Devemos usar, na sala de aula, uma tecnologia que (ainda) não compreendemos? | Cristóbal Cobo

imagem Gemini

Cristóbal Cobo, especialista em educação e tecnologia, tem refletido amplamente sobre a integração de novas tecnologias — como a inteligência artificial (IA) — nas salas de aula. No seu pensamento e intervenções públicas mais recentes, como em “IA y Educación: ¿Debiéramos incluir una tecnología que (aún) no entendemos en el aula?”, Cobo levanta questões críticas sobre os riscos e oportunidades da adoção precoce de tecnologias emergentes na educação.

Principais ideias de Cristóbal Cobo sobre o tema

  • Prudência antes de adotar: Cobo defende que não se devem incorporar tecnologias cujo funcionamento não compreendemos totalmente. Ele alerta para os perigos de “automatizar” práticas educativas sem uma reflexão pedagógica profunda, responsabilizando as ferramentas por decisões que competem aos educadores.
  • Literacia digital crítica: A integração da tecnologia em contexto educativo exige não só competências técnicas, mas, sobretudo, pensamento crítico. Os alunos devem ser preparados não apenas para usar, mas para questionar a tecnologia.
  • Riscos de dependência e superficialidade: Segundo o autor, a inclusão apressada da IA pode limitar a autonomia intelectual e promover abordagens superficiais do conhecimento se não houver mediação pedagógica competente.
  • O papel do professor: Para Cobo, os docentes não devem ser meros “utilizadores” de ferramentas, mas protagonistas que orientam, medeiam os usos e promovem a criação de contextos de aprendizagem reflexivos.
  • Necessidade de investigação e experimentação acompanhada: Em vez de uma integração cega, propõe pilotos vigiados, investigação contínua e partilha de boas práticas, para garantir que as tecnologias estejam realmente ao serviço do ensino e não o contrário.

Síntese

Cristóbal Cobo não se opõe à inovação na educação, mas propõe uma abordagem cautelosa, fundamentada em investigação e reflexão crítica. Defende que as tecnologias só devem ser adotadas plenamente quando o seu impacto pedagógico e ético for compreendido e quando os educadores estiverem preparados para delas tirar o melhor partido, colocando sempre em primeiro lugar os processos de aprendizagem e não a novidade tecnológica.

Esta perspetiva é especialmente relevante num momento em que as escolas debatem como, quando e se devem integrar sistemas de IA generativa e outras tecnologias emergentes nas experiências de aprendizagem.

The New Digital Education Policy Landscape: From Education Systems to Platforms (Routledge Research in Digital Education and Educational Technology)
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As tendências tecnológicas que vão transformar o seu dia a dia em 2025/26

Ilustração realista das tendências tecnológicas de 2025-2026 no quotidiano
Gráfico das principais tendências tecnológicas de 2025-2026 e suas taxas de adoção projetadas
Gráfico das principais tendências tecnológicas de 2025-2026 e suas taxas de adoção projetadas

O ano de 2025 marca um ponto de viragem na evolução tecnológica, com inovações que prometem revolucionar definitivamente a forma como vivemos, vencemos e nos relacionamos com a tecnologia. Desde dispositivos wearables cada vez mais inteligentes até casas totalmente automatizadas, estamos na iminência de uma transformação digital sem precedentes que tornará o nosso quotidiano mais eficiente, seguro e personalizado. As tendências tecnológicas emergentes não se limitam apenas ao entretenimento ou produtividade – elas redefinem conceitos fundamentais de saúde, sustentabilidade e conectividade, criando um ecossistema integrado onde cada dispositivo contribui para uma experiência de vida mais rica e simplificada. exame+ 2

As Mega-Tendências Tecnológicas de 2026

Inteligência artificial omnipresente

A inteligência artificial deixou de ser uma tecnologia futurista para se tornar o núcleo central das inovações de 2025. Com uma taxa de adoção projetada de 78%, a IA generativa está a transformar-se de simples assistente para um verdadeiro copiloto inteligente nas nossas vidas. Os novos modelos de IA multimodal, como o ChatGPT-5 e o Google Gemini avançado, fornecem processamento simultâneo de texto, imagens, vídeo e áudio, proporcionando interações mais naturais e contextuais. exame+ 3

Os smartwatches GT5 Pro e GT5 Pro Max com recursos avançados de saúde, condicionamento físico e multifuncionais ilustram as próximas atualizações tecnológicas para a vida diária em 2025
Os smartwatches GT5 Pro e GT5 Pro Max com recursos avançados de saúde, condicionamento físico e multifuncionais ilustram as próximas atualizações tecnológicas para a vida diária em 2025

Os agentes de IA autónomos representam o próximo salto evolutivo, capazes de executar tarefas complexas de forma independente, desde a gestão de calendários até às compras automáticas baseadas nos nossos hábitos e preferências. Esta tecnologia promete reduzir significativamente a carga cognitiva do dia a dia, permitindo-nos focar em atividades realmente importantes. alter-soluções+ 1

Internet das coisas e conectividade 5G

Com 65% de taxas de crescimento projetadas, a IoT está a criar um mundo hiperconectado onde todos os dispositivos comunicam entre si de forma inteligente. A expansão global do 5G, e os primeiros desenvolvimentos do 6G, prometem velocidades ainda mais rápidas e uma latência praticamente inexistente, abrindo caminho para aplicações revolucionárias em carros autónomos, telemedicina e realidade aumentada. digiplaneta+ 3

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“Sou professora universitária e preocupa-me que os estudantes usem IA para copiar: fui obrigada a fazer mudanças drásticas”

Por Ramón Armero · 14 de julho de 2025

Este artigo baseia-se numa conversa com Risa Morimoto, professora associada de Economia na Escola de Estudos Orientais e Africanos, da Universidade de Londres (SOAS University of London), no Reino Unido. A conversa foi editada para maior clareza e concisão.

Os estudantes tentam sempre copiar.

Sou professora há 18 anos e tenho lidado com situações de desonestidade académica desde o início da minha carreira. No entanto, com o advento das ferramentas de inteligência artificial nos últimos anos, notei uma mudança bastante significativa.

Sem dúvida, a IA tem aspetos positivos. É muito mais fácil aceder à informação e os estudantes podem utilizar estas ferramentas para melhorar a redação, a ortografia e a gramática, pelo que recebo menos trabalhos mal escritos.

Contudo, acredito que alguns estudantes têm recorrido à inteligência artificial para gerar conteúdos a partir de informações que encontram na internet, em vez de utilizarem o material das aulas para elaborarem os seus trabalhos.

A IA deveria ajudar-nos a trabalhar de forma mais eficiente, mas, na realidade, acabou por aumentar substancialmente a minha carga de trabalho. Tenho de dedicar muito mais tempo a tentar perceber se os trabalhos entregues foram, de facto, escritos pelos próprios alunos.

Por isso, decidi tomar medidas drásticas e alterar a forma como avalio os meus estudantes, incentivando-os a serem mais criativos e menos dependentes da tecnologia. O mundo está a mudar e as universidades não podem ficar para trás.

A fraude tornou-se mais difícil de detetar com a IA

Trabalho na SOAS desde 2012 e a minha área de especialização é a economia ecológica.

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Como a Proibição de Smartphones está a Transformar as Escolas dos Países Baixos – A Situação em Portugal

Mapa mental | Cronologia dos Eventos

A implementação da proibição de smartphones nas escolas holandesas representa uma das iniciativas mais abrangentes e bem documentadas na Europa para combater as distrações digitais no ambiente educativo. Desde janeiro de 2024, esta medida tem demonstrado resultados significativos na melhoria da concentração dos alunos, do ambiente social e do desempenho académico. Um estudo governamental recente revelou que 75% das 317 escolas secundárias inquiridas reportaram melhorias na concentração dos estudantes, enquanto 59% observaram um ambiente social mais positivo e 28% registaram melhor desempenho académico 1 2 3. Esta transformação coloca os Países Baixos na vanguarda de um movimento europeu crescente que visa restabelecer o foco na aprendizagem presencial e na interação social direta.

Dutch school classroom with children and teacher engaged in a group activity, illustrating a typical learning environment in the Netherlands
Sala de aula de uma escola dos Países Baixos com crianças e professor envolvidos numa atividade em grupo, ilustrando um ambiente de aprendizagem alamy

Contexto da Implementação nos Países Baixos

Fundamentação Científica e Política

A decisão de proibir smartphones nas escolas holandesas surgiu como resposta a evidências científicas crescentes sobre os efeitos negativos destes dispositivos na concentração e no desempenho académico dos estudantes. O ministro da Educação holandês, Robbert Dijkgraaf, fundamentou a medida citando investigações que demonstram como os telemóveis constituem uma fonte significativa de distração 4 5 6.

A pesquisa internacional suportava esta posição, mostrando que crianças “distraídas” e incapazes de resistir ao apelo dos seus telemóveis obtêm, em média, resultados 1 a 1,5 pontos inferiores nos testes 7. Esta evidência empírica tornou-se o alicerce de uma política que inicialmente foi implementada como recomendação, mas que rapidamente se tornou uma norma aceite pela comunidade educativa.

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Cadernos do Contemporâneo | v. 1 / n. 1 / junho / 2025

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Os “Cadernos do Contemporâneo” constituem uma nova publicação da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), lançada em junho de 2025, que visa promover o debate sobre questões prementes da sociedade contemporânea através do diálogo com intelectuais de renome. A publicação surge no contexto do Instituto L’Hermitage de Estudos Avançados e reflecte o compromisso da universidade católica em orientar o desenvolvimento tecnológico à luz da dignidade humana.

Contexto editorial e orientação ética

O editorial desta primeira edição centra-se na mensagem do Papa Francisco sobre Inteligência Artificial, proferida no Dia Mundial da Paz de 2024. A posição papal enfatiza que “a inteligência artificial deve servir à paz e não ao aumento das desigualdades ou da violência”, estabelecendo o quadro ético para a discussão. A PUCPR posiciona-se claramente ao afirmar que a pergunta central não é o que as máquinas podem fazer, mas “o que nós queremos ser enquanto humanidade”.

A universidade aprovou em agosto de 2024 diretrizes específicas para o uso ético da IA, procurando mitigar riscos relacionados com a aprendizagem, desenvolvimento cognitivo e honestidade académica.

Entrevista com Pierre Lévy

Perfil do entrevistado

Pierre Lévy, filósofo e sociólogo, é uma referência mundial em cultura digital e autor de obras fundamentais como “Cibercultura” e “A Inteligência Colectiva”. Actualmente é CEO da INTLEKT Metadata Inc. e professor emérito da Universidade de Ottawa.

Principais Perspectivas sobre Hiperconetividade

Sobre a “Era das Paixões Tristes”
Lévy argumenta que a hiperconetividade não é exclusiva dos jovens, mas omnipresente. Contesta a ideia de que a internet seja a principal causa da solidão, apontando que este é um problema antigo relacionado com urbanização e mudanças familiares. Apresenta dados mostrando que os casais se conhecem cada vez mais online, evidenciando a transformação irreversível dos laços sociais.

Inteligência colectiva e tecnologias digitais
O filósofo esclarece nunca ter afirmado que as tecnologias desenvolvem automaticamente a inteligência colectiva, mas sim que o melhor uso que podemos fazer delas é desenvolver a inteligência colectiva humana. Destaca exemplos como a Wikipédia e o software livre como manifestações bem-sucedidas desta abordagem.

Desafios das Redes Sociais
Reconhece os problemas de dependência e manipulação pelas grandes empresas tecnológicas, que utilizam “estimulação dopaminérgica” para aumentar o engagement. Propõe que os professores devem formar os alunos para um uso crítico e construtivo das redes sociais.

Visão sobre Educação e IA

Transformação da educação
Lévy não acredita que a escola vá desaparecer, mas deve transformar-se. Defende a utilização de ferramentas digitais familiares aos estudantes, transformando-as em instrumentos de aprendizagem. Partilha métodos próprios de ensino que incluíam o uso de Facebook, Twitter e blogs para criar cadernos colectivos de investigação.

IA generativa na educação
Considera ferramentas como ChatGPT muito úteis como mentores e enciclopédias de primeira mão, mas alerta que cometem erros regularmente. Enfatiza que “a IA não substitui a ignorância, pelo contrário: dá um bónus a quem já tem bons conhecimentos”. Critica o uso da IA para escrever em lugar dos estudantes, defendendo que aprendemos a pensar lendo e escrevendo pessoalmente.

Perspectivas sobre o futuro do trabalho

Lévy não acredita que o trabalho esteja concluído com a IA. Vê a automação como um processo que faz desaparecer certas profissões mas cria outras, aumentando principalmente a produtividade do trabalho cognitivo. Argumenta que sempre haverá necessidade de pessoas “inteligentes, criativas e compassivas”, mas que terão de aprender a trabalhar com novas ferramentas.

Relação entre virtual e real

O filósofo rejeita a existência de fronteiras claras entre mundo virtual e real, afirmando que “a nossa existência estende-se num intervalo e a relação fundamental entre o virtual e o real é uma transformação recíproca”. Considera que vivemos simultaneamente na realidade física e no mundo dos significados, sendo isso o que nos torna humanos.

Artigo sobre Relações Humanas na Era da IA Generativa

Contexto e desenvolvimento

O artigo de Kleber Candiotto examina como a IA generativa, especialmente desde 2017 com os modelos Transformers, tem transformado as interações humanas1. A revolução começou com o artigo “Attention is all you need” do Google, que permitiu a criação de modelos como o ChatGPT.

Impactos Psicológicos e Sociais

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