Conversa com Gonçalo M. Tavares | FALA – ALCANENA

Sobre o Atlas do Corpo e da Imaginação | Mapa mental da Conversa

Boa tarde a todos e a todas!

Antes de mais, quero agradecer o convite para estar aqui hoje, à Câmara Municipal de Alcanena e a toda a organização do FALA. Iniciativas como esta são fundamentais para manter viva a conversa entre literatura, pensamento e sociedade. Num tempo em que tudo parece correr a uma velocidade vertiginosa, criar espaços para parar, ouvir e refletir é quase um ato de resistência. E é disso que vamos falar hoje.

Temos connosco Gonçalo M. Tavares — e não é fácil apresentá-lo numa frase ou duas. Escritor, sim, professor, mas também filósofo, provocador de ideias, arquiteto de mundos literários que nos obrigam a repensar o que julgamos saber sobre nós próprios e sobre o mundo.

Gonçalo não escreve para entreter — escreve para inquietar, no melhor dos sentidos. Os seus livros são máquinas de pensar, lugares onde as perguntas são mais importantes que as respostas. E hoje vamos falar de um livro especial: Atlas do Corpo e da Imaginação — um título que já por si nos convida a uma viagem pelo território mais íntimo e, ao mesmo tempo, mais universal que conhecemos: o nosso próprio corpo pensante.

Como professor, esta conversa tem para mim um significado particular. Vivemos numa época fascinante e perturbadora. Os mais jovens são, como referiu o filósofo Luciano Floridi, em 2015, os primeiros “habitantes autótones da vida onlife” — um mundo onde o físico e o digital se fundem de tal forma que já nem sabemos onde acaba um e começa o outro.

E aqui surge uma questão que nos inquieta: no “Atlas”, Gonçalo descreve uma natureza humana que precisa de tempo, de silêncio, de encontro consigo própria para pensar e imaginar. Mas os nossos alunos vivem numa realidade diferente — hiperconetados, sempre em multitasking, com a atenção fragmentada.

Como é que nós, educadores, podemos fazer esta ponte? Como conciliamos esta natureza humana profunda, que o livro descreve, com a realidade digital em que os jovens estão imersos? É possível essa conciliação ou estamos perante uma mutação irreversível da própria condição humana?

Vamos procurar respostas para estas e, outras perguntas, com o nosso convidado.

Gonçalo, é um privilégio tê-lo connosco. Obrigado por aceitar este convite. Vamos conversar?

[Alcanena, Jorge Borges,13/06/25]

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