Bibliotecas em Metamorfose: Leitura Profunda, Literacia e IA

por Ana Paula Ferreira | XII Encontro “Para Além de Princesas e Dragões”

Uma borboleta não é uma lagarta melhorada. É uma reconfiguração profunda da estrutura, da função e da forma de estar no mundo. Esta metáfora resume, com precisão, o desafio que se coloca hoje às bibliotecas escolares: não se trata de adotar novas ferramentas, mas de se reconfigurar nos seus propósitos, nas suas práticas e no papel dos profissionais que nelas trabalham.​

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O que mudou (verdadeiramente) com a IA

Há uns anos, pedir a um aluno que escrevesse um texto implicava esforço, silêncio e produção. Hoje, com algumas palavras introduzidas numa ferramenta de inteligência artificial, um trabalho completo, fluente e plausível está disponível em segundos.​

Mas quando falamos de inteligência artificial, já não estamos a discutir uma nova ferramenta. Estamos a discutir uma mudança cultural profunda naquilo que acontece nas escolas quando falamos de leitura, de escrita e de aprendizagem.​

Para compreender a dimensão desta mudança, basta pensar na linha histórica das grandes tecnologias de comunicação:

  • A imprensa de Gutenberg permitiu editar e reproduzir o texto, criando o leitor individual.
  • A internet distribuiu o texto à escala global, mas o texto continuava a ser humano — gerando, porém, a atenção fragmentada de que tanto se fala.
  • A inteligência artificial introduz algo sem precedentes: pela primeira vez, a máquina cria o texto. Gera sequências novas, plausíveis e fluentes, a partir de padrões aprendidos em biliões de palavras humanas.​

Isto não é uma questão técnica. É uma questão cultural. E é, acima de tudo, um grande desafio para as escolas e para as bibliotecas escolares.

  • Comunicação

Eixo 1 — A Leitura Crítica: o ginásio do pensamento lento

A neurocientista cognitiva Maryanne Wolf, uma das maiores especialistas mundiais em leitura, recorda-nos que “os seres humanos não nasceram para ler”. A leitura é uma invenção cultural relativamente recente, e o cérebro humano teve de aprender a realizá-la, reciclando circuitos visuais e cognitivos que usava para outras funções.​

Ao contrário da fala, que é natural e biológica, ler não acontece espontaneamente. É algo que tem de ser ensinado e praticado ao longo da vida — e essa aprendizagem modifica biologicamente o nosso cérebro.​

Os circuitos que constroem a leitura profunda — lenta, reflexiva, exigente, atenta — envolvem a inferência, a empatia, a análise crítica e a capacidade de habitar outras perspetivas. Mas esses circuitos só se desenvolvem com tempo, esforço e prática repetida.​

É aqui que entra o conceito de pausa proustiana: o momento em que paramos, hesitamos e fazemos ligações entre o que lemos e o que sabemos. É precisamente neste momento de hesitação que começa o pensamento crítico.​

A inteligência artificial pode erodir este processo de forma radical. Quando um estudante pede a um modelo de linguagem que lhe faça um resumo de um livro, aquele tempo de hesitação simplesmente não acontece. Não há confronto com o texto, não há desconforto do esforço, não há pausa proustiana — há apenas uma resposta fluente.​

A leitura não é nostalgia do mundo analógico. É a tecnologia mais importante no mundo com IA, porque é a única ferramenta capaz de treinar cérebros que inferem, duvidam, sentem empatia e, sobretudo, formulam as perguntas que as máquinas não conseguem fazer.​

Proposta para as bibliotecas: Ser verdadeiros ginásios do pensamento lento — espaços onde a ambiguidade, a dificuldade e o confronto com o texto são legitimados como estratégia pedagógica.​


Eixo 2 — As Literacias: três camadas indispensáveis

Não basta saber utilizar as ferramentas de IA. É preciso entender como elas funcionam. A OCDE, em 2025, propõe uma literacia de IA que junta três dimensões inseparáveis: a compreensão técnica básica, a análise crítica dos impactos e a preservação da agência humana.​

Esta estrutura pode ser organizada em três camadas que se apoiam mutuamente:

  1. Literacia do uso — Saber utilizar a IA com intenção pedagógica, em vez de a consumir de forma acrítica ou por mero automatismo.
  2. Literacia crítica — Olhar para o output da máquina e perguntar: isto é verdade? que viés terá? Os modelos de IA foram treinados com dados humanos e têm, por isso, preconceitos históricos, culturais e de género. O que a máquina produz nunca é neutro.
  3. Literacia ética — Ir além do output e questionar o próprio sistema: que intenções estão por detrás dos algoritmos? Compreender o poder das máquinas é um verdadeiro ato de cidadania.​

Esta estrutura está já a ser incorporada nos quadros internacionais mais recentes. A União Europeia apresentou um quadro de referência com 22 competências de literacia em IA para alunos do ensino básico e secundário, organizadas em quatro domínios: envolver-se com a IA, criar com a IA, gerir a IA e participar no seu design.​

Nada disto é possível sem a competência zero: a leitura profunda. Só quem lê profundamente tem condições para avaliar criticamente o que a IA produz, identificar falhas, contradições e ausências.​

O problema do plausível

A nova desinformação não é a mentira grosseira que identificamos de imediato. É o texto fluente, bem escrito, que soa certo — mas que não é necessariamente verdadeiro. O plausível não é verdadeiro.​

Os detetores de IA têm uma precisão que varia entre 50% e 80%, e estudos recentes revelam que chegam a acusar falsamente 20 a 30% dos alunos que não utilizaram inteligência artificial. A vigilância tecnológica, por si só, não funciona. A única resposta eficaz é a educação.

Proposta para as bibliotecas: Serem laboratórios de verificação — espaços que cultivam o discernimento humano, ensinando os alunos a triangular fontes, contextualizar informação, avaliar credibilidade e distinguir facto de fabricação.​


Eixo 3 — Ética, Responsabilidade e Agência Humana

Estudos recentes indicam que 80% dos estudantes utilizam IA e consideram adequado fazê-lo — não acham que estejam a fazer algo de desonesto. Os investigadores chamam a esta situação a zona cinzenta ética.​

Isto levanta uma tensão fundamental: queremos ser autores ou operadores?

A autoria permanece humana quando há decisão, seleção, transformação e responsabilidade sobre o texto final. Quando alguém delega completamente na máquina e submete o resultado como seu, sem o confrontar, não há autoria — há apenas delegação. O problema não é usar a IA; o problema é não exercer julgamento sobre o que ela produz.

Para um enquadramento mais robusto, três âncoras podem guiar as bibliotecas e as escolas:

  • Valores profissionais: A IFLA, já em 2020, afirmou que as bibliotecas devem ser atores centrais desta transformação — defendendo o acesso à informação, desenvolvendo literacias e atuando como espaços de mediação crítica.​
  • Regulação europeia: O AI Act, aprovado em 2024, classifica a utilização de IA na educação como um domínio de alto risco, exigindo sempre supervisão humana. Não é uma boa prática — é um requisito legal.​
  • Governança local: O que resulta é ter políticas locais claras: o que é permitido? Onde e quando se pode usar a IA? Como se declara o seu uso? São questões que municípios, escolas e centros de formação precisam de resolver.​
A leitura da IA…


Três princípios para as bibliotecas do futuro

1. Integrar criticamente
Não podemos ignorar a IA — perderíamos relevância. Mas utilizá-la sem a questionar é trair a missão da biblioteca. O equilíbrio está na integração crítica: usar, mas questionando sempre.​

2. Colocar a mediação humana no centro
A automatização trata do que é rotineiro. Mas tudo o que é singular, contextual e relacional — como o encontro entre o leitor e o texto — é território humano e deve continuar a sê-lo.​

3. Ser espaço de comunidade e de debate
Num mundo de consumo individual de informação cada vez mais atomizado, a biblioteca deve ser o lugar onde as comunidades se reúnem para pensar juntas, exercer cidadania digital e debater os desafios que lhes são colocados.​


Três propostas de ação concreta

EixoProposta
ExplicitarCriar políticas claras de uso da IA nas escolas e bibliotecas; tornar transparente o seu uso
EnsinarFormar cidadãos, não apenas utilizadores; mostrar que saber perguntar é mais importante do que obter a resposta
ProtegerDefender os tempos de leitura lenta; garantir espaço para o silêncio, a hesitação e o pensamento que leva tempo ​

Para terminar: a margem que importa

José Saramago, em A Caverna, escreveu: “Há quem leve a vida inteira sem nunca ter conseguido ir mais além da leitura. Ficam pegados à página, não percebem que as palavras são apenas pedras postas a atravessar a corrente de um rio. Se estão ali, é para que possamos chegar à outra margem.”

A inteligência artificial pode dar-nos as pedras — o texto fluente, rápido, abundante. Mas é a biblioteca que ajuda a ver a margem: o sentido, o propósito, o impacto do conhecimento.​

As bibliotecas não precisam de abandonar o que sempre foram — espaços de acesso, de equidade, de encontro do humano com o texto e com o mundo. Precisam de transportar esses valores para formas novas, num ecossistema que mudou radicalmente e vai continuar a mudar.​

Num mundo em que as máquinas escrevem com fluência, o que se tornou mais precioso não é a velocidade da produção textual. É a qualidade da interpretação. É a sabedoria de saber o que perguntar.​


Este artigo é baseado na comunicação apresentada no painel sobre “Bibliotecas em Metamorfose”, dedicado ao papel das bibliotecas escolares na era da inteligência artificial.

EduQA, I. P.: O novo instituto que quer mudar a educação em Portugal — o que precisas de saber

Em fevereiro de 2026, o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação, I. P. — conhecido como EduQA, I. P. — deu um passo decisivo na sua organização interna. O Despacho n.º 2354/2026, publicado no Diário da República n.º 38/2026, Série II, de 24 de fevereiro, oficializou a criação das suas unidades orgânicas flexíveis e definiu as respetivas competências.​

Mas o que é o EduQA, para que serve e o que muda para as escolas? Explica-se neste artigo.

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O que é o EduQA, I. P.?

O EduQA, I. P. foi criado pelo Decreto-Lei n.º 105/2025, de 12 de setembro, e os seus Estatutos foram aprovados pela Portaria n.º 31-A/2026/1, de 23 de janeiro. É um instituto público sob tutela do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI), com a missão de assegurar a qualidade do sistema educativo português — desde o currículo à avaliação, da literacia digital à promoção da leitura.​

Trata-se, na prática, de uma fusão e reorganização das funções que antes estavam dispersas por vários organismos do Ministério da Educação. O EduQA centraliza competências essenciais com uma visão integrada do sistema.


Uma estrutura pensada para a escola

A estrutura do EduQA organiza-se em departamentos e unidades flexíveis, cada uma com atribuições muito concretas. Eis as principais áreas de atuação que interessam às comunidades educativas:

Currículo (do jardim de infância ao secundário)

  • Unidade de Educação de Infância (UEI) concebe orientações pedagógicas para creche e pré-escolar, alinhadas com referenciais europeus de qualidade.​
  • Unidade dos Ensinos Básico e Secundário (UEBS) é responsável pela conceção e revisão dos currículos, pelo acompanhamento das escolas e pela produção de materiais pedagógicos baseados em evidência científica.​
  • Unidade do Ensino Profissional e Artístico Especializado (UEPAE) trata dos currículos e das qualificações nestas modalidades, articulando com os referenciais do Sistema Nacional de Qualificações.​

Qualidade, inovação e inclusão

Duas unidades merecem destaque particular para quem trabalha no terreno:

  • Unidade de Estratégia e Monitorização (UEM) promove a investigação sobre práticas pedagógicas inovadoras, desenvolve modelos de ensino a distância (EaD) e propõe medidas de redução do abandono escolar.​
  • Unidade de Apoio à Qualidade e Inclusão (UAQI) regula as respostas de educação especial, gere o Sistema de Atribuição de Produtos de Apoio (SAPA) e apoia as escolas em projetos educativos locais.​

Avaliação externa

Esta é uma das áreas mais visíveis para professores e alunos. A Unidade de Avaliação Externa Nacional (UAEN) planeia e concebe os instrumentos de avaliação — provas e exames —, define critérios de classificação e analisa os resultados para informar as políticas educativas. Já a Unidade dos Estudos Internacionais (UEI) gere a participação de Portugal em estudos como o PISA, TIMSS ou PIRLS, divulga os resultados e disponibiliza os itens libertos para uso pedagógico nas escolas.​

Leitura e bibliotecas escolares

Dois domínios muito próximos das bibliotecas escolares e do trabalho de literacia:

  • Unidade do Plano Nacional de Leitura (UPNL) coordena o PNL, apoia os mediadores de leitura e desenvolve a Rede de Planos Locais de Leitura junto dos municípios.​
  • Unidade da Rede de Bibliotecas Escolares (URBE) apoia e dinamiza a RBE, promove a articulação com a Rede Nacional de Bibliotecas Públicas e concebe orientações para o funcionamento das bibliotecas escolares — incluindo as portuguesas no estrangeiro.​

Digital na Educação

  • Unidade de Desenvolvimento Educativo Digital (UDED) define orientações pedagógicas para a utilização de tecnologias digitais e de inteligência artificial em contexto educativo, promovendo práticas éticas, inclusivas e acessíveis.​
  • Unidade de Sistemas Digitais Educativos (USDE) assegura a operação e segurança das plataformas digitais educativas, apoiando tecnicamente os processos de avaliação em formato digital.​


O que muda na prática?

A criação destas unidades não é apenas uma reorganização burocrática. Representa uma aposta clara numa governação educativa mais integrada, em que currículo, avaliação, qualidade, digital e leitura funcionam de forma articulada, em vez de isolada.

Para os professores, este novo quadro pode significar:

  • Maior coerência entre os documentos curriculares e os instrumentos de avaliação externa;
  • Orientações pedagógicas mais alinhadas com a evidência científica e com referenciais europeus;
  • Mais apoio no domínio do digital e da IA em contexto educativo;
  • Uma RBE e um PNL com estrutura institucional reforçada.

Para saber mais

O Despacho n.º 2354/2026 está disponível no Diário da República Eletrónico, na publicação n.º 38/2026, Série II, de 24 de fevereiro de 2026. Para quem quiser aprofundar a estrutura orgânica completa do instituto, vale a pena consultar também o Decreto-Lei n.º 105/2025 e a Portaria n.º 31-A/2026/1.​

Curadoria digital em educação

Curadoria digital em educação: para uma aprendizagem significativa

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AE Conde de Oeiras: uma Escola feita de pessoas, ideias e colaboração

Quando a escola se transforma numa celebração de pessoas e projetos, cada aluno, professor, assistente e parceiro torna-se autor de uma história coletiva onde aprender é sinónimo de colaborar, incluir e transformar.

[*Post publicado originalmente na página web da biblioteca do Agrupamento]

O Agrupamento de Escolas Conde de Oeiras abriu as portas do Instituto de Tecnologia Química e Biológica (ITQB) para mostrar ao mundo o que acontece quando escola, família e comunidade trabalham juntos. Num evento repleto de apresentações de alunos, professores, assistentes operacionais e parceiros, a escola revelou a sua identidade única: uma comunidade educativa construída com pessoas, relações de proximidade e colaboração genuína.

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A Identidade: pessoas e relações

A nossa identidade são as pessoas”, afirmou a direção da escola durante a apresentação. São as relações de proximidade, empáticas, colaborativas e inclusivas que definem este agrupamento. Esta filosofia é visível em cada projeto, em cada intervenção e em cada sorriso partilhado ao longo do evento.

Projetos que Transformam a Aprendizagem

Mar Radical: guardiões do oceano

Um dos projetos mais ambiciosos apresentados pelos alunos foi o “Mar Radical”, uma iniciativa interdisciplinar focada na proteção dos oceanos. Os estudantes trabalham o tema em matemática como cientistas de dados, em português e inglês como escritores, e até estão a compor uma música intitulada “Mar Radical” nas aulas de música.

As atividades incluem iniciação à navegação tradicional à vela, exploração da vida costeira e visitas ao Aquário Vasco da Gama. O futuro promete ainda mais: stand-up paddle, kayak, limpeza de praias e entrevistas a fotógrafos subaquáticos. “O mar começa aqui na nossa escola. Cada um de nós pode ser um guardião”, declararam os alunos.

Mobilidade Sustentável: um dia sem carros

Outro projeto estudantil focou-se na mobilidade sustentável, visando as três dimensões do desenvolvimento: social, ambiental e económico. O objetivo é consciencializar a comunidade escolar sobre o uso excessivo do automóvel e promover alternativas como a bicicleta. A meta é criar um dia sem carros, em que os alunos se deslocam para a escola de bicicleta, através de sessões de sensibilização, cartazes e divulgação nas redes sociais.

Brincar no Exterior: imaginação livre

Na Escola Sá de Miranda, o projeto de brincar no exterior permite que as crianças explorem livremente e desenvolvam a imaginação. A ligação entre família e escola é reforçada através da reutilização de materiais domésticos, como panelas e tachos, que ganham nova vida no espaço escolar.

A Biblioteca: Uma Panela de Pressão Cultural

Numa das apresentações mais criativas do evento, a professora bibliotecária comparou a biblioteca escolar a uma “panela de pressão” – não para mandar calar, mas para cozinhar lentamente a receita do sucesso educativo. Os ingredientes desta receita incluem:

  • Equipamento informático e coleção de livros atualizada, garantidos pelo investimento da direção
  • Multiliteracias: literacia mediática (presente no jornal escolar “Cagaréu”), literacia informacional e literacia da leitura
  • Cidadania ativa: projeto “Miúdos a Votos”, patrocinado pela Rede de Bibliotecas Escolares, que promove o processo democrático através da eleição do livro favorito
  • Inclusão e bem-estar: clube de leitura e clube de expressão dramática, com a peça “Contes War” a ser apresentada na plataforma Oeiras Vila
  • Participação familiar: projeto “Ler Fora da Escola”, onde as famílias partilham histórias
  • Envolvimento municipal: Concurso Municipal de Leitura, realizado aos sábados com famílias, crianças e professores

“Esta receita tem um nome: Sucesso Educativo. É cozinhada em câmara lenta”, explicou a professora, destacando que cada ingrediente é saboreado e autoavaliado continuamente.

Horta Escolar: Cultivar Autonomia e Competências

A horta escolar surgiu para dar mais respostas educativas aos alunos com medidas adicionais de suporte à aprendizagem. Através de todas as tarefas inerentes a uma horta – semear, tratar e colher – os alunos trabalham autonomia, desenvolvimento pessoal e social, saúde e bem-estar.

O projeto articula-se com várias disciplinas, incluindo matemática para a vida ativa, português para a vida ativa, ciências e artes. Adlide, assistente operacional que acompanha os alunos na horta, expressou com simplicidade a essência do projeto: “É aqui que eu sou feliz fazer aquilo que gosto”, acrescentando que é importante as crianças perceberem “que os legumes que chegam às nossas mesas não vêm do supermercado, vêm da terra”.

Ciberescola: Português para Todos

O projeto Ciberescola utiliza internet e tecnologias digitais para ajudar alunos estrangeiros a aprenderem português de forma mais rápida. Com várias aulas, testes, leitura de livros e apresentações, sempre com um professor a corrigir trabalhos e fichas, os estudantes melhoram significativamente a escrita, leitura e comunicação em português.

Fátima Loureiro, assistente operacional que apoia o projeto, revelou um benefício inesperado: “Este projeto também tem sido uma mais-valia para mim. Vou treinando e pensando em inglês. Eles vão começar a falar português e eu vou ser uma profissional no inglês…”

Inclusão em Ação

Oficina de Desenvolvimento Pessoal

Em parceria com uma associação sem fins lucrativos sediada em Oeiras, a escola desenvolve oficinas de desenvolvimento pessoal destinadas a crianças mais vulneráveis. O foco está nas competências metacognitivas – capacidade de monitorar, planear e avaliar a própria aprendizagem – e nas competências socioemocionais, como autorregulação, autoconhecimento, trabalho em equipa, cooperação e empatia.

Centro Nuno Belmar da Costa: Parceria para a Inclusão

A Unidade de Ensino Estruturado desenvolve projetos magníficos, incluindo terapia assistida por animais com a cadela Nala e sessões na sala Snoezelen (sala multissensorial) em parceria com o Centro Nuno Belmar da Costa. Como referiu Pita, assistente operacional: “Trabalhar na unidade é uma aprendizagem diária mútua que exige muita paciência, empatia e sobretudo trabalhar com amor todos os dias.”

Todos os alunos da unidade estão incluídos em turmas regulares e frequentam diariamente as suas salas de aula, com os colegas também visitando regularmente a unidade.

Serviços Administrativos: A Primeira Imagem da Escola

Mónica, assistente técnica, trouxe uma perspetiva essencial: “Para nós, os alunos não são só processos nem o número de aluno que está em frente ao computador.” Os serviços administrativos acompanham os alunos através da ação social escolar, garantindo acesso a material escolar, manuais e alimentação. “Ir ao refeitório à hora do almoço para mim é maravilhoso porque consigo criar uma ligação com os alunos”, partilhou.

Ciência em Toda a Parte

Feira de Ciências

A Feira de Ciências conta com a participação ativa de pais, como Maria Nunes, mãe de um aluno. “A ciência é tudo o que nos rodeia. Ensina-nos a fazer perguntas e a procurar respostas. As respostas não nos chegam por magia, descobrimos através de tentativa e erro”, afirmou, destacando a importância de estimular o pensamento crítico desde pequenos.

Clube de Ciência Viva

Com mais de 100 inscritos e aberto todos os dias, o Clube de Ciência Viva é o ponto âncora de toda a ciência do agrupamento. Trabalha em várias áreas temáticas:

  • Smart City: criação de maquetes de cidades inteligentes
  • Produtos Ecológicos: fabricação de produtos de higiene sem tóxicos nem plásticos
  • Os Inventores: programação, robótica e educação tecnológica

O clube organiza oficinas, participação em congressos e feiras, saídas de campo e visitas de estudo, estabelecendo parcerias com o ITQB, Instituto Superior Técnico, Inventors e Núcleo.

Parceria com o ITQB

Ana Silva, do ITQB, expressou o orgulho do instituto na colaboração desde a génese do clube. Destacou a “diversidade de projetos” e a “capacidade do clube de abranger todo o agrupamento desde o pré-escolar”, considerando-o “único, desafiante e inovador”. O clube está aberto a todo o município através do Portal Oeiras Educa e até escolas privadas são convidadas a visitar.

Mais Projetos, Mais Aprendizagem

O evento revelou ainda outros projetos que enriquecem o quotidiano escolar:

  • Semana do Mel: aprendizagem sobre abelhas, comunicação, trabalho em equipa, ciência e ambiente
  • Ler Fora da Escola: promover a leitura em qualquer lugar
  • Jogo do 24: desenvolver matemática, lógica e calma sob pressão
  • Contos ao Luar: criatividade, expressão e gosto pela leitura sob as estrelas
  • Laboratório: experimentação científica onde “quando erramos, voltamos a tentar”

Uma Escola Viva

“Esta escola não é perfeita, mas é viva, cheia de projetos e feita para aprender de muitas maneiras diferentes”, resumiram os alunos numa das apresentações teatrais. O evento foi pontuado por momentos artísticos memoráveis, incluindo o coro do primeiro ciclo, que abriu a sessão com canções tradicionais portuguesas, e apresentações musicais ao longo de todo o programa.

O Agrupamento de Escolas Conde de Oeiras demonstrou que o sucesso educativo não é um destino, mas uma receita que se cozinha lentamente, com ingredientes de qualidade, múltiplos cozinheiros dedicados e, acima de tudo, com amor pelo que se faz. Como afirmou a direção: “Sozinhos não fazemos nada.” É a colaboração entre todos – alunos, professores, assistentes operacionais, famílias, parceiros e comunidade – que faz desta escola um lugar verdadeiramente especial.

A Biblioteca Joanina | Coimbra

A Biblioteca Joanina: O Magnífico Templo da Sabedoria de Coimbra

1. Introdução: Um Tesouro da Humanidade no Coração de Coimbra

A Universidade de Coimbra, instituição com mais de 700 anos de história desde a sua fundação pelo rei Dom Dinis, permanece como o epicentro do saber em Portugal. Reconhecida como Património Mundial da UNESCO em 2013, a Universidade abriga no seu seio uma joia arquitetónica sem paralelo: a Biblioteca Joanina. Esta obra-prima do Barroco europeu, encomendada há três séculos por Dom João V, transcende a função de mero repositório do saber. É, em toda a sua essência, um “templo laico” da sabedoria, onde a magnificência artística convida o visitante a uma jornada de descoberta intelectual e estética num cenário de opulência absoluta.

2. Dom João V: O Monarca Magnânimo e a Sua Obra

A edificação da então designada “Casa da Livraria” foi fruto da visão de Dom João V, o “Magnânimo”. O financiamento para este projeto monumental foi assegurado pela extraordinária riqueza do império, vinda sobretudo do Brasil através do “quinto” do ouro. Contudo, a biblioteca não nasceu apenas da riqueza, mas da mente de um rei profundamente culto e influenciado pelo Iluminismo.

Dom João V era um amante fervoroso da leitura — dedicando horas ao estudo, por vezes em detrimento das próprias refeições — e das ciências. Fundou a Academia de História, estabeleceu um Observatório Real no Paço e realizava pessoalmente observações astronómicas com instrumentos científicos de vanguarda trazidos do estrangeiro. Esta efervescência cultural estendeu-se à música, com o monarca a atrair para a sua corte vultos como Domenico Scarlatti e a proteger o talento nacional de Carlos Seixas. A biblioteca é, assim, o reflexo de um monarca que desejava que a sua obra fosse o “espelho do Rei”, projetando o seu poder e sabedoria sobre um mundo vasto.

3. Arquitetura e Simbolismo: As Três Salas da Sabedoria

Concluída em 1728, a biblioteca apresenta-se como uma autêntica “cápsula do tempo”, onde quase tudo permanece fiel ao século XVIII. Embora o autor do desenho original permaneça um mistério historiográfico — especulando-se sobre uma mão francesa ou italiana — a execução esteve a cargo do Mestre de Obras Gaspar Ferreira. Uma das maiores evidências da genialidade da sua construção são as paredes exteriores com 2,10 metros de espessura, que garantem uma temperatura e humidade constantes, preservando os livros sem necessidade de climatização moderna. Antes da eletricidade, o saber era colhido apenas sob a luz natural que penetrava pelas amplas janelas.

A estrutura organiza-se em três salas consecutivas sob a égide da Sabedoria, representada no centro de cada teto:

  • Primeira Sala: A Sabedoria surge rodeada pelos quatro continentes (Europa, Ásia, África e América), simbolizando o alcance global do império e do conhecimento.
  • Segunda Sala: O teto ostenta figuras mitológicas que representam a Honra, a Virtude, a Fama e a Fortuna, pilares do caráter humano.
  • Terceira Sala: Dedicada ao aspeto enciclopédico, onde as musas das artes e disciplinas como a Teologia, a Justiça e a Música presidem ao estudo.

No local onde numa igreja se encontraria o altar, destaca-se o retrato de Dom João V, reforçando a ideia de que o conhecimento ali guardado está sob a proteção direta da Coroa.

4. Tesouros e Engenharia: Entre Livros e Madeiras Exóticas

O interior é um prodígio decorativo. As estantes são adornadas com as famosas “chinoiseries” — pinturas de inspiração oriental — da autoria do artista português Manoel da Silva. As mesas de leitura, ou bofetes, são peças de arte únicas feitas de madeiras tropicais sob a direção de mestres italianos, tendo levado dois anos a concluir. Outro detalhe técnico fascinante são as escadas dissimuladas dentro das estantes, um design funcional que permite o acesso aos níveis superiores e que ainda hoje é utilizado.

O acervo, de cerca de 55 mil volumes, inclui tesouros digitalizados para consulta global, destacando-se:

  • A Bíblia Hebraica da família Abravanel, um manuscrito onde as decorações são, na facto, “micrografias” (versículos do Génesis que formam os desenhos).
  • O terceiro volume dos Roteiros da Índia de Dom João de Castro, contendo mapas detalhados do Mar Vermelho e da costa indiana.
  • A primeira edição de 1614 da obra “Peregrinação” de Fernão Mendes Pinto.
  • O pedido de patente da “Passarola” (o primeiro balão), submetido pelo visionário Bartolomeu de Gusmão quando este tinha apenas 23 anos, concedido por um Rei de apenas 19 anos.

5. Os Guardiões Noturnos e o Ecossistema da Biblioteca

Um dos aspetos mais curiosos deste ecossistema é a colónia de morcegos que habita o edifício. Estes animais são os “guardiões silenciosos”, pois alimentam-se de insetos que, de outra forma, devorariam o papel secular. Para proteger o património desta convivência necessária, cumpre-se um ritual secular: todas as noites, os bofetes de madeira preciosa são cobertos com peles de couro. Este gesto meticuloso assegura que o guano não danifique quimicamente as superfícies artísticas, mantendo o contacto entre a natureza e a cultura em perfeito equilíbrio.

6. Conclusão: Um Legado que Resiste ao Tempo

A Biblioteca Joanina é muito mais do que um monumento ao passado; é um local vivo de estudo onde a mente medita. Numa era de constante mutação, estes livros permanecem como “candeias na escuridão“, preservando a memória da humanidade contra o obscurantismo. Visitar este espaço de Coimbra é, por isso, uma experiência de proximidade física e espiritual com a sabedoria, um legado de Dom João V que continua a iluminar o presente.

Revelações surpreendentes sobre a IA nas bibliotecas

O futuro entre as estantes

1. Introdução: A Biblioteca Já Não é Apenas um Depósito de Livros

As bibliotecas encontram-se num ponto de inflexão histórico. Tradicionalmente reconhecidas como as guardiãs da memória física, estas instituições estão a atravessar uma transformação ontológica, evoluindo para hubs tecnológicos e centros de inovação. De acordo com o IFLA Trend Report 2024, a aceleração da transformação digital e a integração de sistemas algorítmicos não são apenas atualizações incrementais; representam uma mudança de paradigma na curadoria e na custódia do conhecimento.

A Inteligência Artificial (IA) promete tornar a pesquisa mais intuitiva e eficiente, permitindo que o utilizador navegue por oceanos de informação com uma facilidade sem precedentes. No entanto, como especialistas em biblioteconomia digital, devemos questionar os custos ocultos desta eficiência. Estaremos a trocar a serendipidade da descoberta pela precisão fria do algoritmo?

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2. A “Caixa Negra” das Aquisições: Quando o Algoritmo Decide o que Lemos

A gestão de coleções está a ser revolucionada por ferramentas como o Evidence-based Selection Planning (ESP). Estes sistemas analisam padrões de circulação, pedidos de empréstimo interbibliotecário e tendências de citação para otimizar o orçamento. Contudo, surge aqui o problema da “caixa negra” ou opacidade algorítmica: os bibliotecários perdem frequentemente a visibilidade sobre o porquê de certas obras serem priorizadas em detrimento de outras.

Esta automação tende a favorecer um “viés quantitativo”. Áreas como as STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), que geram métricas de citação rápidas e volumosas, acabam por dominar os algoritmos de aquisição. Em contrapartida, as humanidades e obras de nicho, cujos ciclos de impacto são mais lentos e qualitativos, correm o risco de marginalização. Sem uma supervisão crítica, a diversidade bibliográfica pode ser sacrificada no altar da popularidade estatística.

“A falta de explicabilidade nos sistemas de IA pode minar a confiança nos serviços bibliotecários. Se uma ferramenta de aquisição excluir certas obras, os profissionais devem ter mecanismos de accountability para garantir que a decisão não se baseou em vieses ocultos, mas sim nas necessidades reais da comunidade.” (Lewis, 2023)

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3. O Paradoxo da Conveniência vs. Privacidade: Vigilância no Silêncio

As bibliotecas sempre foram espaços seguros para a liberdade intelectual e o anonimato. A introdução de motores de recomendação personalizados, embora conveniente, cria um dilema ético sobre a gestão (stewardship) de dados sensíveis.

• Benefícios da Personalização:

    ◦ Disponibilidade 24/7: Assistentes virtuais e chatbots resolvem dúvidas de pesquisa e verificam a disponibilidade de fundos a qualquer hora.

    ◦ Descoberta Direcionada: Algoritmos sugerem recursos com base no perfil de leitura, enriquecendo a jornada intelectual do utilizador.

• Riscos de Privacidade:

    ◦ User Profiling: A recolha de hábitos de leitura e históricos de pesquisa pode ser utilizada para criar perfis comportamentais intrusivos.

    ◦ Vigilância Algorítmica: O uso de reconhecimento facial em bibliotecas digitais para controlo de acesso — como já testado em algumas grandes instituições — levanta sérias preocupações sobre a monitorização do comportamento intelectual.

A manutenção da confiança exige que a agência humana e o consentimento informado sejam o pilar de qualquer implementação tecnológica.

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4. Câmaras de Eco nas Prateleiras Digitais: O Viés Algorítmico

A IA não é neutra; ela reflete os preconceitos presentes nos dados em que foi treinada. Quando os modelos de linguagem e os sistemas de recuperação de informação são alimentados predominantemente por publicações do Norte Global, cria-se um desequilíbrio no intercâmbio global de conhecimento. As vozes e perspetivas do Sul Global acabam por ser silenciadas ou relegadas para o fim dos resultados de pesquisa.

Além disso, a personalização extrema pode criar “bolhas de filtro” ou câmaras de eco. Se o sistema apenas oferece conteúdos que confirmam as preferências anteriores do utilizador, a função da biblioteca como espaço de confronto com o “outro” e com o contraditório desaparece. Combater o viés algorítmico requer uma curadoria de dados inclusiva e auditorias regulares aos algoritmos de pesquisa semântica para garantir que a diversidade de pensamento não seja filtrada.

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5. A Ressurreição do Passado: IA como a Nova Arquivista

Apesar dos riscos éticos, a IA está a protagonizar uma “revolução sem compromisso” na preservação do património. O uso de redes neuronais convolucionais recorrentes (CRNN) permite decifrar manuscritos históricos com uma precisão superior a 90%, algo impensável há uma década.

A plataforma Transkribus é um exemplo paradigmático, permitindo que bibliotecários e arquivistas treinem modelos para reconhecer caligrafias antigas, tornando documentos frágeis e indecifráveis em textos pesquisáveis globalmente. Esta tecnologia foi central no projeto da Biblioteca do Vaticano (em parceria com a NTT DATA) para a digitalização de manuscritos milenares. No âmbito da conservação física, a colaboração entre a Intel e a China Foundation for Cultural Heritage Conservation utilizou drones e IA para mapear com precisão as secções da Grande Muralha da China que necessitavam de restauro urgente. É a tecnologia a garantir que o passado não se apaga.

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6. O Bibliotecário como Arquiteto da Literacia em IA

A ideia de que a IA substituirá os bibliotecários é um mito. Pelo contrário, o papel evolui para o de “Information Architect” e defensor da Literacia em IA. Associações como a ALA (American Library Association) têm defendido que o bibliotecário é o guia essencial para ajudar o público a navegar entre factos e alucinações geradas por máquinas.

Exemplos de liderança ética já podem ser encontrados em instituições como a Kenosha Public Library. A sua política de IA é um modelo de transparência:

• Atribuição e Transparência: Exige a “atribuição adequada” (proper attribution) em qualquer conteúdo gerado por IA e inclui uma declaração pública de transparência (conforme o seu Appendix B).

• Salvaguarda Humana: Proíbe explicitamente o uso de IA para decisões autónomas em contratações ou ações disciplinares, garantindo que o julgamento humano prevalece.

• Vetting Tecnológico: Cada ferramenta passa por um processo rigoroso de avaliação de segurança de dados antes de ser disponibilizada aos funcionários ou utilizadores.

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7. Conclusão: Um Futuro Humano-Centrado

O futuro das bibliotecas na era da inteligência artificial não deve ser ditado pela tecnologia, mas pelos valores de equidade, privacidade e acesso universal. A IA deve servir como um amplificador da capacidade humana, e não como um filtro que limita o nosso horizonte. Precisamos de sistemas que sejam auditáveis, explicáveis e, acima de tudo, alinhados com a missão democrática da biblioteca.

Ao fecharmos este capítulo de transformação, resta uma pergunta essencial para todos os que frequentam estes templos de saber: “Num mundo onde os algoritmos antecipam os nossos desejos, ainda haverá espaço para a descoberta acidental e o pensamento crítico independente entre as estantes?”