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Os direitos de autor e a segurança da informação no mundo digital

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O mundo mudou.

Hoje, o mundo virtual e o mundo físico sobrepõem-se e tornam-se indistintos. A informação é avassaladora e as multiliteracias são essenciais para se chegar à solidez do conhecimento.

Nunca como hoje foi tão importante saber procurar, selecionar, usar e comunicar a informação. Neste processo os direitos de autor, a referência bibliográfica, a citação ganham papel de destaque, até para se entender como o ensino, a aprendizagem, o saber e a ciência se desenvolvem e para que se perceba a diferença entre informação e conhecimento.

A apresentação começa com um breve enquadramento sobre a evolução dos direitos de autor ao longo do tempo, para se situar no século XXI, caracterizado pela emergência das multiliteracias, decorrentes do facto de assistirmos à passagem da biblioteca física para a Web.

Os conteúdos ganham predominância enquanto matéria prima, o autor caminha em paralelo com o produtor de conteúdos e o livro assume múltiplos formatos. Neste contexto, torna-se imprescincível selecionar e avaliar a informação, pelo que se apresentam estratégias para evitar o plágio e exemplos de ferramentas que facilitam a citação.

A apresentação termina com a explicação dos direitos de autor.

Nota: Esta apresentação, criada por Jorge Borges, serviu de suporte a uma sessão de trabalho com professores bibliotecários, pelo que a informação nela contida poderá estar incompleta. Este documento resume a opinião do autor.

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A Biblioteca Escolar: um espaço para ler, escrever e aprender

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Há uma pergunta simples que qualquer professor bibliotecário já terá feito pelo menos uma vez: basta existir uma biblioteca e estar aberta para que os alunos leiam? A resposta, como a experiência nos ensina, é não. Mas é precisamente desse desafio — transformar a biblioteca escolar num espaço verdadeiramente vivo e significativo — que nasce o trabalho mais apaixonante da nossa prática profissional.

O livro La biblioteca escolar. Un espacio para leer, escribir y aprender, de Mariano Coronas, publicado pelo Gobierno de Navarra, é um testemunho colectivo de anos de trabalho na biblioteca do Colégio Público Miguel Servet, em Fraga (Huesca). Mais do que um manual técnico, é uma reflexão honesta sobre os paradoxos da leitura e uma fonte generosa de ideias testadas na prática. Vale a pena trazer algumas das suas ideias para o nosso contexto.​

O hábito de leitura: uma questão complexa

Coronas começa por reconhecer o que todos sabemos mas nem sempre dizemos em voz alta: o hábito de leitura obedece a causas muitas vezes ocultas e dificilmente se gera com fórmulas simples. Há leitores que o são apesar de todas as condições desfavoráveis, e há quem, rodeado de livros e estímulos, nunca desenvolva gosto pela leitura. Esta humildade de partida não é derrotismo — é a base para uma intervenção mais realista e mais eficaz.​

A realidade das bibliotecas escolares é, também ela, contraditória: publicam-se mais livros do que nunca, as ilustrações atingem uma qualidade extraordinária, e ainda assim os índices de leitura mantêm-se aquém do desejável. Compete-nos, portanto, criar pontes — não com a ilusão de resolver tudo, mas com a convicção de que cada aproximação entre um livro e uma criança conta.​

A biblioteca como centro de recursos

Uma das ideias-chave do documento é a concepção da biblioteca escolar como teia de aranha — um lugar de encontro de toda a comunidade educativa. Não se trata apenas de um espaço com livros nas prateleiras, mas de um centro que:​

  • Democratiza o acesso aos materiais de aprendizagem, compensando desigualdades sociais e culturais
  • Civiliza o espaço escolar, oferecendo um ambiente de reflexão e partilha
  • Preserva a memória do próprio agrupamento, arquivando publicações, projetos e produções dos alunos
  • Articula-se com a biblioteca pública e com outras instituições, criando uma rede de colaboração
  • Conecta toda a comunidade: alunos, professores, encarregados de educação e parceiros externos​

Esta visão sistémica da biblioteca é, aliás, aquela que a Rede de Bibliotecas Escolares tem vindo a promover em Portugal — a biblioteca não como recurso auxiliar, mas como motor do projeto educativo do agrupamento.

Animar para a leitura: pequenas ações com grande impacto

O coração do livro é um repertório rico de ações concretas, organizadas em três grupos. Aqui destacamos algumas das mais inspiradoras:​

Ações de ligação afetiva à biblioteca

  • Caderneta de leitor: um documento personalizado onde cada aluno regista os livros lidos — um objeto para guardar e colecionar
  • Diário de Leitura: um livro de memória individual onde o aluno deixa impressões das suas leituras ao longo do ano
  • Boletim ou revista periódica: publicação com novidades da biblioteca, críticas de livros escritas pelos alunos e colaborações criativas, enviada também às famílias
  • Retrato lector: oferecer a cada aluno do último ano uma fotografia sua a ler, montada num cartão com uma mensagem — um gesto simples e memorável​

Ações de uso regular

  • Sessões de leitura em voz alta pelo professor — diariamente, como o copo de leite da manhã, sem pedir nada em troca
  • Mesas redondas quando três ou quatro alunos leram o mesmo livro, para confrontar opiniões
  • Intercâmbio de experiências leitoras: cada semana, um aluno partilha com a turma o livro que leu e oferece algo relacionado — um desenho, um poema, um cartaz feito por si​

Ações de sensibilização cultural

  • Manutenção de uma parede com notícias culturais sobre livros, escritores e prémios literários
  • Realização de semanas temáticas (poesia, banda desenhada, cinema e livros, folclore oral, etc.) que envolvam todo o agrupamento
  • Sessões de conto com famílias, avós e especialistas convidados​

A escrita também tem o seu lugar

Um dos aspectos mais relevantes do documento é a insistência na articulação entre leitura e escrita — duas práticas que se alimentam mutuamente. Coronas propõe dezenas de atividades de escrita criativa que acabam por enriquecer a própria biblioteca: livros de turma em formato gigante, livros de memórias de avós, diários de classe, livros de viagens, antologias poéticas ilustradas pelos alunos.​

“São livros que guardam a memória, livros que reconstroem pequenas histórias pessoais e coletivas, histórias que ninguém escreverá se não forem os seus protagonistas.” — Mariano Coronas​

Esta ideia tem um poder pedagógico enorme: quando os alunos veem as suas produções expostas na biblioteca ao lado dos livros “a sério”, a sua relação com a escrita e com o espaço transforma-se.

Atividades de dinamização cultural: a biblioteca como palco

Por fim, o documento apresenta um catálogo de semanas culturais e exposições temáticas realizadas ao longo de anos naquela biblioteca. Da “Semana da Banda Desenhada” à exposição “A Natureza e os Livros”, passando por homenagens a poetas como Rafael Alberti e García Lorca, ou pela recolha de folclore oral infantil junto das famílias — cada atividade é descrita com detalhe suficiente para ser adaptada e replicada.​

O que une todas estas propostas é uma filosofia comum: a biblioteca deve ser geradora de acontecimentos culturais, não apenas repositório de recursos. Deve ser um lugar que surpreende, que convida, que provoca curiosidade.


Para terminar (sem terminar)

Este livro foi escrito no início dos anos 2000, mas a sua essência permanece atual. As ferramentas mudaram — hoje temos plataformas digitais, recursos multimédia e inteligência artificial ao serviço da literacia —, mas o desafio central continua o mesmo: aproximar cada criança de um livro, de uma história, de uma ideia.

A biblioteca escolar que Coronas descreve não é uma utopia. É o resultado do entusiasmo de uma equipa, da persistência de um grupo de professores que acreditou que valia a pena. Em Portugal, há muitas bibliotecas escolares a fazer exactamente isso. Este artigo é uma homenagem a todas elas — e um convite a ir mais longe.


Referência: CORONAS, Mariano (2000). La biblioteca escolar. Un espacio para leer, escribir y aprender. Gobierno de Navarra, Departamento de Educación y Cultura. Colección Bibliotecas Escolares, Serie Verde Blitz en la Escuela, nº 1.