O capital cultural, o local de nascimento e o nível socioeconómico contribuem para a desigualdade nas oportunidades educativas.
Os países mais eficientes apresentam menos desigualdade de oportunidades. Embora não possa ser interpretado de forma causal, sugere um círculo virtuoso entre equidade e eficiência educativa. É possível promover simultaneamente um sistema educativo menos desigual e de qualidade.
Portugal está nas últimas posições em termos de equidade na repetência, só superado pela Espanha e Argentina. Em 2015, os alunos desfavorecidos tinham até 11 vezes mais probabilidade de repetir o ano em comparação com os alunos mais privilegiados.
As políticas públicas (reduzindo a segregação e a desigualdade de rendimentos na infância, aumentando a colaboração dos professores… podem mitigar as desigualdades educativas e quebrar a ligação entre as circunstâncias da infância e as desigualdades injustas no desempenho educativo.
O Papel dos Professores num Mundo com Inteligência Artificial
Imagem criada pela tecnologia DALL-3
A rápida evolução da tecnologia e a crescente presença da inteligência artificial (IA) no Mundo estão a transformar profundamente o cenário educativo. Os professores enfrentam desafios sem precedentes, à medida que a tecnologia se torna uma parte integrante da sala de aula. Avanços e recuos na sua utilização em contexto educativo são normais. São estas interações, a experimentação, a avaliação e a aceitação ou a rejeição de determinadas estratégias/ recursos/ ferramentas, que caracterizam o dia a dia de um professor.
Mas vale a pena investir tantas horas de formação para alcançar a tal “transição digital“?
Não teremos já começado esta transição há muito tempo? Com o Projeto Minerva (1985), o Programa Nónio Séc. XXI (1996) e o Plano Tecnológico da Educação (2007)?
Com a constante evolução da tecnologia, esta transição não tem um ponto final claro, e é por isso que é crucial adotar uma mentalidade de aprendizagem ao longo da vida. Os professores devem estar dispostos a adaptar-se a novas tecnologias, a aprimorar as suas competências e a adquirir conhecimento à medida que novas ferramentas e práticas emergem.
Qual é, então, o papel que cabe à Escola?
A Escola não pode limitar-se a transmitir informações. Deve cultivar competências fundamentais, como o pensamento crítico, a resolução de problemas, a capacidade de comunicar e ouvir o outro, a criatividade, a adaptabilidade e a capacidade de aprender ao longo da vida. Os professores desempenham um papel fundamental na orientação dos alunos neste processo de desenvolvimento de competências para navegarem com sucesso num mundo impulsionado pela IA.
Como podem os professores preparar-se para esses desafios? Fazendo formação que, passados alguns meses, estará obsoleta, pois surgirá outra ferramenta, mais rápida, mais eficaz e com mais funcionalidades? Como navegamos neste mar em constante “tempestade”?
A resposta está na aprendizagem ao longo da vida. Este conceito começou a ganhar destaque a partir de 1972, com o lançamento do relatório “Learning to Be” da Comissão Internacional para o Desenvolvimento da Educação, presidida por Edgar Faure. Este relatório enfatizou a necessidade de promover a aprendizagem contínua e a adaptação à mudança,antecipando a importância da aprendizagem ao longo da vida. Desde então, o conceito tem-se fortalecido e é um princípio fundamental na educação contemporânea.
Os professores devem adotar uma abordagem ampla e holística. Devem desenvolver a capacidade de aprender continuamente, aprimorar as suas competências de adaptação e ensinar os alunos a fazerem o mesmo. Isso significa abraçar a mudança, manter-se atualizado e estar disposto a experimentar novas abordagens.
A aprendizagem autónoma e ao longo da vida é a chave para enfrentar os desafios de um mundo impulsionado pela IA. Ela permite que os professores e os alunos se adaptem às mudanças, encontrem soluções relevantes para as suas necessidades e permaneçam reativos num cenário em constante evolução.
O papel dos professores vai muito além da transmissão de conhecimento; eles são os guias que capacitam os alunos a tornarem-se aprendizes ao longo da vida, capazes de enfrentar qualquer desafio que o futuro lhes possa trazer.
Não podemos terminar este artigo sem relembrar a velha máxima de Einstein: “Insanidade é continuar a fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes.”
Depois de décadas de turbulência e crises agudas nos últimos anos, como podemos construir um futuro melhor para o Ensino Superior?
Editada cuidadosamente por Laura Czerniewicz e Catherine Cronin, esta coleção rica e diversificada de académicos e profissionais de 17 países e muitas disciplinas oferece uma variedade de respostas para essa pergunta. Ela aborda a necessidade de definir novos valores para as universidades, presas hoje em narrativas dominadas por incentivos financeiros e indicadores de desempenho, e examina os problemas “maldosos” que precisam de múltiplas soluções, resoluções, experimentações e imaginários.
Esta mistura de vozes novas e bem estabelecidas fornece novas maneiras de pensar sobre o Ensino Superior numa variedade de contextos e mostra como concretizar iniciativas para lidar com desafios locais e globais. De uma maneira fora do comum e refrescante, os colaboradores fornecem insights sobre táticas de resiliência e ações coletivas em diferentes níveis de ensino superior usando uma variedade de estilos e formatos, incluindo ensaios, poesia e ficção especulativa.
Com o seu apelo interdisciplinar, este livro apresenta-se como um recurso provocativo e inspirador para universidades, estudantes e académicos.
Os 24 membros do Russell Group são universidades de classe mundial e muito ativas em investigação. São instituições únicas, cada uma com a sua história e ethos, mas partilham algumas características distintas.
Estas universidades acreditam que as pessoas e as ideias são a chave para enfrentar os desafios globais. Através da investigação e da educação de classe mundial, estão a ajudar a criar uma economia dinâmica, comunidades mais fortes e um futuro melhor para o Reino Unido. Mantêm a melhor investigação, uma excelente experiência de ensino e aprendizagem e ligações inigualáveis com as empresas locais e nacionais e o sector público.
Em 2023, a IA generativa surgiu como a tecnologia mais rapidamente adotada da história. Todos os membros da comunidade do ensino superior, desde estudantes até administradores, estão a tentar determinar que impacto as ferramentas de IA generativa podem, querem e devem ter na vida, na aprendizagem e no trabalho. Para complicar ainda mais as coisas, não há consenso sobre como ou mesmo se a IA generativa deve desempenhar um papel no futuro do ensino superior.
Com base nas tendências, tecnologias e práticas descritas no Relatório EDUCAUSE Horizon 2023: Edição sobre Ensino e Aprendizagem, o painel do relatório elaborou a sua visão do futuro juntamente com ações práticas que indivíduos, unidades e departamentos, e grupos de colaboradores podem realizar para tornar este futuro uma realidade.
Os membros do painel geraram uma lista de ações que indivíduos, unidades e departamentos, e equipes multi-unidade ou multi-institucionais podem tomar para alcançar este futuro em 10 anos.