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Introdução
Atualmente o contexto informacional é marcado por uma proliferação de informações e notícias provenientes de várias fontes, incluindo meios de comunicação tradicionais, redes sociais, blogs e outros canais online. A disseminação rápida e ampla de informações, muitas vezes acompanhada pela desinformação, pode criar desafios significativos para os cidadãos na sua busca por informações precisas e confiáveis.
A desinformação, definida como o conjunto de informações falsas ou enganosas deliberadamente divulgadas com o objetivo de enganar, também é um desafio no contexto informacional em Portugal, assim como em muitos outros países ao redor do mundo. A desinformação pode ser disseminada em várias áreas, como política, saúde, ambiente, economia e noutras matérias importantes, e pode ter consequências negativas para a sociedade, incluindo a formação de opiniões distorcidas, a polarização e a perda de confiança nas instituições e nos media.
No entanto, também há esforços para combater a desinformação e promover a literacia da informação em Portugal. Organizações da sociedade civil, instituições de ensino, entidades governamentais e outras partes interessadas têm trabalhado na promoção de habilidades de literacia da informação, educação mediática e consciencialização sobre a desinformação. Isso inclui o desenvolvimento de programas educacionais, a promoção de ferramentas de verificação de factos, a realização de campanhas de sensibilização e a promoção de princípios éticos na disseminação de informações.
É importante notar que o contexto informacional está em constante evolução e pode variar ao longo do tempo e em diferentes contextos. É fundamental que os cidadãos estejam cientes dos desafios associados à desinformação e desenvolvam habilidades de literacia da informação para avaliar criticamente as informações que encontram, verificar a confiabilidade das fontes e formar opiniões informadas com base em evidências confiáveis.
Foi este o contexto que mobilizou os autores do presente livro a desenvolver o Projeto Literacia da Informação e Pensamento Crítico no Ensino Superior: Combater a Desinformação.
O projeto teve origem numa candidatura submetida em maio de 2021, pela BAD, a projetos financiados pela Embaixada Americana, dentro da prioridade definida por este patrocinador – “Alfabetização mediática e combate à desinformação: atividades que promovem a literacia da informação e o pensamento crítico, resistir à influência nociva e combater a desinformação”. Após a aprovação do mesmo, deram início as reuniões da equipa executiva, composta por Tatiana Sanches, Maria Luz Antunes e Carlos Lopes.
A proposta visou corresponder às necessidades dos jovens estudantes do ensino superior em matéria de desinformação, através de ações multiplicadoras dos bibliotecários das Instituições do Ensino Superior (IES). São estes que apoiam diariamente milhares de estudantes, professores, investigadores, bem como a comunidade envolvente, nomeadamente na prossecução dos seus trabalhos académicos e científicos, mas também na aprendizagem ao longo da vida e na resolução de problemas do quotidiano.
O principal objetivo centrou-se em promover o conhecimento, fornecer estratégias de formação e práticas pedagógicas, no que diz respeito à utilização da Literacia da Informação no combate à desinformação entre os estudantes.
Desta forma pretendeu-se desenvolver ações diversas dirigidas a profissionais de informação e comunidades de prática para que pudessem:
• conhecer e aplicar referenciais internacionais, como a Framework for Information Literacy for Higher Education (ACRL, 2016)
• promover o relacionamento profissional entre bibliotecários dos EUA e de Portugal
• disseminar documentos orientadores e inspirar boas práticas
• capacitar o público jovem no uso e na escolha criteriosa de informação e no desenvolvimento aprimoramento do pensamento crítico, através dos bibliotecários do ensino superior
Paralelamente, era igualmente esperado um amplo alcance nacional, promovendo eventos, formações e ações de sensibilização descentralizadas, onde se pretendia divulgar o conhecimento sobre o tema nas diferentes regiões de Portugal, incluindo Açores e Madeira.

