A língua portuguesa e as literacias do século XXI

Apresentação plenária no Congresso “A Língua Portuguesa: Uma Língua de Futuro”, de celebração dos 725 da fundação da Universidade de Coimbra, por António Dias de Figueiredo.

 

VIII Encontro concelhio de bibliotecas escolares de Leiria

VIII Encontro concelhio de bibliotecas escolares de Leiria. Fitas na escola - Cinema & bibliotecas.

VIII Encontro concelhio de bibliotecas escolares de Leiria. Fitas na escola – Cinema & bibliotecas.

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Imagem projetada aquando da locução.

Escola, cinema, media e bibliotecas escolares

Caros colegas, uma breve ressalva antes de vos dizer uma curtas palavras sobre cinema, bibliotecas e educação. Vou usar o conceito de cinema, em sentido amplo, por pura conveniência, falo pois de documentários, videos, filmes, séries… e a visão que vou apresentar é a de alguém que nos últimos 15 anos tem acompanhado e vivido de muito perto a implementação da tecnologia na nossa escola como mais um recurso… tendo em vista a mudança de práticas.

Falo essencialmente de cinema na escola e em casa. Dito isto, gostava de vos recordar que a época de ouro do cinema, entre nós, no que à frequência das salas de cinema respeita, segundo dados da PORDATA, aconteceu nas décadas 60, 70 e 80 do século XX (3 espetadores por mil habitantes), em 2014 foi de 1.1 espetadores por mil habitantes! Desde aí e mercê da implantação crescente da Televisão na sociedade portuguesa, assistiu-se à diminuição dos espectadores nas salas de cinema. É um facto.

Todavia, quero crer que nunca se viram tantos filmes…

O sucesso da Televisão é crescente e esmagador. Na última década do século XX e na primeira do século XXI os jovens, os estudantes, passam mais horas à frente do televisor do que na sala de aula.

Falava-se então da escola paralela, dos problemas que levantava ao ensino formal, e os estudiosos chamavam a atenção para a necessidade de mediação que a escola devia levar à prática para contrariar essa influência, isto é usar os conteúdos multimédia, usar a televisão, os conteúdos televisivos, desmontar esta forma de linguagem no processo de ensino e aprendizagem… em todas as áreas disciplinares, na sala de aula. Muito poucos o fizeram. As bibliotecas tinham filmes em VHS, reprodutores de vídeo, televisores, e os alunos podiam ver filmes e documentários, mas tudo isto de forma esporádica e sem seguimento.

A Televisão era como hoje um meio relativamente barato e existia nas escolas. Existiam também os videogravadores… lembram-se? Apesar disto a escola, conservadora como qualquer outra instituição ofereceu resistência, e não ensinou com a televisão nem para a televisão… e o resultado está bem patente na sociedade contemporânea: temos falta de consciência crítica, falta de rigor, somos pouco dados à reflexão e ao exercício da cidadania.

  A Internet, os ecrãs, as redes sociais, o som e a imagem tomaram conta do nosso quotidiano, a forma de comunicar, de ver TV, de ouvir música (Spotify, iTunes, Youtube) alterou-se radicalmente, sobretudo na população jovem.

O som, a imagem e o virtual (já indissociável do mundo físico) dominam a comunicação diária: Whtasapp, Instagram e Vine, redes sociais, são exemplos desta nova linguagem… que a escola tarda em aceitar, em incorporar e em descodificar criticamente. São novas formas de dizer de mostrar e de ser.

Cabe lembrar o que diz Marshal MacLuhan a este propósito: “O meio é a linguagem”.

Hoje, os nossos jovens já não veem televisão de forma linear. Veem o que querem, séries, filmes, vídeos no Youtube, à hora que querem, no computador, no tablet ou na televisão. Sempre ligados à Internet. A indústria sabe disso e responde aos seus anseios… é por isso que serviços como a Netflix, a APPLE TV crescem no mundo, e as operadoras respondem e posicionam-se para entrar no jogo.

O cinema mudou-se. Para a Televisão primeiro, para a Internet, agora!

 O saber informal continua a sobrepor-se, mais do que nunca, ao saber sistematizado e formal da escola, que tarda em fazer a mediação que se exige, perdendo a oportunidade de virar a situação a seu favor.

Os decisores políticos mostraram estar cientes desta problemática. Foram feitos vultuosos investimentos nas escolas, em instalações, bibliotecas, auditórios… em tecnologia: na rede de ligação à Internet e em plataformas web. Em formação de professores… Com que resultados? Com que consequências?

É neste quadro que a Biblioteca Escolar se deve assumir como centro difusor de saber e fazer a diferença.

Organizada em rede, com os parceiros certos (como o Plano Nacional de Leitura, Plano Nacional de Cinema, Centros de Competência e outros…) é, na minha opinião, a estrutura do MEC melhor capacitada e posicionada para levar a cabo esta tarefa.

Para já e no sentido de responder à necessidade formativa, que favorece a mudança de práticas na Escola, a Rede de Bibliotecas Escolares (RBE) tem em curso a aplicação, num conjunto de escolas piloto, do referencial Aprender com a biblioteca escolar (AcBE), mediante o qual as literacias da leitura, dos media e da informação, são trabalhadas com alunos e docentes e o uso das tecnologias digitais é estimulado… gradualmente será otimizado e alargado às demais.

Para concluir, lanço aqui algumas ideias, fáceis de concretizar e que aplicadas na escola/ agrupamento contribuiriam, por si só, para ajudar os alunos a usar bem a tecnologia, a descodificar linguagens díspares, a compreendê-las, a selecioná-las e a usá-las em seu benefício:

Dar uso ao auditório da escola, dar o palco ao aluno, apresentação de trabalhos? Porque não ir para o auditório? Porque não deixar a organização dos trabalhos aos alunos? Porque não registar em video as apresentações e vê-las posteriormente e de forma crítica? Desta forma habituamos os alunos a falar em público, para uma plateia.

Clubes de leitura, comunidades de leitura, porque não juntar-lhes a leitura do filme, do documentário ou do vídeo?

Porque não passar, o estudante, de espectador, de leitor, a produtor de conteúdos? de livros, artigos, ensaios, pequenos filmes?

Porque não filmar um debate, em sala de aula, e visioná-lo criticamente mais tarde, na biblioteca?

Porque não articular estas atividades com eventuais clubes de radio, televisão, banda desenhada, ou outras que existam na escola/ agrupamento?

Porque não organizar ciclos de cinema?

Porque não contribuir para a criação de um clima, de um ambiente na escola que valorize e celebre o saber, usando para tal os ecrãs espalhados pela escola, para, em vez de mostrar a programação de um ou outro canal televisivo, mostrar antes apresentações de alunos a falar de temáticas das diversas áreas disciplinares?

O António, o José, e o colega destes, a falar de um filme, de um livro, de um problema

matemático, de uma experiência no laboratório?

Hoje é tão fácil fazê-lo. A propósito… já viram, conhecem os booktubers?

Obrigado!

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Programa

Nota biográfica dos oradores

Comunicação:

Elaboração de trabalhos académicos APA 6ª edição (atualizado 2015)

Manual adaptado da APA 6ª edição para elaboração de trabalhos acadêmicos (teses e dissertações).

Curso de Verão: “Ler no ecrã, ler com os dedos”

Curso de Verão, das Bibliotecas Municipais de Oeiras,

Curso de Verão, das Bibliotecas Municipais de Oeiras, “Ler no ecrã, ler com os dedos”.

Um curso livre sobre leitura digital que explorou algumas ferramentas digitais, promoveu a utilização segura dos recursos digitais e onde se refletiu sobre as condições favoráveis ao desenvolvimento e consolidação de hábitos de leitura no público infantil e juvenil. O curso apresentou diversos módulos, independentes e complementares, ministrados por especialistas como Ana Pinto Martinho (da Escrever Escrever), Cátia Marques, Carlos Pinheiro, Isabel Mendinhos, Filomena Lima, Teresa Pombo, Nuno Ratão e Jorge Borges.

Público-alvo: Professores, educadores, bibliotecários, contadores, animadores sócio-culturais e promotores de leitura.

Biblioteca Municipal de Algés

Biblioteca Municipal de Algés

Apresentação.

Tres decálogos para una biblioteca escolar

por (41 SlideShares) , Asesor de formación at Centro del Profesorado de Córdoba