
Uma ferramenta gratuita que reduz o peso das imagens dentro do próprio navegador, sem instalação, sem registo e sem enviar um único ficheiro para servidor nenhum. A última parte não é um pormenor técnico: é o que torna a ferramenta utilizável com fotografias de alunos.
A cena repete-se em qualquer escola com um sítio, um blogue de turma ou uma página de biblioteca. Alguém fotografa a exposição do projeto, a visita de estudo, o mural do Dia da Leitura. Passa as fotografias do telemóvel para o computador, arrasta-as para o editor e publica. Cada ficheiro pesa quatro ou cinco megabytes. Ninguém repara, porque na sala de informática tudo carrega depressa.
Repara-se meses depois, e sempre da mesma forma: o alojamento avisa que o espaço acabou, ou um encarregado de educação comenta que a página da escola nunca abre no telemóvel dele. A essa altura já há centenas de imagens publicadas e ninguém tem tempo para voltar atrás.
A CompactaImg resolve este problema antes de ele existir, e resolve-o num sítio onde a maioria das ferramentas equivalentes falha: sem que as imagens saiam do computador de quem as está a tratar. É gratuita, abre-se numa página do navegador e não pede conta, instalação nem autorização a ninguém.
Um problema pequeno que se acumula
Os números do estado da web dizem com clareza quem é o responsável pelo peso das páginas. Segundo o levantamento anual do HTTP Archive, <cite index=”22-1″>a página inicial mediana pesava, em 2025, 2,86 MB em computador e 2,56 MB em telemóvel, e as imagens são a categoria que mais bytes consome, à frente do JavaScript e das fontes</cite>. Numa página comum, o que pesa não é o texto nem o código: são as fotografias.
A conta que costuma surpreender quem nunca a fez é a do número de pixels. Uma fotografia de telemóvel com 4000 por 3000 pontos tem doze milhões de pixels. Reduzida a 1600 pontos no lado maior — largura mais do que suficiente para qualquer artigo de blogue, que raramente mostra imagens acima dos 800 —, passa a 1600 × 1200, ou seja, 1 920 000 pixels: 12 000 000 ÷ 1 920 000 ≈ 6,25 vezes menos informação a codificar. O ficheiro não encolhe exatamente 6,25 vezes, porque a compressão não é linear, mas a ordem de grandeza da poupança costuma ser esta. Redimensionar antes de comprimir é, quase sempre, o passo que mais rende — e é o passo que quase toda a gente salta.
Numa escola, esse peso paga-se três vezes. Paga-se em espaço de alojamento, que é finito e caro. Paga-se em tempo de carregamento, sobretudo para quem consulta a página com dados móveis e um telemóvel com alguns anos, que é com frequência exatamente a família que a escola mais quer alcançar. E paga-se em tempo de trabalho, porque quem publica acaba a tratar imagem a imagem aquilo que uma ferramenta trata em segundos.
O que a ferramenta faz
Arrastam-se as imagens para a página, escolhem-se três coisas e carrega-se num botão. A primeira escolha é o formato de saída: manter o original, ou converter para WebP, JPEG ou PNG. A segunda é o nível de qualidade, num cursor de 10 a 100 por cento — 75 é um valor equilibrado para fotografia destinada à web. A terceira é a dimensão máxima do lado maior, com 1600 pixels por omissão, o que limita tanto as fotografias horizontais como as verticais.
Para quem não quiser pensar em nada disto, os valores por omissão fazem o trabalho. A ferramenta processa lotes inteiros de uma vez, mostra o antes e o depois de cada imagem com a percentagem poupada, e apresenta um resumo com o total ganho no conjunto. Depois descarrega-se tudo.
Vale a pena conhecer o WebP, que é a opção que costuma render mais. É um formato criado pela Google e suportado por todos os navegadores atuais; segundo o estudo da própria empresa, <cite index=”15-1″>as imagens WebP com perdas são 25% a 34% mais pequenas do que as JPEG equivalentes com o mesmo índice de qualidade estrutural</cite>. A metodologia desse estudo tem sido contestada por quem compara o WebP com codificadores de JPEG mais recentes do que o utilizado na comparação original, e é honesto dizê-lo; ainda assim, na prática de quem publica num blogue, a poupança costuma ser real e visível.
Há ainda uma opção discreta que evita o erro mais comum destas ferramentas: «nunca aumentar o ficheiro». Comprimir nem sempre compensa — uma imagem já otimizada, ou um PNG de linhas simples, pode sair maior do que entrou. Com essa opção ligada, sempre que a compressão não compensar a ferramenta devolve o ficheiro original e diz-o no cartão da imagem, em vez de entregar em silêncio uma versão pior.
O ponto que mais interessa a uma escola
Existem dezenas de compressores de imagem gratuitos na web, e quase todos funcionam da mesma maneira: enviam a imagem para um servidor, processam-na lá e devolvem o resultado. Para uma fotografia de uma paisagem, tudo bem. Para a fotografia de uma turma no arraial de final de ano, não: significa entregar imagens de menores a uma empresa terceira, com termos de utilização que ninguém leu, e assumir essa responsabilidade em nome da escola.
A CompactaImg não envia nada. Todo o trabalho acontece dentro do navegador, através de uma funcionalidade que os navegadores oferecem há mais de uma década — desenhar a imagem numa tela invisível e voltar a exportá-la noutro tamanho, noutro formato, com outra qualidade. Verifiquei o código linha a linha e por pesquisa automática: não existe uma única chamada de rede em todo o ficheiro, nenhuma biblioteca importada de fora, nenhum registo de utilização. Depois de a página abrir, pode desligar-se a internet e a ferramenta continua a funcionar.
Há um efeito secundário que, num contexto escolar, é uma vantagem: os metadados desaparecem. Uma fotografia tirada com telemóvel transporta consigo a marca e o modelo do aparelho, a data e a hora exatas e, muitas vezes, as coordenadas de GPS do sítio onde foi tirada. Ao ser reexportada, essa informação toda se perde. Publicar a fotografia de uma atividade sem publicar, junto com ela, a localização precisa da escola e o horário em que os alunos lá estavam é uma boa prática que quase ninguém pratica, por desconhecimento.
Como é um ficheiro único, também se pode guardar no computador e usar sem ligação nenhuma. Basta descarregar a página e abri-la com um duplo clique. Numa escola com internet instável, ou num computador de sala de aula sem acesso livre à web, isto faz diferença.
Como se usa, em três minutos
Abre-se o endereço, arrastam-se as fotografias para o retângulo tracejado e carrega-se em «Processar imagens». Quem preferir não usar o rato pode chegar à zona de escolha de ficheiros com a tecla de tabulação e abri-la com Enter, como em qualquer formulário.
Para um artigo de blogue, a receita que uso é sempre a mesma: formato WebP, qualidade 75, dimensão máxima 1600. Se o destino for uma apresentação ou um cartaz para imprimir, sobe-se a qualidade para 90 e a dimensão para 2400. Se o objetivo for apenas uma miniatura ou uma imagem de acompanhamento, 800 pixels e qualidade 60 chegam bem e cortam o peso de forma drástica.
Depois de processar, cada imagem mostra o tamanho original, o final e a percentagem poupada, e o resumo no topo dá o total. Descarrega-se uma a uma ou todas de seguida. Se forem muitas, o navegador pode pedir autorização para descargas múltiplas — é um mecanismo de segurança normal e basta aceitar.
O que a ferramenta não faz
Convém dizer também onde estão os limites, porque uma ferramenta apresentada sem limites é publicidade, não é informação. Os GIF animados perdem a animação: fica apenas o primeiro fotograma, porque o navegador não sabe reescrever animações. Não há suporte para AVIF, um formato mais recente e ainda mais eficiente, mas com suporte desigual. O PNG é um formato sem perdas, e por isso o cursor de qualidade não lhe faz nada — está inclusivamente desativado quando se escolhe PNG, para não criar a ilusão contrária. E imagens muito grandes, acima dos dezasseis megapixels, são reduzidas automaticamente, porque alguns navegadores em telemóvel recusam telas maiores do que isso.
Também não é, nem quer ser, uma ferramenta profissional de otimização. Quem precisa de comprimir milhares de imagens com controlo fino sobre cada parâmetro tem opções melhores. Isto é uma ferramenta para o professor, o bibliotecário ou o aluno que tem doze fotografias para publicar e não quer que cada uma pese quatro megabytes.
Sobre a origem, sou transparente: escrevi-a em conversa com um assistente de inteligência artificial, no registo a que hoje se chama vibe coding. Descreve-se o que se quer em linguagem corrente e vai-se corrigindo. A primeira versão funcionava e tinha sete problemas que só apareceram numa revisão séria do código, um deles capaz de estragar uma imagem sem avisar — as zonas transparentes de um PNG convertido para JPEG saíam pretas, porque a norma manda compor a imagem sobre fundo preto quando o formato de destino não suporta transparência. A ferramenta que aqui apresento é a versão revista. A lição que fica é a mesma que tentamos ensinar aos alunos sobre escrita: o primeiro rascunho nunca é o texto.
Uma proposta para a sala de aula
A ferramenta dá uma sequência de trabalho que se aproveita quase inteira em Tecnologias de Informação e Comunicação, no terceiro ciclo, e que também funciona num clube de programação ou numa oficina de biblioteca. Cada aluno escolhe uma fotografia própria e produz três versões: a original com qualidade máxima, uma reduzida a 1600 pixels com qualidade de 75%, e uma terceira reduzida a 800 pixels com qualidade de 40%. Registam os três tamanhos numa folha de cálculo, calculam a percentagem de poupança de cada um e, depois, olham para as imagens ampliadas no ecrã e decidem em que ponto a perda se torna visível. A conclusão a que quase todas as turmas chegam sozinhas é a que interessa: a partir de certo nível continua-se a poupar bytes e já não se ganha nada, porque a imagem deixou de servir.
Numa segunda sessão, muda-se a pergunta. Distribui-se um logótipo em PNG com fundo transparente, pede-se que o convertam para JPEG e observa-se o que acontece ao fundo. A pergunta seguinte não é «como se resolve isto», é «porque é que isto acontece» — e a resposta obriga a perceber, sem grande aparato teórico, o que é um canal alfa, porque é que um formato o suporta e outro não, e o que significa haver uma norma técnica a decidir qual é a cor de substituição. É literacia digital no sentido menos decorativo do termo: perceber que os formatos de ficheiro têm propriedades e que essas propriedades têm consequências práticas.
E há uma terceira conversa, que dispensa computador. Antes de usar qualquer serviço em linha para tratar uma imagem, pergunta-se à turma para onde vai o ficheiro, quem fica com ele e durante quanto tempo. Poucos alunos alguma vez se colocaram a questão, e a diferença entre uma ferramenta que processa no computador de quem a usa e outra que envia tudo para um servidor desconhecido é, provavelmente, a aula de proteção de dados mais concreta que se pode dar em quinze minutos.
Este artigo apresenta uma ferramenta da autoria dos responsáveis pelo blog e foi elaborado com o apoio de inteligência artificial (Claude, da Anthropic).
Referências
HTTP Archive. (2025). Page weight. The Web Almanac 2025. https://almanac.httparchive.org/en/2025/page-weight
Google. (s.d.). WebP compression study. Google for Developers. https://developers.google.com/speed/webp/docs/webp_study
Mozilla. (2026). HTMLCanvasElement: toBlob() method. MDN Web Docs. https://developer.mozilla.org/en-US/docs/Web/API/HTMLCanvasElement/toBlob
WHATWG. (2026). HTML standard (secção 4.12.5.5, «Serializing bitmaps to a file»). Web Hypertext Application Technology Working Group. https://html.spec.whatwg.org/multipage/index.html
Direção-Geral da Educação. (2017). Perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória. Ministério da Educação. https://www.dge.mec.pt/sites/default/files/Noticias_Imagens/perfil_do_aluno.pdf
Para saber mais
- CompactaImg, a ferramenta apresentada neste artigo, pronta a usar no navegador e livre para descarregar, guardar e usar sem ligação à internet.
- Estudo de compressão do WebP, na documentação da Google, com a metodologia por detrás do valor mais citado sobre o formato.
- Capítulo sobre peso das páginas do Web Almanac 2025, do HTTP Archive, com a evolução do peso das páginas na última década e a repartição por tipo de ficheiro.
- Página de Aprendizagens Essenciais do ensino básico, na Direção-Geral da Educação, para enquadrar a sequência proposta nos documentos curriculares de Tecnologias de Informação e Comunicação.






