Europa, a “colónia digital” dos EUA

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Investigação

Dependentes de software caro, e que é usado secretamente pelas agências de segurança de Washington para recolher informação sensível, os serviços públicos europeus estão “capturados”. Mas podia haver “um projecto Airbus” para a independência tecnológica da Europa. Já há alguns exemplos.

9 de Abril de 2017, 8:37

 

O que levou a Câmara de Loures a gastar mais de 800 mil euros, no mesmo dia 17 de Janeiro em que o Ministério da Defesa pagou 711 mil euros, e poucos dias antes de o município de Cascais ter acrescentado 616.530,44 euros às suas despesas? A razão é a mesma que levou ao desespero vários dirigentes regionais franceses, da Bretanha à Picardia. E enche de jornalistas o normalmente discreto debate municipal de Munique, na Alemanha. Em poucas palavras, a razão é aquela que a Comissão Europeia escreveu num documento oficial: as administrações públicas estão “numa situação de captura pela Microsoft”.

A captura tem um número na Europa: cada funcionário público custa 200 euros anuais em licenças de software pagas à empresa norte-americana, de Redmond, Washington, criada há 42 anos por Bill Gates. Em Portugal, a situação deve ser a mesma, mas a Agência para a Modernização Administrativa (AMA) não sabe, ao certo, quantos funcionários públicos trabalham com computadores, e a Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública (ESPAP) “não dispõe de informação global que permita aferir o valor total dos contratos celebrados em 2015 e 2016 entre a empresa Microsoft Lda. e a Administração Pública Portuguesa”.

O Estado português gastou, só nos primeiros três meses deste ano, perto de 5,2 milhões de euros em licenças e serviços prestados pela Microsoft. Os exemplos de Loures, Cascais e do Ministério da Defesa são apenas os mais caros. É o que revela uma consulta à base de dados que disponibiliza os contratos públicos. Mas este não é o valor total. Por ano, na estimativa mais conservadora de uma fonte do Governo, a Microsoft factura mais de 50 milhões só com a Administração Pública portuguesa. Em toda a União Europeia, um estudo da consultora Pierre Audin (PAC) estima que os lucros da Microsoft tenham sido de dois mil milhões, só no sector público, no ano fiscal de 2015/2016.

Que consequência tem esta “captura”, ou lock-in, como se tornou comum chamar-lhe no jargão técnico? O que podem os governos fazer para o contrariar? Estas foram questões colocadas nos últimos três meses pelos nove jornalistas do projecto Investigate Europe, que o PÚBLICO integra. As respostas chegaram-nos em mais de 100 entrevistas com economistas, especialistas em informática, especialistas em ciber-segurança, políticos e advogados de 12 países europeus.

5,2milhões de euros gastos pelo Estado português nos primeiros três meses de 2017 em licenças e serviços prestados pela Microsoft

As conclusões são alarmantes: a dependência dos Estados face à Microsoft – que causa um crescimento continuado dos custos e bloqueia a inovação nos serviços públicos – provoca um desrespeito sistemático pelas leis da concorrência e pelos processos legais de contratação pública. A influência política da empresa norte-americana é visível em todos os centros de poder, de Lisboa a Bruxelas. E tudo isto representa um risco maior, agora que a nova Administração americana de Donald Trump defende abertamente a fragmentação da União Europeia. É que os dados vitais dos Estados europeus estão, por esta via, à mercê das agências de segurança dos EUA.

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Magalhães, Microsoft e Plano Tecnológico


Assisti ontem à assinatura de mais um memorando de entendimento entre o governo português e a Microsoft. À escola interessa o que refere o Magalhães. A Microsoft, pareceu-me, disponibiliza software educativo da marca e sem custos.

O primeiro-ministro falou do Plano Tecnológico, dizendo que o Magalhães vai dar frutos.

Foi a forma encontrada para colocar um PC em famílias que só o teriam daqui a 7 ou 10 anos… É verdade.

Gostaria ter ouvido falar das novas competências, novos saberes que os professores devem doravante dominar. Das escolas saturadas pelo trabalho burocrático que lhes impingem todos os dias… em nome de quê? Do estrangulamento na progressão da carreira? Que todos sabemos se devem (exclusivamente) a razões financeiras? (…) Não haveria forma mais simples de chegar aos mesmos resultados sem criar toda esta tensão na Escola? É o 8 ou 80.

Os investimentos na educação, por via da tecnologia são gigantescos e claro, por isso mesmo, o poder político não resiste ao centralismo. Também é assim lá fora. Mas nem por isso está correcto ou é o melhor caminho.

Não vai ser fácil mobilizar os professores para mais este esforço… faltam tempo e forças. Infelizmente, porque é uma oportunidade única.(…)

Saiba as últimas sobre o Magalhães no sítio oficial.

Posted by ShoZu