • Contexto educativo
  • Faixa etária dos alunos
  • Nível de competências no uso da IA
  • Tipo de apoio oferecido pelo sistema educativo

Considerações Importantes

  • Ainda não há evidências suficientes sobre o impacto total da IA na educação
  • É crucial identificar quais as funções docentes que não devem ser automatizadas
  • A transição para um modelo educativo com IA não é exclusiva do setor docente; outras profissões enfrentam desafios semelhantes

Em suma, os professores continuarão a ser necessários no futuro, mas o seu papel evoluirá para se adaptar a um ambiente educativo cada vez mais tecnológico. A formação inicial deverá preparar os docentes para navegar neste novo contexto, equilibrando as competências humanas essenciais com a capacidade de utilizar eficazmente as ferramentas de IA para melhorar o processo de ensino-aprendizagem.

“Creio que o ponto de partida é identificar claramente quais as funções docentes que não queremos que sejam automatizadas”

O debate em Espanha sobre a proteção de menores em ambientes digitais tem sido bastante abrangente e relevante, refletindo uma preocupação crescente com o bem-estar das crianças e adolescentes na era digital. O informe do comité de especialistas resultante deste debate é um documento significativo que aborda questões cruciais.

Pontos fortes do informe

O informe apresenta várias características positivas:

  1. Abrangência: Cobre uma ampla gama de tópicos relevantes para a proteção de menores online.
  2. Base de conhecimento: Incorpora um vasto conhecimento acumulado ao longo de anos de investigação.
  3. Foco nas preocupações atuais: Aborda as inquietações e os riscos associados à cultura digital, especialmente para as faixas etárias mais jovens.

Desafios e limitações

No entanto, o informe também apresenta alguns desafios:

  1. Velocidade da evolução tecnológica: Há um desfasamento entre o ritmo da evolução tecnológica e a capacidade da sociedade de compreender e abordar as questões relacionadas com as práticas digitais.
  2. Quantidade de medidas propostas: O informe sugere mais de 100 medidas, o que pode dificultar a implementação eficaz.
  3. Ênfase na regulação: Muitas das medidas focam-se na regulação, monitorização e prevenção, possivelmente em detrimento de abordagens mais holísticas.

A importância do contexto social

Um aspeto crucial destacado é o papel do contexto social e familiar:

  • O uso de tecnologias digitais tem um forte componente social.
  • O capital cultural é frequentemente um forte preditor do uso da tecnologia.
  • O ambiente familiar e a estimulação cultural são fundamentais para desenvolver recursos cognitivos e emocionais necessários para enfrentar os desafios da vida digital.

O papel da família e da sociedade

O informe reconhece, acertadamente, a importância da família:

  • Pais e mães devem ser parte integrante desta grande conversa sobre a proteção de menores online.
  • Não se pode esperar que apenas os organismos reguladores resolvam todas as tensões e desafios da sociedade digital.

Inteligência artificial na educação

Uma área que poderia ter sido mais explorada no informe é o impacto da Inteligência Artificial (IA) na educação:

  • Apesar de a IA ser mencionada várias vezes, faltou uma análise mais profunda dos seus benefícios e riscos no contexto educativo.
  • Uma exploração mais detalhada das implicações da IA na educação teria enriquecido significativamente o informe.

Em suma, o informe do comité de especialistas representa um esforço valioso para abordar a proteção de menores em ambientes digitais. Embora apresente algumas limitações, oferece uma base sólida para futuras discussões e ações nesta área crítica. A chave para o sucesso na implementação destas medidas residirá na capacidade de equilibrar a regulação com a educação, envolvendo ativamente as famílias e a sociedade em geral neste processo contínuo de adaptação ao mundo digital em constante evolução.

“O capital cultural costuma ser um forte preditor do uso da tecnologia. Se uma criança cresce num contexto de estimulação cultural, os recursos cognitivos e emocionais de que dispõe para enfrentar os desafios da vida digital serão diferentes dos demais.”

Ao refletir sobre a evolução das competências digitais desde o início do Plano Ceibal, é possível identificar avanços significativos, mas também uma mudança na própria conceção do que significa ser digitalmente competente.

Evolução do conceito de competências digitais

Inicialmente, as competências digitais eram vistas principalmente como competências instrumentais. No entanto, hoje compreendemos que:

  • As competências digitais estão intrinsecamente ligadas a outras competências cognitivas e socioemocionais.
  • A proficiência digital frequentemente reflete outros conhecimentos fundamentais.
  • Uma boa capacidade de leitura e compreensão de textos complexos é uma base sólida para o desenvolvimento de competências digitais.

Mudanças na abordagem

Ao longo do tempo, observou-se uma evolução na forma como as competências digitais são abordadas:

  1. Do foco instrumental para o cognitivo:
  • Passou-se de “saber que software utilizar” para “aprender a pensar, criar e compreender informação”.
  • Ganhou importância a capacidade de filtrar e questionar informações.

2. Estabelecimento de limites:

    • Surgiu uma preocupação com o tempo de ecrã e o uso seletivo de dispositivos.
    • Alguns países optaram pela autorregulação, outros pela proibição.
    • 3. Preparação para ambientes tecnologicamente abundantes:
      • Reconheceu-se a importância de saber funcionar em contextos com e sem tecnologia.
      1. Compreensão do funcionamento das tecnologias:
      • Evoluiu-se da informática básica para o pensamento computacional, algorítmico e ciências da computação.
      • Atualmente, fala-se em “fluência no uso da inteligência artificial”.

      Perspetivas futuras

      O caminho à frente sugere:

      • Uma integração transversal da tecnologia em diversas disciplinas e campos do conhecimento.
      • Uma possível transformação na nossa forma de pensar e nos concebermos como seres humanos numa era digital.

      Em suma, o balanço desde o início do Plano Ceibal revela um avanço significativo, não apenas em termos de competências digitais, mas também na nossa compreensão do que significa ser um cidadão digital competente num mundo em constante evolução tecnológica.

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