A desinformação Russa | literacia dos media

AI AND THE FUTURE OF NEWS – Generative AI and News Report 2025: How People Think About AI’s Role in Journalism and Society

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O paradoxo das pequisas “inteligentes”: confiamos na IA sem confiar nela

Usamos a inteligência artificial todos os dias para nos informar, mas continuamos a dizer que não confiamos nela.


De acordo com o relatório “AI and the Future of News 2025” do Reuters Institute for the Study of Journalism:
⚫️54% das pessoas viram uma resposta gerada por IA no Google na última semana,
enquanto apenas 34% abriram diretamente uma ferramenta como o ChatGPT.
⚫️ Apenas um em cada três clica nos links depois de ler essa resposta.
⚫️ E mais de 60% preferem ficar com o próprio resumo do mecanismo de pesquisa em vez de visitar as fontes originais.
⚫️ Ainda assim, metade dos utilizadores confia no que a IA diz, embora apenas 12% se sintam confortáveis com as notícias escritas por ela.

A IA já não é uma ferramenta, mas a nova camada transparente de mediação de conhecimento. Já não há necessidade de pesquisar, agora a IA faz isso por si. Escolhe, sintetiza e classifica de forma rápida e fácil para nós. Sem registo, sem atrito, sem esforço. Como Tíscar Lara e Carlos Magro Mazo diriam, perfeito.

Nesse cenário, resumos “inteligentes” poupam-nos etapas, tornam-se atalhos digitais, aceleram e simplificam ao máximo o processo de pesquisa. Quando deixamos a tecnologia pensar por nós, os atalhos digitais tornam-se atalhos mentais, e é aí que reside o risco. Como podemos recuperar o processo de busca quando tudo é tão fácil?

Voltamos ao problema do viés de autoridade, muitas pessoas concedem à IA o princípio da veracidade, simplesmente porque resumos “inteligentes” parecem convincentes, mas são mera probabilidade, resultados plausíveis. E aqui aparece outro paradoxo, se lermos apenas os resumos da IA, não estamos a construir as novas câmaras de eco dentro das próprias buscas “inteligentes”?

Confiamos na IA sem confiar nela. Desconfiamos do conteúdo que produz, mas aceitamos os resumos que nos dá. Queremos manter o controle, mas delegamos o primeiro filtro da verdade.

Os nossos alunos são nativos digitais, mas não são digitalmente competentes.
Por isso, é necessário desenvolver a literacia mediática e informacional com as novas regras do jogo do imediatismo, facilidade e rapidez, incentivando o seu pensamento e atitude crítica a ler, a ir além do resumo, ligar ideias, contrastar perspectivas, discernir, consultar outras fontes, questionar, identificar vieses e não tomar resumos “inteligentes” como garantidos.

Em tempos em que tudo é projetado para ser fácil, rápido e automático, o pensamento torna-se um ato de rebelião.

A Reportagem: o género jornalístico que vai além da notícia

A reportagem é um dos géneros jornalísticos mais fascinantes e completos que existem. Ao contrário da notícia, que apenas informa sobre um acontecimento, a reportagem mergulha fundo nos assuntos, explora diferentes ângulos e oferece ao leitor uma compreensão muito mais rica e detalhada da realidade. Para os alunos compreender este género textual é fundamental, não só para desenvolver a literacia mediática, mas também para se tornarem cidadãos mais críticos e informados.

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A reportagem distingue-se claramente da notícia em vários aspetos essenciais: enquanto a notícia se limita a responder às perguntas básicas sobre um acontecimento (o quê, quem, quando, onde), a reportagem vai muito além, investigando as causas, as consequências e os diferentes pontos de vista sobre um tema. O repórter assume um papel ativo na construção da narrativa, podendo expressar a sua perspetiva e incluir elementos subjetivos, desde que fundamentados em factos rigorosos.

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O Mundo na Escola

O regresso dos Recursos (Im)prováveis do Bibliotubers

A secção Recursos (Im)prováveis é retomada no Bibliotubers com uma missão clara: desafiar as práticas convencionais da sala de aula através de recursos que, à primeira vista, podem parecer improváveis, mas que revelam um potencial transformador para a educação global e uma cidadania ativa.

Num tempo em que as fronteiras entre o digital e o analógico se esbatem, em que as notícias viajam à velocidade da luz e em que os jovens navegam simultaneamente em múltiplas realidades, torna-se imperativo repensar o que constitui um “recurso educativo”. A proposta desta secção é precisamente essa: expandir o conceito de material didático.

Porque havemos de limitar a aprendizagem ao previsível? Porque não explorar uma notícia controversa, um meme viral, um podcast, uma instalação artística ou até um comentário numa rede social como ponto de partida para debates profundos sobre direitos humanos, sustentabilidade, identidade ou democracia?

Os recursos (im)prováveis são aqueles que nos chegam de forma inesperada, que emergem do quotidiano mediático, das tendências digitais, das controvérsias públicas. São fragmentos da contemporaneidade que, quando utilizados pelo educador, se transformam em pontes entre o currículo formal e o mundo real.

Vivemos numa era de infoxicação e de polarização crescente. Os nossos alunos são nativos digitais, mas vulneráveis à desinformação, pelo que é fundamental que desenvolvam não apenas competências técnicas, mas sobretudo literacia mediática, pensamento crítico e consciência cidadã.

É neste contexto que os recursos (im)prováveis ganham relevância. Uma notícia sobre alterações climáticas publicada numa rede social pode gerar uma investigação sobre fontes de informação. Um vídeo pode abrir discussões sobre representação cultural. Uma infografia pode motivar a criação de projetos de visualização de dados. Um excerto literário, aparentemente descontextualizado, pode iluminar questões contemporâneas com uma perspetiva atemporal.

O professor, enquanto curador digital, terá a oportunidade de selecionar, alterar, adaptar, difundir de forma intencional os recursos que aqui serão disponibilizados. Apesar de cada recurso ser acompanhado de uma proposta de exploração pedagógica, o objetivo é oferecer pontos de partida flexíveis que cada educador deve adaptar à sua realidade.

Esta secção compromete-se com a diversidade de formatos, perspetivas e vozes. Procuraremos recursos que representem diferentes geografias, culturas, gerações e pontos de vista. A educação global exige precisamente isso: a capacidade de compreender e dialogar com a complexidade do mundo.

Os recursos podem ser visuais (fotografias, infografias, obras de arte), sonoros (podcasts, música, registos áudio), textuais (artigos, posts, manifestos), audiovisuais (documentários, vídeos, animações) ou mesmo experienciais (jogos, simulações, desafios).


Acompanhem regularmente esta secção. Cada post será uma oportunidade de descobrir algo inesperado, de questionar pressupostos e de expandir horizontes.

A educação acontece quando menos esperamos, nos lugares mais improváveis, através dos recursos mais inesperados.

Post publicado primeiro no Bibliotubers.

Jornalismo de Proximidade em Rede | eBook

Covilhã, 2025

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A revolução das TICs, especialmente a internet, transformou os modelos de negócios do jornalismo, gerando uma crise agravada nos meios regionais, que enfrentam dificuldades na transição para o digital. Este livro propõe caminhos para o jornalismo de proximidade superar essa crise, com a defesa de modelos de negócios em rede para que os pequenos jornais, juntos, se fortaleçam no mercado. Desenvolve-se o conceito de Jornalismo de Proximidade em Rede, fundamentado na atuação coletiva entre meios, jornalismo participativo e envolvimento da sociedade civil. Cooperação, colaboração e convergência mediática são as vertentes deste conceito. O livro oferece um modelo prático, aplicável tanto na análise de projetos coletivos quanto na criação de projetos em rede, ilustrado com exemplos e sugestões para meios portugueses.

AUTORES / EDITORES – Giovanni Ramos

COLEÇÃO – Livros de Comunicação

ANO DA EDIÇÃO – 2025

ISBN – 978-989-9229-30-3