Literacia dos media: o guia essencial para o século XXI

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1. Introdução à literacia no século XXI

As tecnologias de informação e comunicação evoluem a um ritmo que, frequentemente, ultrapassa a nossa capacidade de definir as competências necessárias para as navegar com segurança. No atual ecossistema mediático, a clareza terminológica não é apenas uma questão académica, mas uma necessidade estratégica para quem desenha políticas públicas. Este documento foi concebido como um glossário pedagógico e rigoroso para apoiar decisores políticos e defensores da causa na promoção de mudanças legislativas. O objetivo é claro: impulsionar uma reforma educativa que garanta a literacia dos media a todos os alunos do ensino básico e secundário, preparando-os para os desafios de uma sociedade digitalizada.

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2. O que é a literacia dos media

A literacia dos media deve ser entendida como o “termo chapéu” ou o conceito guarda-chuva que abriga diversas competências críticas. Define-se pela capacidade de descodificar mensagens mediáticas e os sistemas complexos onde estas operam; avaliar como tais mensagens influenciam os nossos pensamentos, comportamentos, saúde e a própria sociedade; e criar conteúdos para informar ou expressar ideias de forma ponderada, ética e segura.

A definição tem evoluído de uma visão puramente funcional para uma perspetiva de participação democrática:

A literacia dos media é a capacidade de aceder, analisar, avaliar, criar e agir utilizando todas as formas de comunicação. (National Association for Media Literacy Education – NAMLE)

Recentemente, jurisdições como Connecticut expandiram esta visão para sublinhar o papel cívico destas competências:

A literacia dos media significa a capacidade de aceder, analisar, avaliar, criar e participar nos media em todas as formas, compreendendo o seu papel na sociedade e desenvolvendo competências de investigação e autoexpressão essenciais para a participação e colaboração numa sociedade democrática. (Connecticut House Bill 6762, 2023)

3. Literacia da informação e literacia noticiosa: os pilares da verdade

Estes subdomínios da literacia dos media são fundamentais para a triagem da qualidade e da veracidade do que consumimos diariamente.

Literacia da informação Baseada nos princípios da American Library Association, esta competência permite identificar quando a informação é necessária e como localizá-la e avaliá-la eficazmente. Um cidadão literato nesta área sabe distinguir fontes legítimas de fontes enviesadas. Por exemplo, saberá determinar se o site oficial do Bureau of Labor Statistics é a fonte mais fidedigna para consultar dados sobre o emprego no setor agrícola, em vez de confiar em informações de fontes secundárias ou não verificadas.

Literacia noticiosa Este subdomínio foca-se no conhecimento profundo da prática jornalística e da indústria dos meios de comunicação social. O objetivo é capacitar o indivíduo a julgar a credibilidade da informação factual. De acordo com o News Literacy Project:

A literacia noticiosa é a capacidade de determinar a credibilidade das notícias e outras informações e de reconhecer os padrões do jornalismo baseado em factos para saber no que confiar, partilhar e agir.

O uso destas competências implica questionar a independência da fonte, a verificação de factos por profissionais e a fiabilidade da informação para a tomada de decisões na vida pública.

4. O ecossistema digital: literacia digital, redes sociais e inteligência artificial (IA)

No ambiente digital, a competência técnica é insuficiente se não for acompanhada pelo pensamento crítico.

Literacia digital Embora muitas vezes confundida com a mera destreza no uso de dispositivos (como tablets ou computadores), a literacia digital de cariz crítico foca-se na criação e consumo de informação através destas plataformas. É um domínio onde o contexto político é vital: o Departamento de Educação dos EUA sublinha que o pleno entendimento deste âmbito é essencial devido ao financiamento público em jogo.

A literacia digital refere-se às competências necessárias que, ao utilizar a tecnologia digital, permitem aos utilizadores encontrar, avaliar, organizar, criar e comunicar informação; e, ainda, desenvolver a cidadania digital e o uso responsável da tecnologia.

Complementarmente, a UNESCO define-a como:

A capacidade de aceder, gerir, compreender, integrar, comunicar, avaliar e criar informação de forma segura e adequada através de tecnologias digitais para o emprego, empregos dignos e empreendedorismo.

Literacia das redes sociais Esta é a aplicação da literacia mediática especificamente nas plataformas sociais. Dado que estas redes são hoje o principal veículo de consumo e partilha de informação, esta literacia engloba as vertentes digital, noticiosa e da informação. Exige que os alunos compreendam que a facilidade de publicação traz uma responsabilidade acrescida na disseminação de conteúdos e na gestão dos impactos destes na saúde mental e na segurança coletiva.

Literacia para a inteligência artificial (IA) A IA não é uma literacia nova, mas sim uma componente da literacia dos media. Envolve o uso do pensamento crítico perante a “média sintética” (conteúdos gerados por IA). Embora existam definições legislativas recentes, é necessário um olhar crítico sobre as mesmas:

A literacia em Inteligência Artificial (IA) significa o conhecimento, as competências e as atitudes associadas ao funcionamento da inteligência artificial, incluindo os seus princípios, conceitos e aplicações, bem como a forma de utilizar a inteligência artificial, incluindo as suas limitações, implicações e considerações éticas. (Estatutos da Califórnia, 2024)

Como especialistas, notamos que esta definição da Califórnia de 2024 apresenta uma lacuna crítica: ela omite a aplicação explícita de competências de pensamento crítico no consumo de media — como a investigação rigorosa da fonte — e a necessidade de reflexão consciente durante a criação de conteúdos com IA.

5. Cidadania e bem-estar: o impacto na sociedade e na saúde

As literacias mediáticas são o motor para uma participação saudável e ativa na vida pública.

Cidadania digital Este é o resultado prático da literacia mediática aplicada à esfera pública. Segundo Anne Collier, a cidadania e os direitos humanos não podem ser plenamente exercidos sem as literacias que o ambiente mediático atual exige. No Texas, a legislação define este conceito com clareza:

A cidadania digital refere-se à aplicação dos padrões de comportamento online apropriado, responsável e saudável, incluindo a capacidade de aceder, analisar, avaliar, criar e agir em todas as formas de comunicação digital.

Bem-estar digital Esta área aborda os impactos físicos e emocionais do uso dos media. Com o apoio do Digital Wellness Lab da Harvard Medical School, definimo-lo como:

Um estado intencional de saúde física, mental e social que ocorre com o envolvimento consciente com o ambiente digital e natural.

O foco reside no desenvolvimento de um uso equilibrado da tecnologia que sirva os objetivos de saúde e vida do indivíduo, prevenindo o consumo passivo ou prejudicial.

6. Conclusão: a convergência das literacias

A capacidade de navegar no século XXI depende da convergência de todas estas competências. Elas não são isoladas; interligam-se para formar um cidadão resiliente, capaz de distinguir o facto da ficção, proteger a sua integridade mental e participar de forma construtiva na economia e na democracia. A literacia mediática é o alicerce indispensável para garantir que o sistema de educação pública assegura a todos os alunos as competências de literacia do século xxi de que necessitam para a sua saúde, bem-estar, participação económica e cidadania.

Guia de Leitura PLA/PLE/PLNM/PLH/PLS

Guia de Leitura para contextos de ensino de português língua não materna, ou língua de acolhimento ou língua segunda

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Ler para aprender: como usar a literatura no ensino do português

Muitas vezes, a perspetiva histórica do ensino de línguas separou a língua e a literatura, tratando-as como áreas distintas. No entanto, o Plano Nacional de Leitura defende uma visão integrada, onde a literatura é uma parte essencial do ensino do português como língua não materna. As vantagens de levar um bom livro para a sala de aula superam largamente os desafios.

A literatura não é apenas um complemento; é uma ferramenta poderosa que proporciona um enriquecimento vocabular profundo, uma experiência cultural autêntica e um notável desenvolvimento cognitivo e pessoal. Neste artigo, exploramos como pode integrar a literatura nas suas aulas de forma prática e eficaz, com base nas orientações do Plano Nacional de Leitura.

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2. Porquê levar a literatura para a sala de aula? Os quatro grandes benefícios

A leitura de obras literárias oferece vantagens claras e fundamentadas para os aprendentes de uma nova língua. Mais do que um exercício de gramática, é uma imersão completa na língua e na cultura.

• Exposição Cultural: A literatura funciona como um documento autêntico que dá acesso a contextos culturais complexos. Permite aos alunos conhecerem o ambiente político, social e histórico de uma obra, promovendo a competência intercultural. Ao compreender as motivações das personagens dentro do seu mundo, o leitor aprende a apreciar diferentes visões do mundo e a confrontar as suas próprias perspetivas.

• Desenvolvimento da Linguagem: Qualquer obra de ficção, mesmo infantil, apresenta um vocabulário mais rico e estruturas linguísticas mais variadas e inesperadas do que a conversação do dia a dia. Esta exposição melhora significativamente a compreensão e a expressão, tanto oral como escrita, e torna os alunos mais conscientes da riqueza da língua-alvo de uma forma muito mais significativa do que os diálogos artificiais criados para manuais.

• Desenvolvimento do Pensamento Crítico: Com as suas múltiplas camadas de sentido, os textos literários obrigam o leitor a analisar, interpretar, inferir e avaliar a informação. Esta leitura ativa, em busca de pistas e significados, desencadeia discussões mais ricas em que os alunos negoceiam sentidos e constroem perspetivas pessoais de forma fundamentada.

• Crescimento Emocional: A literatura cultiva a empatia. Ao envolver-se com a história, o leitor experimenta as motivações de diferentes personagens, compreende as suas ações e reflete sobre os seus próprios valores. Este processo encoraja a reflexão pessoal e um maior conhecimento sobre si mesmo, ao mesmo tempo que fornece modelos de expressão pessoal.

3. O que ler? Como escolher os livros certos

A escolha do livro certo depende dos interesses, do conhecimento prévio e do nível de língua dos alunos. No entanto, o critério principal vai além da simplicidade linguística: a relevância do texto para o leitor e a sua capacidade de provocar uma reação pessoal forte têm mais impacto na motivação para continuar a ler.

3.1. Sugestões de leitura por nível de proficiência

Para apoiar a sua seleção, o Plano Nacional de Leitura preparou as seguintes sugestões, organizadas por nível de proficiência (QECR), que servem como um excelente ponto de partida para a construção do seu repositório de aula.

Nível (QECR)Exemplos de Títulos e AutoresPúblico-Alvo
A1Onda (Suzy Lee) <br> Emigrantes (Shaun Tan) <br> Todos fazemos tudo (Madalena Matoso)Infantil <br> Jovens/Adultos <br> Jovens/Adultos
A2A lagartinha muito comilona (Eric Carle) <br> O homem que plantava árvores (Jean Giono) <br> Mafalda – Feminino singular (Quino)Infantil <br> Jovens/Adultos <br> Jovens/Adultos
B1Pipi das Meias Altas (Astrid Lindgren) <br> Diário de um banana (Jeff Kinney) <br> Mar Negro (Ana Pessoa e Bernardo P. Carvalho)Infantojuvenil <br> Infantojuvenil <br> Jovens/Adultos
B2A invenção de Hugo Cabret (Brian Selznick) <br> Vamos comprar um poeta (Afonso Cruz) <br> Deste mundo e do outro (José Saramago)Juvenil/Jovens <br> Jovens/Adultos <br> Jovens/Adultos
C1A viagem do elefante (José Saramago) <br> O retorno (Dulce Maria Cardoso) <br> Sapiens – História breve da Humanidade (Yuval Noah Harari)Jovens/Adultos <br> Jovens/Adultos <br> Jovens/Adultos

3.2. Formas de sugerir livros e erros a evitar

Apresentar os livros de forma apelativa é fundamental para despertar o interesse. Pode:

• Projetar book trailers para criar curiosidade.

• Incentivar recomendações entre pares, pois a opinião de um colega é muitas vezes valorizada.

• Explorar o espaço da biblioteca escolar ou organizar uma caixa com uma seleção variada de livros para os alunos manusearem.

Erros a evitar

• Sugerir leituras infantis a alunos adultos. Embora a literatura infantil de qualidade possa ser apreciada em qualquer idade, é crucial adequar os temas ao público para não criar situações desmotivadoras.

• Seguir estereótipos de género, idade, etc. É importante conhecer os gostos reais dos leitores em vez de assumir que rapazes só gostam de futebol e meninas preferem princesas.

• Fornecer aos alunos interpretações prévias dos textos. O papel do professor é fazer perguntas que promovam a inferência e a análise crítica, não dar respostas prontas.

• Dissecar os textos com exercícios de língua não relevantes para a compreensão. O valor do texto literário não deve ser reduzido a um mero pretexto para praticar um ponto gramatical específico.

4. Como ler? Duas estratégias fundamentais

Existem duas abordagens principais para trabalhar a leitura na aula, cada uma com o seu propósito: a leitura extensiva, focada no prazer de ler, e a leitura orientada, focada no desenvolvimento de competências de compreensão.

4.1. Leitura Extensiva: Promover o prazer de ler

O objetivo principal da leitura extensiva é ler por prazer, de forma autónoma. Para a promover, o professor pode adotar várias ações.

1. Conhecer os leitores: Utilizar questionários sobre hábitos de leitura no início do ano letivo ajuda a inventariar os perfis dos alunos, a conhecer os seus temas e géneros favoritos e a construir uma coleção de livros adequada a cada turma.

2. Definir objetivos individuais: Os alunos podem definir os seus próprios objetivos — ler um certo número de livros, explorar novos géneros, aumentar o tempo de leitura diário — e registá-los em diários ou passaportes de leitura para acompanhar o seu progresso.

3. Criar momentos de leitura: Atividades como os “10 Minutos a Ler” no início da aula, círculos de leitura para discussão ou a criação de um clube de leitura ajudam a normalizar e a socializar o ato de ler.

O que evitar

• Pedir fichas de compreensão obrigatórias: Sendo o objetivo ler por prazer, evite exercícios que transformem a leitura numa tarefa. Em vez disso, use registos que incentivem a partilha e a reflexão.

• Esconder o seu perfil de leitor: O professor é um modelo. Partilhe as suas próprias preferências, hábitos e até dificuldades de leitura. Isto cria um ambiente autêntico e mostra como se fala sobre livros.

4.2. Leitura Orientada: Desenvolver a compreensão

Na leitura orientada, o professor atua como um guia, fornecendo aos alunos as ferramentas necessárias para se tornarem leitores autónomos. Este processo divide-se em três fases.

• Pré-leitura: Antes de começar a ler, é fundamental ativar o conhecimento prévio dos alunos. Isto pode ser feito através da apresentação de informação contextual sobre a obra (locais, contexto histórico, etc.) e do esclarecimento de vocabulário-chave relacionado com os temas do livro.

• Durante a leitura: Nesta fase, o professor ensina estratégias de metacompreensão (como fazer perguntas ao texto ou antecipar o que vai acontecer) e utiliza o scaffolding (andaimes), fazendo perguntas que aumentam progressivamente de complexidade para guiar a compreensão.

• Pós-leitura: Partilha e Discussão: Após a leitura estar completa, esta fase foca-se na consolidação da compreensão e na partilha de interpretações. As discussões em grupo, orientadas por guiões com tópicos definidos, permitem o confronto de opiniões e a negociação de sentidos. Ferramentas digitais como o Goodreads ou o StoryChart podem ser usadas para criar clubes de leitura online, e os alunos podem ser motivados a criar e partilhar os seus próprios conteúdos sobre livros em plataformas como o Instagram, YouTube ou TikTok.

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5. Avaliação: Reconhecer e valorizar o percurso do leitor

Avaliar o progresso dos alunos é fundamental para que eles desenvolvam a capacidade de automonitorização e se tornem mais conscientes do seu percurso como leitores. A avaliação formativa pode ser feita através da discussão em grupo e da observação do empenho, enquanto a avaliação sumativa formaliza este progresso.

Para além dos modelos mais tradicionais, a avaliação pode assumir formatos mais criativos que permitem aos alunos demonstrar a sua compreensão de formas diversas:

• Portefólio de leituras

• Criação de um ebook

• Produção de um booktrailer ou booktok

• Elaboração de mapas mentais ou nuvens de palavras

Apresentamos dois modelos práticos para a avaliação sumativa:

• Entrevista sobre livros lidos: Uma conversa individual de aproximadamente cinco minutos, na qual o aluno fala sobre um livro que leu à sua escolha. O objetivo é elicitar uma resposta pessoal, com perguntas como “Como se sentiu quando acabou de ler o livro?”, “Qual foi a sua personagem favorita? Porquê?” ou “Recomenda o livro? Porquê?”, em vez de focar apenas na recordação de factos.

• Relatório de leitura: Um registo escrito dividido em duas partes essenciais. A primeira, “Os factos”, foca-se nos elementos da história (cenário, personagens, ação). A segunda, uma “Resposta pessoal”, é crucial e convida o aluno a articular as suas impressões, emoções e as aprendizagens culturais ou pessoais que retirou da leitura.

6. Conclusão

Integrar a literatura na sala de aula de português como língua não materna é transformar o ensino da língua numa experiência mais rica, autêntica e humana. A literatura é uma ferramenta poderosa que, longe de ser um mero complemento, se revela central para o desenvolvimento de competências linguísticas, culturais e críticas.

Convidamos todos os professores a explorar estas sugestões, a experimentar as atividades e a adaptar os materiais aos seus contextos e públicos. Ao abrir um livro, abrimos um mundo de possibilidades de aprendizagem.

Guia de iniciação ao makerspace: como lançar um espaço criativo numa biblioteca

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Este guia é um recurso colaborativo concebido para o inspirar e encorajar a elevar o nível do seu makerspace da forma que melhor se adeque aos seus utilizadores. Partilhamos dicas e conselhos que reunimos ao longo de 5 anos a apoiar bibliotecas em todo o Reino Unido, bem como das nossas próprias experiências. Considere-o uma “lista de inspiração” em vez de um “livro de regras” para o ajudar a lançar, relançar ou reimaginar o seu espaço.

Acreditamos que os melhores produtos e serviços são impulsionados pelos próprios utilizadores. Dar voz aos utilizadores resulta em melhores serviços para todos.

Happy Making!

1. O que é um makerspace?

Um makerspace é um espaço de aprendizagem com infusão digital que promove a abertura, criatividade, colaboração, partilha e aprendizagem ativa. Combinam influências de hackspaces, metodologias de aprendizagem ativas e construcionistas, e tecnologias abertas.

No seu cerne está o construcionismo, uma teoria de aprendizagem que promove os benefícios de aprender ao fazer coisas que são significativas para o aluno, baseando-se nas suas próprias experiências e interesses.

Neste espírito, muitos membros da comunidade maker documentam e partilham os seus próprios projetos e contribuem para uma vasta comunidade online de guias, tutoriais, apoio e inspiração.

Os makerspaces não são definidos pela tecnologia que possuem. A sua essência reside em abordagens de aprendizagem colaborativas e ativas, que promovem o potencial criativo da tecnologia através de experiências de aprendizagem significativas. Atualmente, estão a evoluir, formando novas abordagens à aprendizagem colaborativa em bibliotecas e outros espaços abertos.

2. Porquê criar um makerspace numa biblioteca?

As bibliotecas desempenham um papel importante na comunidade, tanto no que diz respeito à criatividade como à cidadania digital. Os makerspaces oferecem uma forma de combinar estas forças para formar serviços e espaços inovadores.

Os makerspaces podem complementar e reforçar os serviços da sua biblioteca nas seguintes áreas:

• Literacia digital

• Aprendizagem após o horário escolar e ao longo da vida

• Espaços comunitários para a criatividade e as artes

• Educação em Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática (STEAM)

• Empreendedorismo e apoio a negócios locais

• Inclusão social

Lançar um makerspace pode ajudar a sua biblioteca a alcançar novos públicos e a envolver os utilizadores existentes de formas inovadoras. Além disso, a flexibilidade é fundamental; os makerspaces não precisam de ser espaços permanentes. Podem também ser móveis ou popup, adaptando-se às necessidades e recursos da sua biblioteca.

3. Como começar: uma abordagem ‘lean’

O mais importante é começar. A sua primeira versão não será a última. Em vez de visar um makerspace perfeito e pronto a lançar, é mais útil começar com algo que facilite conversas com a sua comunidade de utilizadores. Estas conversas são o resultado mais importante do lançamento do seu makerspace.

Para o planeamento, adote uma abordagem ‘lean’. Evite documentos de planeamento excessivamente longos e rígidos. Em vez disso, favoreça planos flexíveis que possam evoluir. Uma ferramenta eficaz é uma versão adaptada do Business Model Canvas, desenvolvido por Alex Osterwalder, que oferece uma estrutura clara sem ser demasiado restritiva.

Para começar de forma focada, siga estes passos:

1. Defina os seus objetivos: Escreva 5 objetivos para o seu programa de makerspace que sejam significativos, mensuráveis e acionáveis. Ter uma imagem clara do que pretende alcançar ajudá-lo-á a tomar decisões e a medir o sucesso.

2. Selecione as métricas de sucesso: Depois de definir os seus objetivos, identifique até três para focar na fase de protótipo. Estes servirão como as suas métricas de sucesso iniciais, permitindo-lhe avaliar o que está a funcionar.

3. Envolva a sua comunidade: Comece agora. Convide os seus colegas e membros da comunidade para partilharem as suas ideias. Um grupo diversificado trará perspetivas mais ricas e inspiradoras.

4. A escolher as ferramentas certas

Adote uma abordagem gradual ao selecionar tecnologia e equipamentos. Não precisa de gastar todo o seu orçamento de uma só vez. É possível fazer muito com pouco, e ao começar de forma modesta, estará mais bem preparado para tomar decisões informadas sobre os recursos de que o seu makerspace realmente precisa.

Para orientar as suas escolhas tecnológicas, recomendamos o modelo “low floor, high ceiling and wide walls”, concebido por Seymour Papert e Mitchel Resnick no MIT Media Lab. Escolha tecnologias que tenham um Low Floor (piso baixo), sendo fáceis para os principiantes começarem, e um High Ceiling (teto alto), oferecendo flexibilidade suficiente para projetos complexos à medida que os utilizadores ganham competências.

Existe também outra dimensão importante a considerar: Wide Walls (paredes largas) – tecnologias que suportam uma vasta gama de diferentes tipos de projetos, apelando a diversos interesses e tipos de utilizadores.

Além deste modelo, considere os seguintes fatores práticos:

• Opções de suporte: A quem pode recorrer quando algo avaria?

• Existência de uma comunidade ativa: Existe uma comunidade online que partilha materiais de aprendizagem e experiências?

• Reparabilidade e longevidade: O equipamento pode ser reparado facilmente para garantir a sua durabilidade?

• Gestão responsável de dados: Como são geridos os dados dos utilizadores?

• Armazenamento: Onde irá guardar o equipamento de forma segura?

• Segurança: Quais são os requisitos de segurança para o uso das ferramentas?

5. Envolver a equipa e promover uma mentalidade ‘maker’

A introdução de novos serviços pode ser intimidante para alguns membros da equipa. Depender apenas da auto-nomeação corre o risco de envolver apenas os mais confiantes e deixar os outros para trás. É crucial remover as barreiras à participação para garantir que toda a equipa se sinta incluída.

Aqui ficam algumas ideias para integrar a sua equipa:

• Cozinha de testes na sala de almoço: Disponibilize alguns recursos do makerspace num ambiente informal e não intimidatório, como a sala de almoço, para que a equipa possa experimentar livremente.

• Fornecer apoio e formação: Ofereça formação e suporte contínuo para os membros da equipa que estejam interessados em envolver-se mais ativamente.

• Incentivar a contribuição: Encoraje a equipa a partilhar ideias para atividades e projetos baseados nos seus próprios interesses e paixões.

Para além das ferramentas, é fundamental cultivar uma “Mentalidade Maker” (‘Maker Mindset’). Esta mentalidade valoriza a curiosidade, a colaboração e a resiliência.

Todos são bem-vindos! Colabore com todos os tipos de makers.

Não tenha medo de fazer perguntas.

A criatividade importa! Jogue, experimente e inove.

Abrace o fracasso. Reflita e aprenda com os erros.

Escute e deixe-se inspirar pelo trabalho dos outros.

Documente o seu processo de aprendizagem. Participe e partilhe na sua comunidade.

Esteja aberto a novas ideias. Envolva-se, resolva problemas e itere.

6. Criar um programa centrado no utilizador

Lembre-se: o seu primeiro makerspace é um protótipo. É uma forma de conhecer pessoas interessadas, testar novas ideias e permitir que a comunidade ajude a moldar o espaço. As suas ideias evoluirão à medida que ganha experiência e recolhe contributos. O princípio orientador deve ser sempre:

Desenhe com os utilizadores, não para os utilizadores.

O espaço físico e digital

Quer o seu espaço seja permanente, partilhado, móvel ou popup, o acesso e o design são cruciais para o seu sucesso.

• O espaço físico: Considere questões práticas como as seguintes:

    ◦ Quem pode aceder ao espaço e quando?

    ◦ É necessário fazer marcação ou participar numa sessão de iniciação?

    ◦ O equipamento pode ser requisitado para empréstimo?

• Incorporar a colaboração: Torne a colaboração parte integrante do espaço. Isto pode ser feito através de elementos de design (quadros brancos, mesas móveis) e da gestão do espaço. Crie formas simples para os utilizadores darem o seu contributo sobre as regras, procedimentos e decisões. Incentive a aprendizagem entre pares e exiba o trabalho da sua comunidade em exposições regulares e nas redes sociais (com permissão).

• Conexão remota: Quando o acesso físico não é possível, as bibliotecas podem usar plataformas online e o empréstimo de kits de criação para manter a comunidade envolvida e conectada.

Parcerias e eventos

Somos grandes fãs de nos apoiarmos nos ombros de gigantes. Colabore com indivíduos e organizações da sua comunidade. Pode começar por organizar eventos como Raspberry Jams (encontros para entusiastas do Raspberry Pi), CoderDojos ou Repair Cafes. Estas parcerias podem trazer novas energias e conhecimentos para a sua biblioteca.

Conclusão: Iterar e divertir-se

Após o lançamento do seu protótipo de makerspace, o trabalho continua. O serviço deve evoluir constantemente com base no feedback e nas contribuições dos seus utilizadores.

Este feedback virá não apenas de pedidos formais, mas também, e talvez mais importante, de conversas informais com os participantes. Tome nota de todas as conversas e experiências para compreender o que funciona e o que pode ser melhorado.

Construir um serviço de forma colaborativa e aberta com os seus utilizadores levará a um makerspace melhor e mais relevante na sua biblioteca.

Divirta-se.

Guia prático para escolher a ferramenta de IA para a sua aula

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Este guia prático, da autoria de Med Kharbach, oferece aos professores uma estrutura sistemática para selecionar e implementar ferramentas de inteligência artificial no contexto escolar. A análise baseia-se em três pilares fundamentais: a usabilidade técnica, a eficácia pedagógica e a responsabilidade ética, incluindo a proteção de dados dos alunos. O autor recomenda que os docentes realizem testes práticos e consultem avaliações de pares antes de introduzirem novas tecnologias na sala de aula. O processo incentiva uma abordagem iterativa, começando com pequenos projetos-piloto para observar o impacto real na aprendizagem. Por fim, destaca-se a importância da reflexão contínua, permitindo que os educadores ajustem as suas estratégias para garantir que a tecnologia beneficie verdadeiramente o percurso educativo.

Clicar na imagem para ver a apresentação… criada com a ajuda do NotebookLM a partir do Guia de Med Kharbach.

Vídeo:

Podcast:

Código de conduta europeu para conteúdos de IA: um guia sobre transparência, auditorias e conformidade

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1. Introdução: a Europa define as regras para a inteligência artificial

A Lei da Inteligência Artificial (IA) da União Europeia, oficialmente designada como Regulamento (UE) 2024/1689, representa a primeira framework jurídica abrangente do mundo sobre IA. Esta legislação pioneira estabelece um padrão global para a governação de tecnologias de IA, visando fomentar a inovação e, ao mesmo tempo, garantir a segurança e o respeito pelos direitos fundamentais. O objetivo deste artigo é desmistificar esta legislação, focando-se em como os seus pilares de transparência se traduzem em mecanismos de responsabilidade auditáveis e nas severas consequências financeiras da não conformidade.

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2. O que é a lei da IA? uma abordagem baseada no risco

O conceito fundamental da Lei da IA é a sua abordagem baseada no risco para regular os sistemas de IA. A legislação reconhece que a maioria dos sistemas de IA representa um risco limitado a nulo e, como tal, as obrigações mais rigorosas são reservadas para as aplicações com maior potencial de dano. A lei classifica os sistemas de IA em quatro categorias distintas com base no nível de risco que apresentam.

• Risco Inaceitável: Práticas de IA que são consideradas uma ameaça para as pessoas e, por conseguinte, são estritamente proibidas.

• Risco Elevado: Sistemas que podem ter um impacto adverso significativo na segurança ou nos direitos fundamentais das pessoas. Estes sistemas requerem conformidade rigorosa com requisitos de segurança, transparência e supervisão humana antes de serem colocados no mercado. Exemplos incluem IA utilizada em infraestruturas críticas, educação, emprego e aplicação da lei. É importante notar que os sistemas de IA que efetuam a definição de perfis de pessoas singulares são sempre considerados de risco elevado.

• Risco de Transparência: Sistemas que devem informar os utilizadores de que estão a interagir com um sistema de IA. Esta categoria inclui chatbots, sistemas de reconhecimento de emoções e conteúdos gerados ou manipulados por IA, como os “deepfakes”.

• Risco Mínimo: A grande maioria dos sistemas de IA, que representa um risco baixo ou nulo para os direitos ou a segurança dos cidadãos. Estes sistemas não estão sujeitos a obrigações adicionais.

3. A Transparência como pilar fundamental

A transparência é um dos pilares da Lei da IA, transformando o que antes eram diretrizes éticas em obrigações legais vinculativas. De acordo com o artigo 50.º, os fornecedores e implementadores de certos sistemas de IA devem garantir que as pessoas singulares são claramente informadas de que estão a interagir com um sistema de IA. Esta obrigação não se aplica a sistemas de IA autorizados por lei para fins de aplicação da lei, a menos que esses sistemas estejam disponíveis ao público para denunciar uma infração penal.

Uma obrigação central é a rotulagem de conteúdos gerados ou manipulados por IA. Os implementadores de um sistema de IA que gera conteúdos de imagem, áudio ou vídeo que constituam um “deep fake” devem divulgar que o conteúdo foi artificialmente gerado ou manipulado. Da mesma forma, os textos gerados e publicados com o objetivo de informar o público sobre assuntos de interesse público devem ser rotulados como gerados artificialmente. Os componentes chave para alcançar esta transparência incluem a explicabilidade (a capacidade de explicar como um sistema de IA chegou a uma decisão), a interpretabilidade e uma rastreabilidade adequada.

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4. A responsabilidade em prática: o ecossistema de auditoria de IA

Para garantir que as obrigações de transparência e os requisitos de conformidade são cumpridos, a Lei da IA depende de mecanismos de responsabilidade robustos, sendo a auditoria um dos principais.

4.1. O Que é uma Auditoria de IA?

No contexto da Lei da IA, uma auditoria pode ser definida como um estudo empírico que investiga sistemas algorítmicos para avaliar o seu desempenho em relação ao comportamento esperado e verificar a existência de comportamentos problemáticos. O foco é examinar comportamentos com potencial para causar danos a indivíduos, grupos ou à sociedade, e pode ocorrer antes ou depois da implementação do sistema.

4.2. Para Além da Auditoria Interna: Os Desafios da Conformidade

É crucial distinguir entre avaliações de conformidade e auditorias de terceiros. As avaliações de conformidade, muitas vezes realizadas internamente, visam alcançar a conformidade com a lei. Em contrapartida, as auditorias de terceiros, conduzidas por entidades independentes, visam descobrir danos potenciais ou reais. Em termos práticos, as avaliações de conformidade visam satisfazer os reguladores, enquanto as auditorias de terceiros protegem a organização contra danos reais e reputacionais, descobrindo falhas que as verificações internas podem não detetar. Uma dependência exclusiva de auditorias internas ou de segunda parte (realizadas por entidades contratadas pela empresa) acarreta vários riscos:

• Audit-washing: O risco de as empresas utilizarem ferramentas e métricas que minimizam os riscos do seu próprio produto, criando uma falsa sensação de segurança e conformidade.

• Conflitos de Interesse: Estudos demonstram que as auditorias são mais precisas quando os auditores não são pagos diretamente pela empresa que está a ser auditada. A relação financeira pode criar um enviesamento que compromete a objetividade do auditor.

• Gaming the system: A “lei de Goodhart” postula que, quando uma medida se torna um alvo, deixa de ser uma boa medida. As empresas podem aprender a “jogar com o sistema”, otimizando o desempenho para as métricas da auditoria sem abordar os riscos subjacentes. O escândalo da Wirecard, onde múltiplas auditorias falharam em descobrir uma fraude financeira massiva, serve como um exemplo claro desta falha.

• Falhas de Aplicação: A experiência com outras legislações, como a Lei Local 144 de Nova Iorque, mostrou que, sem uma aplicação robusta e um ecossistema de auditores bem desenvolvido, as leis podem falhar em atingir os seus objetivos, resultando em poucas auditorias publicadas e baixo impacto.

4.3. A Necessidade de um Ecossistema de Auditoria

Para garantir uma supervisão eficaz ao longo de todo o ciclo de vida da IA, é necessário um “ecossistema de auditoria”. Este ecossistema deve ir além das avaliações internas e incluir a participação vital de auditores de terceiros, como investigadores independentes, organizações da sociedade civil e jornalistas. Estes atores externos fornecem uma camada de supervisão independente que é crucial para identificar falhas, expor danos e garantir que as empresas são verdadeiramente responsabilizadas.

5. O custo da não conformidade: penalidades e aplicação

A Lei da IA estabelece sanções financeiras significativas para garantir a sua aplicação, com as multas mais elevadas reservadas para violações de práticas de IA proibidas (Risco Inaceitável) e o não cumprimento de obrigações de transparência e conformidade para sistemas de Risco Elevado. As multas são concebidas para serem eficazes, proporcionadas e dissuasoras, variando de acordo com a gravidade da infração.

InfraçãoMulta Administrativa Máxima
Violação das práticas de IA proibidas (artigo 5.º).Até 35 milhões de euros ou 7% do volume de negócios anual mundial do exercício financeiro anterior, consoante o que for mais elevado.
Não conformidade com uma gama de outras obrigações (excluindo as do artigo 5.º). (ex: obrigações dos fornecedores, implementadores, importadores e distribuidores; obrigações de transparência do artigo 50.º).Até 15 milhões de euros ou 3% do volume de negócios anual mundial do exercício financeiro anterior, consoante o que for mais elevado.
Fornecimento de informações incorretas, incompletas ou enganosas a organismos notificados ou autoridades competentes.Até 7,5 milhões de euros ou 1% do volume de negócios anual mundial do exercício financeiro anterior, consoante o que for mais elevado.

6. Quem é responsável? os papéis na cadeia de valor da IA

A compreensão destas funções é crucial, uma vez que a Lei da IA atribui obrigações legais e responsabilidades financeiras específicas a cada operador na cadeia de valor. Uma classificação incorreta pode levar a uma não conformidade inadvertida. A lei define claramente os papéis e as responsabilidades dos diferentes operadores:

• Fornecedor: A entidade que desenvolve um sistema de IA ou um modelo de IA de finalidade geral e o coloca no mercado ou o põe em serviço sob o seu próprio nome ou marca.

• Implementador: Qualquer organização que utiliza um sistema de IA sob a sua autoridade, exceto quando o uso é no decurso de uma atividade pessoal não profissional.

• Importador: Qualquer organização estabelecida na UE que coloca no mercado um sistema de IA que ostenta o nome ou a marca de uma organização de fora da UE.

• Distribuidor: Qualquer organização na cadeia de suprimentos, distinta do fornecedor ou do importador, que disponibiliza um sistema de IA no mercado da União.

7. O Caminho para a Conformidade

A Lei da IA entrou em vigor em agosto de 2024, mas as suas disposições serão aplicadas de forma faseada. As organizações devem estar cientes deste cronograma escalonado:

• Fevereiro de 2025: As regras sobre práticas de IA proibidas (artigo 5.º) entram em aplicação.

• Fevereiro de 2025: As regras relativas a modelos de IA de finalidade geral (GPAI) entram em aplicação.

• Agosto de 2026: A lei será aplicada na sua totalidade, incluindo as obrigações para sistemas de IA de risco elevado.

Para além do cumprimento dos requisitos mínimos, as organizações devem adotar práticas de transparência robustas como um pilar da sua estratégia de governação de IA. Estas práticas não só criam confiança, como também fornecem provas documentadas da devida diligência em caso de um inquérito regulamentar:

• Publicar regularmente relatórios de transparência que detalhem o desempenho do modelo de IA e as medidas de mitigação de riscos implementadas.

• Utilizar ferramentas técnicas que geram “declarações de explicabilidade” ou “cartões de modelo” para modelos de IA individuais, fornecendo informações claras sobre as suas capacidades, limitações e dados de treino.

• Comunicar proativamente sobre o tratamento de dados e as estratégias de prevenção de enviesamento, explicando como o sistema foi concebido para ser justo e equitativo.

8. Conclusão: preparar-se para o futuro da IA na europa

A Lei da IA da UE representa uma mudança fundamental na governação da IA, estabelecendo um precedente global para a regulação desta tecnologia transformadora. Embora a conformidade apresente desafios significativos, a lei também visa fomentar a confiança e a inovação, criando um mercado para uma IA segura e centrada no ser humano. Para as empresas que operam na UE, a mensagem é clara: a inação não é uma opção. O tempo para a preparação é agora. As organizações devem iniciar imediatamente uma avaliação abrangente dos seus sistemas de IA, mapear as suas obrigações específicas ao abrigo da abordagem baseada no risco e integrar a transparência e a responsabilidade no núcleo das suas operações como um princípio fundamental de governação.