A liberdade de imprensa nunca esteve tão ameaçada — e a escola tem muito a dizer sobre isso

Há datas que não são só datas. O dia 3 de maio é o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, e este ano chegou acompanhado de uma notícia que devia preocupar qualquer professor, aluno ou cidadão atento: a liberdade de imprensa no mundo atingiu o nível mais baixo em 25 anos de registos.

A conclusão é da Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que publica anualmente o Índice Mundial de Liberdade de Imprensa — uma classificação de 180 países e territórios, publicada a 30 de abril. Os dados deste ano são os mais sombrios desde que a organização começou a fazer medições, em 2001.


O que diz o relatório

Pela primeira vez na história do índice, mais de metade dos países avaliados caem nas categorias «difícil» ou «muito grave» no que respeita à liberdade de imprensa. Em 25 anos, a pontuação média dos 180 países nunca foi tão baixa. RSF

Os números são elucidativos. A percentagem da população mundial que vive em países com uma situação considerada «boa» em termos de liberdade de imprensa caiu de 20% em 2002 para menos de 1% em 2026. Uma transformação silenciosa, mas profunda. iMEdD Lab

O declínio foi registado em 100 dos 180 países avaliados. Entre os cinco indicadores usados — contexto político, enquadramento legal, contexto económico, ambiente sociocultural e segurança dos jornalistas — o indicador legal foi o que sofreu a queda mais acentuada, o que a RSF interpreta como um sinal de que o jornalismo está a ser cada vez mais criminalizado em todo o mundo. iMEdD Lab


E Portugal?

Nem o nosso país ficou imune à tendência global. Portugal desceu dois lugares, passando do 8.º para o 10.º lugar, com a classificação de «satisfatório» (83,71 em 100). Continua a ser um bom resultado no contexto europeu e mundial, mas a descida é um sinal a não ignorar. PÚBLICO

No topo da lista, mais um ano, está a Noruega — o único país a obter a classificação de «excelente» (92,72 em 100) —, seguida dos Países Baixos, Estónia, Dinamarca, Suécia e Finlândia. PÚBLICO

No extremo oposto, a fotografia é desoladora. A lista é encerrada pela Arábia Saudita (176.º lugar), Irão (177.º), China (178.º), Coreia do Norte (179.º) e Eritreia (180.º). PÚBLICO

Nem todos os movimentos foram negativos. A queda do regime ditatorial de Bashar al-Assad na Síria permitiu ao país subir da 177.ª para a 144.ª posição — uma das maiores recuperações registadas. Sapo


O caso dos Estados Unidos — e o que ele nos ensina

Um dos dados que mais atenção gerou foi a queda dos Estados Unidos no índice. O país passou do 57.º para o 64.º lugar, uma descida de sete posições num único ano, que a RSF associa à retórica e às políticas da administração Trump. newslit

Por que razão interessa isto à escola? Porque num país onde a imprensa é livre, a democracia tem mais oxigénio. O jornalismo de qualidade expõe abusos de poder, corrige narrativas falsas e dá voz a quem não tem plataforma. Quando essa liberdade se estreita, toda a sociedade perde.

E os alunos de hoje vivem num mundo onde a informação chega por tantos canais que distinguir jornalismo de entretenimento, de opinião ou de desinformação tornou-se uma competência fundamental.


Teorias da conspiração, influencers e IA — o que a sala de aula precisa de discutir

O boletim The Sift, publicado pelo News Literacy Project, usa este relatório da RSF como ponto de partida para uma série de actividades pensadas especificamente para professores e alunos. As questões que propõe são exactamente as que fazem sentido debater em contexto escolar:

  • O que enfraquece a liberdade de imprensa? O que a fortalece?
  • Qual a diferença entre um influencer e um jornalista?
  • Como é que a RSF mede a liberdade de imprensa?
  • Por que razão as teorias da conspiração se propagam tão rapidamente depois de eventos violentos ou de crise?

Uma investigadora em literacia mediática citada no boletim nota que, em tempos de polarização, mais informação pode simplesmente dar às pessoas mais detalhes para seleccionar e montar narrativas próprias — o que explica por que é que a abundância de notícias não é, por si só, suficiente para combater a desinformação. newslit

Outro dado que o The Sift traz para cima do tapete tem a ver com a forma como os adolescentes consomem informação. Segundo um estudo do Media Insight Project, 81% dos adolescentes recorrem com frequência a influencers para se informar sobre assuntos da actualidade — mas apenas 12% afirma ter «grande confiança» na informação que recebe dessas fontes. Já os órgãos de comunicação local são vistos como as fontes mais credíveis, transversalmente às gerações. newslit

É um paradoxo que vale a pena explorar em aula: os jovens sabem que os influencers podem não ser fiáveis, mas continuam a ser a sua principal fonte de informação. O que é que isso diz sobre os hábitos de consumo mediático? E sobre a necessidade de desenvolver um olhar mais crítico?


Vídeos gerados por IA — um exemplo concreto

O mesmo boletim traz ainda um exemplo muito útil para trabalhar em sala de aula: um vídeo que circulou nas redes sociais alegando mostrar um esquilo a girar em cima do sensor LiDAR de um carro autónomo Waymo. O vídeo era gerado por inteligência artificial — convincente, mas falso. newslit

Casos como este são ferramentas pedagógicas preciosas. Mostram que, mesmo quando o conteúdo parece real, há formas de o questionar e verificar. E que a literacia digital não é um luxo — é uma necessidade.


O que os professores podem fazer

O relatório da RSF e os recursos do News Literacy Project oferecem um ponto de partida rico para trabalhar a literacia mediática em contexto escolar. Algumas sugestões concretas:

Pedir aos alunos que adivinhem quais os países com maior e menor liberdade de imprensa — e depois explorar o mapa interactivo do índice da RSF. O que os surpreendeu? O que confirma o que já sabiam?

Debater em turma o que significa viver num país com imprensa livre — e o que se perde quando essa liberdade diminui.

Fazer uma auditoria de fontes: durante uma semana, os alunos registam onde e como obtêm informação. Quantas dessas fontes são jornalismo? Quantas são conteúdo sobre actualidade que não é jornalismo?

Analisar vídeos virais com suspeita saudável — mesmo os que parecem autênticos. Que sinais podem revelar que um vídeo é gerado por IA ou está fora de contexto?


Porquê falar disto agora

Porque o mundo que os alunos vão herdar precisa de jornalismo livre. Porque a desinformação não escolhe idades. E porque a escola é um dos poucos espaços onde ainda se pode parar, pensar e aprender a questionar — sem pressa, sem algoritmos, sem notificações.

O relatório de 2026 é um alerta. Mas é também uma oportunidade para tornar estas conversas mais urgentes e mais presentes nas nossas salas de aula.


Recursos para explorar:


Fontes

O’Connell, M. (2026, 4 de maio). The Sift: Press freedom rankings drop. News Literacy Project. https://newslit.org/news-and-research/the-sift-press-freedom-rankings-drop/

Reporters Without Borders. (2026, 30 de abril). 2026 RSF Index: Press freedom at a 25-year low. https://rsf.org/en/2026-rsf-index-press-freedom-25-year-low

Público. (2026, 30 de abril). Liberdade de imprensa global atinge mínimo de 25 anos. Portugal cai dois lugares. https://www.publico.pt/2026/04/30/sociedade/noticia/liberdade-imprensa-global-atinge-minimo-25-anos-2173080


Nível de confiança: alto — todos os dados apresentados são verificáveis através das fontes primárias indicadas (RSF e News Literacy Project).

Limitação: o artigo foca-se nos dados do índice 2026 e no boletim The Sift de 4 de maio de 2026; não inclui análise comparativa detalhada de anos anteriores.

“Curadoria Digital em Educação: Para uma aprendizagem significativa”, eBook já disponível

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Apresentação | Infográfico

Numa era onde somos bombardeados com informação a cada segundo, como distinguir o que realmente importa? respondemos a esta pergunta no novo livro “Curadoria Digital em Educação: Para uma Aprendizagem Significativa”.

Vivemos um paradoxo fascinante: nunca tivemos tanto acesso à informação, mas nunca foi tão difícil encontrar conhecimento fidedigno. Os nossos alunos navegam num oceano digital sem bússola. Os professores sentem-se perdidos entre a abundância de recursos e a pressão para os usar pedagogicamente.

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A verdadeira curadoria é um processo intencional que envolve:

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O grande contributo deste livro, pensamos, está em mostrar como o professor pode evoluir de transmissor de informação para “curador do conhecimento”.

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A neurociência da desinformação

POR CLARA PRETUS | Ler na fonte

Como decide o nosso cérebro se partilhamos ou não desinformação? Uma investigação recente permitiu-nos identificar uma grande mobilização dos circuitos neuronais relacionados com a cognição social, o que sugere que a desinformação cumpre uma função social, e que partilhá-la nos reafirma como membros de um grupo.

Em 2025, a desinformação continua a ser um grande desafio social, com graves consequências para a saúde, o bem-estar e os direitos democráticos das pessoas. Desde a interferência eleitoral nos Estados Unidos ao negacionismo científico durante a pandemia, ou à procura de culpados após a DANA em Espanha, as campanhas de desinformação são continuamente utilizadas para enviesar a opinião pública, polarizar o eleitorado e destruir qualquer noção de realidade partilhada.

Nem toda a gente é afetada da mesma forma. Por exemplo, segundo estudos realizados nos Estados Unidos, os eleitores de extrema-direita são os mais suscetíveis à desinformação: estão várias vezes mais expostos a ela e são mais propensos a partilhá-la nas suas redes sociais do que os eleitores de centro ou de esquerda.

Perante este cenário, é urgente compreender porque partilhamos desinformação. Só assim poderemos encontrar soluções para um fenómeno que continua a crescer.

Incapacidade de analisar a veracidade da informação

No âmbito psicológico, foram propostas várias teorias para tentar compreender a nossa suscetibilidade à desinformação. Por um lado, o modelo cognitivo defende que acreditamos na desinformação porque não temos capacidade ou motivação suficiente para analisar se uma informação é verdadeira. Esta perspetiva implica que sensibilizar a população para a importância de verificar ou avaliar a veracidade da informação pode ser suficiente para mitigar os seus efeitos.

Por outro lado, o modelo sociocognitivo propõe que tendemos a acreditar cegamente em qualquer informação que reforce as nossas posições ideológicas, sobretudo quando beneficia os grupos com os quais nos identificamos. Se assim for, cultivar o espírito crítico pode não ser suficiente para atenuar os efeitos da desinformação.

Uma experiência com mensagens políticas

Para examinar estas duas propostas teóricas, a minha equipa de investigação e eu decidimos estudar as bases psicológicas e neurobiológicas da nossa suscetibilidade à desinformação. Fizemo-lo focando-nos na população que atualmente parece mais suscetível: os eleitores de extrema-direita em Espanha e nos Estados Unidos. Para isso, desenhámos uma coleção de publicações falsas para a rede social X (anteriormente Twitter), onde diferentes líderes políticos lançavam críticas ao governo com base em vários temas da atualidade, como imigração, direitos das mulheres e unidade nacional. As publicações incluíam dados falsos sobre todos estes temas. Por exemplo, numa das publicações, um líder de extrema-direita afirmava:

“Só este ano, mais de 100.000 imigrantes assaltaram as nossas costas por culpa do governo”.

A nossa intenção era ver se o facto de mencionar valores identitários para o grupo – como atitudes relacionadas com a imigração – fazia com que os eleitores tivessem maior disposição para partilhar as publicações, além de perceber que mecanismos cerebrais estavam subjacentes à decisão de partilhar a publicação com outras pessoas nas suas redes sociais.

Para isso, realizámos uma experiência online com 400 eleitores de extrema-direita e 400 de centro-direita (grupo de controlo) em Espanha, e 800 eleitores Republicanos nos Estados Unidos, dos quais mais de 100 se identificavam plenamente com Donald Trump.

Este primeiro estudo comparativo entre Espanha e Estados Unidos permitiu-nos verificar que a menção de valores identitários nas publicações de Twitter que desenhámos aumentava a disposição para partilhar desinformação em todas as amostras, independentemente de se usar uma linguagem mais ou menos incendiária.

Por outro lado, os republicanos que se identificavam plenamente com Trump, assim como os eleitores de extrema-direita em Espanha, eram mais propensos a partilhar as publicações do que o resto dos indivíduos.

As pessoas mais analíticas são mais resistentes à desinformação?

Outro resultado interessante foi verificar que as pessoas com maior capacidade analítica eram mais resistentes à desinformação. Mas atenção: apenas se esta não mencionasse valores identitários. Em suma, vimos que as menções a valores de grupo, como os relacionados com a imigração, motivavam os eleitores mais extremos a partilhar desinformação, mesmo que tivessem capacidade de análise.

Após estes resultados, quisemos investigar os processos cerebrais que acompanham a tomada de decisão sobre partilhar ou não desinformação. Para isso, recrutámos uma amostra de 36 eleitores de extrema-direita para um estudo de neuroimagem funcional. Esta técnica permite obter imagens da atividade cerebral enquanto os participantes realizam uma tarefa, como resolver um problema. O sinal de atividade cerebral que obtemos reflete o nível de oxigenação do sangue, permitindo-nos avaliar quais as regiões cerebrais metabolicamente mais ativas.

Depois de recrutados, os participantes preenchiam um questionário e completavam uma tarefa dentro de um scanner de ressonância magnética enquanto obtínhamos imagens do seu cérebro. A tarefa era muito semelhante à usada na experiência online: tinham de decidir até que ponto partilhariam nas suas redes sociais uma série de publicações de Twitter que continham desinformação sobre temas-chave para o grupo, como imigração e questões de género.

A análise das imagens cerebrais revelou uma grande atividade neuronal em circuitos relacionados com a cognição social, ou seja, com a capacidade de nos movimentarmos no meio social. Parte desta atividade encontrava-se em circuitos associados à nossa capacidade de atribuir estados mentais a outras pessoas, como intenções ou desejos – uma habilidade conhecida como teoria da mente. Outra parte encontrava-se em regiões do cérebro que nos permitem adaptar às normas.

O mais interessante é que a atividade nestas regiões cerebrais disparava quando nas publicações se mencionavam valores identitários para o grupo, mas não quando apenas apareciam críticas ao governo por outros temas menos relevantes, como o estado das estradas, por exemplo.

Os valores identitários obrigam-nos a tomar posição

Os nossos resultados, e os de outros estudos semelhantes realizados nos Estados Unidos, sugerem que o nosso comportamento online responde a uma necessidade de nos ligarmos à nossa audiência. Além disso, as nossas investigações sugerem que investimos muitos mais recursos cognitivos em tomar decisões que envolvem valores identitários. Talvez porque, ao mencionar estes valores, se cria uma situação crítica que nos obriga a tomar posição contra ou a favor. Nesta conjuntura, é importante saber prever qual é a resposta apropriada para a audiência a que nos dirigimos.

Partilhar uma publicação com uma posição clara sobre a imigração mostra aos outros que estamos totalmente alinhados com o grupo. Portanto, cumpre uma função social: é uma forma de nos reafirmarmos como membros de um grupo.

Mais ainda, qualquer membro de um grupo com valores identitários claros, não apenas com ideologia de extrema-direita, pode sentir-se igualmente impelido a investir recursos em estimar qual é a resposta apropriada perante o seu grupo. Tudo indica que as pessoas têm motivações partidárias para partilhar desinformação. E isso é algo que deve ser tido em conta nas intervenções desenhadas para travar a difusão de desinformação.

Cultivar o espírito crítico e verificar informação pode servir para combater a desinformação em geral, como enfatizam instituições como a Comissão Europeia. Mas, para aqueles com posições ideológicas extremas, é necessário procurar soluções que tenham em conta os laços com o seu grupo e abordar a sua desconfiança na sociedade.

Bibliografia

Pretus C., Servin C., Harris E.A., Brady W.J., Vilarroya O., Van Bavel J. “The Role of Political Devotion in Sharing Partisan Misinformation and Resistance to Fact-checking” en Journal of Experimental Psychology: General. (2023, 152(11), pp. 3116–3134) Disponible en: https://psycnet.apa.org/fulltext/2023-83147-001.html

Pretus C., Javeed A., Hughes D.R., Hackburg K., Tsakiris M., Vilarroya O., Van Bavel J. “The Misleading count: An identity-based intervention to mitigate the spread of partisan misinformation” en Philosophical Transactions B (2024). Disponible en: https://royalsocietypublishing.org/doi/10.1098/rstb.2023.0040

Pretus, C., Gil-Buitrago, H., Cisma, I., Hendricks, R. C., & Villarreal, D. L. “Scaling crowdsourcing interventions to combat partisan misinformation” en Advances.in/psychology (2024, 2, e85592). Disponible en: https://doi.org/10.56296/aip00018

Van Bavel, J.J., Rathje, S., Vlasceanu, M., Pretus, C. “Updating the Identity-based Model of Belief: From False Belief to the Spread of Misinformation” en Current Opinion in Psychology. (2024, Vol. 56). Disponible en: https://doi.org/10.1016/j.copsyc.2023.101787

Integrating information literacy into the curriculum

Integração da Literacia da Informação no Currículo

2025

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Objetivo do Guia
O guia destina-se a docentes e equipas de desenvolvimento curricular, apresentando estratégias para integrar a literacia da informação (LI) nos cursos, promovendo a colaboração entre bibliotecários e docentes para formar estudantes autónomos, críticos e preparados para o mercado de trabalho.

O que é Literacia da Informação?
A literacia da informação consiste na capacidade de reconhecer quando é necessária informação, saber localizá-la, avaliá-la criticamente, utilizá-la de forma eficaz e ética, e comunicar os resultados. Inclui competências como:

  • Conhecimento dos recursos disponíveis
  • Técnicas de pesquisa e avaliação de resultados
  • Utilização ética da informação (evitar plágio)
  • Gestão e partilha dos resultados

Porquê integrar a LI no currículo?

  • Desenvolve competências de aprendizagem autónoma e ao longo da vida
  • Melhora o desempenho académico e a empregabilidade
  • Prepara os estudantes para lidar com a constante evolução da informação e da tecnologia
  • Reduz o plágio e promove a utilização crítica das fontes

Como integrar a LI no currículo?

  • Idealmente, a integração deve começar na fase de desenho do programa, mapeando as competências de LI ao longo dos módulos.
  • As competências devem ser trabalhadas no contexto da disciplina, não apenas como um “extra” bibliotecário.
  • Incluir resultados de aprendizagem e critérios de avaliação explícitos para LI nas atividades e avaliações dos módulos.

Exemplos de Critérios de Avaliação

  • Variedade e qualidade das fontes utilizadas
  • Capacidade de argumentar com base em informação credível
  • Correta citação e referência das fontes
  • Avaliação crítica da literatura

Atividades e Avaliações para o Desenvolvimento da LI

  • Bibliografias anotadas com diferentes tipos de fontes
  • Documentação e reflexão sobre estratégias de pesquisa
  • Avaliação crítica de fontes com perspetivas opostas
  • Trabalhos de grupo para pesquisa e apresentação de resultados
  • Uso de portefólios ou diários de aprendizagem

Utilização de Ambientes Virtuais de Aprendizagem (VLE)

  • Disponibilização de recursos, listas de leitura e artigos
  • Criação de quizzes, fóruns de discussão e trabalhos colaborativos
  • Desenvolvimento de tutoriais online sobre avaliação de fontes, uso da internet e prevenção do plágio
  • Integração de aplicações Web 2.0 (blogs, wikis, podcasts) para promover a aprendizagem ativa

Dicas para uma Integração Bem-Sucedida

  1. Envolver o bibliotecário desde o início do desenvolvimento curricular.
  2. Definir resultados de aprendizagem claros para LI, usando como referência os padrões ANZIIL.
  3. Colaborar na criação de atividades e avaliações específicas para LI.
  4. Explorar o potencial do VLE para apoiar a aprendizagem da LI.
  5. Ser explícito com os estudantes sobre a importância da LI e os objetivos das atividades propostas.

Estudos de Caso
O guia apresenta exemplos práticos de integração da LI em diferentes áreas e níveis de ensino, desde licenciaturas em engenharia, enfermagem, comércio e ciências sociais, até mestrados e doutoramentos em áreas como direito, ciências e gestão bibliográfica. Em todos os casos, destaca-se:

  • O papel central da colaboração entre docentes e bibliotecários
  • A ligação das competências de LI às necessidades reais dos cursos e avaliações
  • O impacto positivo na autonomia, confiança e sucesso académico dos estudantes

Padrões de Literacia da Informação (ANZIIL)
O guia adota os padrões ANZIIL, que definem que o indivíduo competente em LI:

  • Reconhece quando precisa de informação e define o tipo de informação necessária
  • Encontra informação de forma eficaz e eficiente
  • Avalia criticamente a informação e o processo de pesquisa
  • Gere e organiza a informação recolhida
  • Aplica a informação para criar novo conhecimento
  • Utiliza a informação de forma ética, legal e responsável

Resumo Final:
A integração da literacia da informação no currículo é fundamental para formar estudantes autónomos, críticos e preparados para os desafios académicos e profissionais. O sucesso depende de uma abordagem colaborativa, planeada e explícita entre docentes e bibliotecários, com atividades relevantes, avaliação clara e uso eficaz das tecnologias educativas.


Por que é que o ensino de história é fundamental para combater a desinformação online?

Março 21, 2025

Fonte | Autor: Lightning JayBinghamton University, State University of New York