Uma linha num plano, um manifesto em Bruxelas: a Europa assume o seu problema com a leitura

A razão: um problema de competitividade e de democracia

O Action Plan on Basic Skills — plano de ação sobre competências básicas, na minha tradução — foi apresentado pela Comissão Europeia a 5 de março de 2025 (COM(2025) 88) e abre com uma tese que mistura economia e cidadania. A competitividade e a coesão social da Europa começam em competências básicas sólidas, porque são elas que sustentam a criatividade, o pensamento crítico e a requalificação dos adultos. Perdê-las, lê-se no documento, não é apenas uma perda individual, mas uma perda para as sociedades europeias, num contexto de polarização crescente, de confiança institucional erodida e de manipulação da informação (European Commission, 2025).

Os números que sustentam a tese são conhecidos de quem acompanha o PISA, mas reunidos compõem um quadro exigente. Segundo o plano, cerca de um em cada três jovens de 15 anos tem dificuldade em aplicar a matemática a situações reais e cerca de um em cada quatro não compreende textos básicos, valores do PISA 2022; 43 % dos alunos do 8.º ano ficam abaixo do nível básico em competências digitais; e, entre os adultos, só 56 % têm pelo menos competências digitais básicas, quando a meta para 2030 é 80 %. A diferença é de 24 pontos percentuais (80 − 56 = 24). Ao todo, a Comissão fala de 18 milhões de alunos com baixo desempenho e de 47,7 milhões de adultos pouco qualificados entre os 25 e os 64 anos. Somadas, as duas populações dão 65,7 milhões de pessoas (18 + 47,7 = 65,7), mas a soma serve apenas de ordem de grandeza, porque os grupos são distintos.

Entre o plano e o lançamento da Coligação saiu o PISA 2025, e o retrato piorou precisamente no domínio que dá nome à iniciativa. De acordo com o memorando fundador da Coligação, 31,3 % dos jovens de 15 anos da UE têm dificuldade em compreender textos básicos e apenas 4,8 % atingem desempenho de topo em leitura (Mascia et al., 2026; OECD, 2026a). A meta europeia de menos de 15 % de jovens de 15 anos com baixo desempenho em competências básicas, que o plano já reconhecia estar a afastar-se, convive agora com um valor de 31,3 % só em leitura, mais do dobro (31,3 ÷ 15 ≈ 2,1).

Há outras duas razões, menos citadas. A primeira é institucional: em 2024, o Conselho dirigiu recomendações específicas por país a 15 Estados-Membros para melhorarem as competências básicas, no quadro do Semestre Europeu. A segunda é estratégica: os relatórios Draghi e Letta pediram atenção às competências em todas as fases da educação e para todas as gerações, numa Europa cuja população ativa encolhe por razões demográficas (European Commission, 2025).

Uma nota de rigor sobre os adultos, porque os dois documentos centrais não dizem exatamente o mesmo. O plano refere um em cada cinco adultos em idade ativa com dificuldades de leitura e escrita; o memorando fala em mais de um em cada quatro adultos com baixa proficiência em literacia. Ambos remetem para o Inquérito às Competências dos Adultos de 2023, mas com formulações e recortes diferentes. Neste artigo cada valor aparece com a atribuição respetiva e deve ler-se como ordem de grandeza.

O diagnóstico: porque descem as competências

O plano não se limita a lamentar números: propõe um diagnóstico de causas. O estatuto socioeconómico continua a ser o preditor mais forte do desempenho dos alunos. Entre os alunos desfavorecidos, o baixo desempenho em matemática chega aos 48 %, e o fosso alarga-se, inclusive nas competências digitais. Os alunos com origem migrante ou com deficiência são particularmente vulneráveis, e a pandemia agravou desigualdades e afetou o bem-estar, com efeitos na motivação para aprender.

Seguem-se fatores do lado da oferta e do contexto. Há escassez aguda de professores e formadores, sobretudo em áreas STEM, uma profissão envelhecida e pouco atrativa e menos envolvimento parental, com efeitos mais fortes nos alunos desfavorecidos. A distração digital tornou-se um risco: cerca de 30 % dos alunos dos países da OCDE dizem distrair-se com dispositivos digitais nas aulas de matemática. Os currículos sobrecarregados deixam as competências básicas sem espaço; as diferenças de género persistem, com as raparigas à frente em leitura e os rapazes no topo em matemática; e o acesso à educação e cuidados na primeira infância é desigual, a ponto de um quarto dos sistemas europeus não ter currículo nacional para o trabalho pedagógico com crianças pequenas. No ensino e formação profissionais faltam recursos e os currículos privilegiam o vocacional. Entre os adultos, o desafio é chegar aos mais difíceis de alcançar, muitos deles marcados por experiências escolares negativas.

Um detalhe é particularmente relevante para a leitura. O plano observa que cada vez mais crianças entram na escola com pouco domínio da língua de escolarização e que a leitura se desloca de textos longos em papel para conteúdos digitais curtos, o que reduz a capacidade de atenção. Os sistemas educativos, conclui, precisam de ponderar o impacto dos diferentes media na literacia e, ao mesmo tempo, de promover o contacto com textos mais complexos (European Commission, 2025).

Uma noção alargada de competências básicas

O plano define cinco competências básicas: literacia, matemática, ciências, competências digitais e cidadania. Está aqui uma das decisões mais relevantes do documento. Ao lado das três dimensões tradicionais do PISA entram o digital, que inclui literacia da informação e dos media, criação de conteúdos, segurança em linha e bem-estar digital, e a cidadania, que inclui a compreensão das instituições e dos processos democráticos e a preparação para crises. A justificação é dupla. A tecnologia obriga a dar ao digital a mesma prioridade das outras competências, e a democracia exige que a cidadania se cultive cedo.

A literacia, em particular, é definida como a capacidade de compreender, usar, avaliar e refletir, oralmente e por escrito, com materiais visuais, sonoros e digitais, entre disciplinas e contextos. As cinco competências são apresentadas como o alicerce das competências-chave para a aprendizagem ao longo da vida, o quadro europeu de 2018 que serve de referência a vários sistemas educativos nacionais (European Commission, 2025; European Commission, 2026a).

Propósitos e arquitetura: três eixos

Em vez de um programa único, o plano propõe um conjunto de iniciativas de curto e médio prazo, assente em recomendações do Conselho já existentes: Percursos para o Sucesso Escolar, Percursos de Melhoria de Competências, Garantia Europeia para a Infância e Competências-Chave. Organiza-se em três eixos, cada um com um propósito claro.

Quanto ao «como», o plano integra-se na governação da Union of Skills e reforça o seguimento das reformas no Semestre Europeu, com metas estratégicas a nível da UE e o futuro Observatório Europeu de Inteligência sobre Competências. Para o financiamento, o texto aponta os fundos da política de coesão, o Mecanismo de Recuperação e Resiliência, o Erasmus+, o Instrumento de Assistência Técnica, o InvestEU e o Horizonte Europa (European Commission, 2025). A página oficial do Espaço Europeu da Educação refere ainda o Corpo Europeu de Solidariedade e o Fundo Social Europeu Mais (European Commission, 2026a).

As ações e o calendário

A ação que o plano apresenta como principal é o Basic Skills Support Scheme, um esquema de apoio cujo objetivo é que todas as crianças alcancem um nível adequado de competências básicas no fim da escolaridade obrigatória. A lógica é a da intervenção precoce e do apoio individualizado, do ensino básico à formação profissional inicial. As medidas possíveis incluem mecanismos de identificação precoce e monitorização a nível nacional, local e escolar, planos de melhoria das competências básicas em cada escola, com tempo extra de aprendizagem, tutoria e mentoria, a integração da literacia e das competências digitais na formação inicial de professores de todas as disciplinas, papéis especializados como mediadores escolares e técnicos de ligação escola-família, programas de apoio aos pais construídos com a saúde, as migrações e a proteção de crianças, e parcerias com autoridades locais e empresas. A Comissão compromete-se a preparar orientações para decisores em 2025 e a lançar o piloto em 2026, e convida os Estados-Membros a manifestarem interesse, a fixarem metas nacionais para o baixo desempenho e para o desempenho de topo, com foco nos alunos desfavorecidos (European Commission, 2025).

A inteligência artificial aparece de duas maneiras. Como instrumento, o plano prevê testar percursos de aprendizagem personalizados com sistemas de IA, a partir das experimentações de política do Erasmus+ de 2026, para apoiar tanto os alunos com dificuldades como os de topo. Como competência, prevê atualizar o DigComp em 2025 para ter em conta tecnologias como a IA de uso geral. Trata-a, portanto, como algo a testar e a ensinar, e não apenas como risco.

O processo: como nasce uma coligação

A forma como a Coligação foi construída é parte da sua mensagem. Em vez de nascer de uma decisão administrativa, nasceu de um processo participativo. A 5, 6 e 7 de maio de 2026 realizou-se em Varsóvia a conferência Literacy for Democracy, organizada pelo consórcio do European Authors Day (#ReadForReal), financiado pelo Europa Criativa, que juntou educadores, promotores da leitura, pediatras e representantes do setor do livro e do mundo empresarial (European Commission, s.d.). Seguiu-se um workshop de cocriação com 40 intervenientes de toda a Europa — educação, investigação, cultura e bibliotecas, promoção da leitura, escrita, edição e livrarias, saúde, sociedade civil, setores tecnológico e criativo, além de aprendentes e famílias —, que definiram o que é literacia na Europa de hoje, identificaram as principais barreiras ao longo da vida e propuseram os primeiros passos (Mascia et al., 2026).

O resultado é o Memorando de Varsóvia, de 12 páginas, publicado no lançamento oficial em Bruxelas, a 22 e 23 de setembro. O texto esclarece quem o assina: a Comissão apoia e acompanha o processo, mas não é a autora do documento; o «nós» é o dos participantes. A redação final esteve a cargo de representantes de redes como a European Literacy Policy Network, a EU Read, a EBLIDA, a Federation of European Literacy Associations, a Universal Reading Foundation, a STEM Coalition e a GOPA, com um elemento da Comissão (Mascia et al., 2026). O memorando afirma também que a Coligação não pretende substituir nem duplicar as redes existentes, mas ser uma plataforma comum e dar à Europa uma voz intersetorial.

Há três mecanismos de continuidade. Primeiro, a subscrição: o memorando está aberto a subscrição pública, e as organizações podem manifestar interesse em integrar a Coligação através de um formulário (European Commission, 2026b). Segundo, a gestão: a Comissão lançou um concurso para escolher a entidade ou entidades que a vão coordenar; a Media & Learning Association indica 23 de novembro de 2026 como prazo de candidatura (Media & Learning Association, 2026). Terceiro, o acompanhamento: a Coligação compromete-se a publicar um Relatório Europeu da Literacia anual, a organizar atividades de aprendizagem entre pares e a contribuir para o Semestre Europeu e para o acompanhamento da União das Competências (Mascia et al., 2026).

O que o memorando acrescenta ao plano

O plano de 2025 dedica à Coligação uma única linha: uma comunidade de governos, empresas e bibliotecas para sensibilizar para a crise de literacia e para levar os jovens, em particular os rapazes, a ler por prazer (European Commission, 2025). O memorando de 2026 transforma essa linha num programa político de onze princípios. O ponto de partida é um conceito de literacia que já não se reduz à descodificação escolar. É um repertório dinâmico e vitalício de capacidades e práticas, escritas, orais, visuais, sonoras e digitais, que inclui o pensamento crítico e as literacias mediática, da informação, digital, visual e da IA (Mascia et al., 2026).

A partir desse conceito, o texto alarga o âmbito em quatro direções. A primeira é o tempo: da primeira infância, tida pelo memorando como o investimento mais eficaz e equitativo, à idade adulta, com programas de oferta de livros, consultas de saúde infantil com orientação de literacia e leitura em todas as línguas do lar. A segunda é o sentido: rejeita-se estreitar a literacia à avaliação de competências, recusa-se o rótulo de «não leitor» e valorizam-se formatos como o audiolivro e a banda desenhada, porque a leitura ensinada apenas como cumprimento deixa de ser fonte de prazer. A terceira são as pessoas: pede-se a reforma da formação inicial de professores em literacia, papéis de especialistas de literacia nas escolas e a integração formal dos bibliotecários nas equipas pedagógicas, com carreiras claras, e as bibliotecas surgem como instituições âncora dos ecossistemas locais. A quarta é a regulação: o memorando pede responsabilidades vinculativas ao setor tecnológico, em transparência algorítmica, recolha de dados e publicidade dirigida a crianças, e uma «literacia desde a conceção», inspirada no RGPD, através da revisão do Regulamento da IA e do Regulamento dos Serviços Digitais. Defende ainda que a integração, e não a substituição, deve governar o equilíbrio entre leitura em papel e leitura digital (Mascia et al., 2026).

Há uma tensão por resolver entre os dois textos, e é uma leitura minha. O plano apoia-se em programas e fundos de ciclo definido. O memorando afirma que os ciclos de financiamento por projeto falharam repetidamente em gerar mudança duradoura e pede um compromisso estrutural, ao mesmo tempo que solicita à Comissão apoio plurianual estável à própria Coligação, através do concurso Erasmus+ previsto e de instrumentos complementares. O pedido está feito; a resposta ainda não está dada. A pergunta que o texto coloca à Europa é, em tradução minha, «O que acontece se não fizermos nada?» (Mascia et al., 2026).

Objetivos e metas: o que se pretende alcançar

Os objetivos desta ação europeia desenham-se em dois níveis. No plano, a meta final é que todos os alunos, incluindo os desfavorecidos e os com deficiência, saiam da escola com competências básicas suficientes e que os adultos alcancem um nível adequado de proficiência, com a meta europeia de menos de 15 % de jovens com baixo desempenho e a meta de 80 % de adultos com competências digitais básicas em 2030. O plano pede ainda aos Estados-Membros que fixem metas nacionais e declarem interesse nos pilotos (European Commission, 2025).

Na Coligação, a missão, tal como a descreve a página oficial, passa por reforçar a cooperação com as escolas numa abordagem de escola inteira, produzir recomendações baseadas em evidência para as políticas de literacia, ligar e simplificar iniciativas por toda a Europa, melhorar as competências dos aprendentes e dos educadores, responder aos desafios da era digital, apoiar a aprendizagem entre pares e aumentar a sensibilização e o compromisso político (European Commission, 2026b). O memorando acrescenta uma exigência aos Estados-Membros: estratégias nacionais de literacia com objetivos mensuráveis, financiamento próprio e governação interministerial que una educação, cultura, promoção da leitura, saúde e serviços sociais. E assume um compromisso de prestação de contas, o Relatório Europeu da Literacia anual (Mascia et al., 2026).

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Olhar para Portugal

Nem o plano nem o memorando falam especificamente de Portugal, mas os dados nacionais do PISA 2025 ajudam a situar o debate. Segundo a OCDE, 72 % dos alunos portugueses atingem pelo menos o nível 2 de leitura (média da OCDE: 69 %), o que deixa cerca de 28 % abaixo do nível básico (100 − 72 = 28), e apenas 3 % chegam ao nível 5 ou superior (média da OCDE: 6 %). O desempenho médio em leitura desceu em relação a 2022 (OECD, 2026b). Segundo a Iniciativa Educação (2026), a média portuguesa passou de 498 pontos em 2015 para 462 em 2025, uma perda de 36 pontos (498 − 462 = 36) e o valor mais baixo da série nacional. É um país perto da média da OCDE, mas após uma queda longa e com poucos alunos de excelência. Analisámos estes dados neste blogue.

Dois pontos do memorando tocam diretamente a realidade das bibliotecas escolares. O primeiro é a integração dos bibliotecários nas equipas pedagógicas, com formação e carreira; o segundo, a ideia de que a colaboração deve estar construída nas estruturas e não depender de relações individuais, apoiada em coligações locais de literacia. Em Portugal, onde já existem coordenações interconcelhias e professores bibliotecários, a questão que se coloca é de que modo estas figuras podem articular-se com uma rede europeia que nasce aberta a todos os setores. É uma questão minha, que o texto europeu não coloca. Quem quiser participar pode subscrever o memorando e registar interesse no formulário da Coligação.

Limites e perguntas em aberto

A leitura crítica destes documentos deve começar por um limite estrutural: a educação é, nos Tratados, competência dos Estados-Membros, e o plano opera por convite e por pilotos, não por obrigação. A Comissão convida os Estados a declarar interesse, a fixar metas e a subscrever; não lhes impõe currículos nem orçamentos. Seguem-se mais quatro reservas. O plano dá datas para 2025 e 2026, mas o estado de execução de cada ação não foi verificado aqui. A entidade coordenadora da Coligação ainda não foi escolhida. As propostas de regulação do memorando são dos participantes, e não uma posição da Comissão. E os números dos adultos, como se viu, variam de documento para documento.

O que há de novo, apesar disso, é o modo. Uma linha administrativa transformou-se num texto escrito a muitas mãos, que trata a literacia como bem público e direito, e que exige, para a defender, financiamento estrutural, profissionais reconhecidos e regras para as tecnologias em que hoje se lê. Se a Coligação cumprirá essa ambição dependerá menos do texto fundador do que daquilo que se segue: quem a coordena, com que recursos e com que ligação aos sistemas nacionais.

Nota editorial. Este artigo foi redigido com apoio de inteligência artificial (Claude, da Anthropic), a partir da leitura integral da Comunicação COM(2025) 88 (versão HTML do EUR-Lex) e do Memorando de Varsóvia (PDF oficial), e de páginas oficiais da Comissão Europeia, da OCDE e de fontes secundárias identificadas no texto. Os gráficos são originais, feitos para este artigo; não se usaram imagens oficiais para evitar dúvidas de direitos. As designações em português de documentos e instrumentos europeus são traduções minhas, sem confirmação das versões oficiais portuguesas.

Referências

European Commission. (s.d.). Reading and literacy – a joint approach across education and culture. https://culture.ec.europa.eu/whats-new/news/reading-and-literacy-a-joint-approach-across-education-and-culture (obtido em 2 de outubro de 2026)

European Commission. (2025, 5 de março). Communication from the Commission to the European Parliament, the Council, the European Economic and Social Committee and the Committee of the Regions on the Action Plan on Basic Skills (COM(2025) 88 final). EUR-Lex. https://eur-lex.europa.eu/legal-content/EN/TXT/?uri=CELEX:52025DC0088 (obtido em 2 de outubro de 2026)

European Commission. (2026a, 5 de março). Basic skills [Página web]. European Education Area. https://education.ec.europa.eu/education-levels/school-education/basic-skills (obtido em 2 de outubro de 2026)

European Commission. (2026b, 22 de setembro). European Literacy Coalition [Página web]. European Education Area. https://education.ec.europa.eu/education-levels/school-education/european-literacy-coalition (obtido em 2 de outubro de 2026)

Iniciativa Educação. (2026). PISA 2025: o que nos dizem os resultados da última década. https://www.iniciativaeducacao.org/pt/ed-on/artigos/estatisticas/pisa-2025-o-que-nos-dizem-os-resultados-da-ultima-decada (obtido em 2 de outubro de 2026)

Mascia, T., Johnson, N., Stoeva, V., Cranfield, A., Deskur, M., Tzvetkova, M., Brennan, D. M., Schreuder, R., Daly, R., & Podlasek-Ziegler, M. (2026). Warsaw memorandum: A memorandum towards building a European Literacy Coalition. European Literacy Coalition. https://ec.europa.eu/assets/eac/education/European-Literacy-Coalition-Warsaw-Memorandum.pdf (obtido em 2 de outubro de 2026)

Media & Learning Association. (2026). Launch of European Literacy Coalition. https://media-and-learning.eu/subject/media-literacy/launch-of-european-literacy-coalition/ (obtido em 2 de outubro de 2026)

OECD. (2026a). PISA 2025 results (Volume I): Future-ready students. OECD Publishing. https://doi.org/10.1787/73451bc5-en

OECD. (2026b). PISA 2025 results (Volume I): Portugal [Nota por país]. https://www.oecd.org/en/publications/pisa-2025-results-volume-i-country-notes_2d4ff9ea-en/portugal_1b9ed477-en.html (obtido em 2 de outubro de 2026)

Para saber mais

Jóvenes y teléfonos móviles en las aulas

Discursos y dinámicas de prohibición, promoción e indeterminación

Septiembre, 2025

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A revolução digital e das comunicações que vivenciamos no início do século XXI, com o surgimento da internet como rede global de comunicações e a gradual substituição dos médias tradicionais como fontes de informação e interação social, não seria compreendida sem a invenção e a popularização dos smartphones nos últimos vinte anos. Os smartphones transformaram significativamente a maneira como acedemos a informações e interagimos com o mundo, especialmente entre os jovens.

Nesse contexto, surgiu o projeto US’MOV (Juventude e telefones móveis na Sala de Aula: Discursos e Dinâmicas de Proibição, Promoção e Indeterminação), financiado pelo Ministério da Ciência e Inovação e pela Agência Estadual de Pesquisa (PID2019-108041RB-I00) e implementado de junho de 2020 a dezembro de 2023.

O principal objetivo do US’MOV foi identificar e analisar os discursos, práticas e posicionamentos de autoridades educativas, professores, jovens, famílias e empresas do setor em relação ao uso de celulares em centros de educação secundária obrigatória na Espanha.

Este livro é composto por onze capítulos que seguem a ordem lógica e cronológica das diferentes fases, ações e reflexões do projeto US’MOV, resultantes da análise de discursos, práticas e posicionamentos sobre os desafios colocados pelo uso de smartphones na educação.

Do pânico ao potencial: Como a SchoolAI pode mudar o jogo da sala de aula

A “nossa” SchoolAI vai-se impondo… [saiba mais sobre o Projeto IA Educação 360º]

A nova plataforma desempenha papéis duplos como assistente de professores poderosos e tutor de alunos personalizável

Excerto de uma interação real.. – Projeto IA Educação 360º.

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Os educadores estavam entre os grupos demográficos mais preocupados quando o chatbot de inteligência artificial ChatGPT fez a sua estreia pública há menos de um ano e meio.

A plataforma orientada para consultas, treinada em grandes quantidades de dados coligidos da internet, parece ter realizado um salto quântico na emulação de respostas humanas a perguntas e prompts. E aumentou a sua base de fãs a um ritmo recorde, atraindo cerca de 100 milhões de utilizadores apenas dois meses após o seu lançamento, tornando-se, na época, o aplicativo de internet de crescimento mais rápido de todos os tempos.

Mas esse mesmo poder de lembrar informações ingeridas (precisas ou não), juntamente com a sua incrível capacidade de repetição, também fez da nova ferramenta uma verdadeira máquina de fazer trabalhos de casa, capaz de produzir trabalhos de pesquisa de alunos, resolver problemas de matemática, escrever redações rápidas e muito mais.

Poucas semanas depois de o criador do ChatGPT, OpenAI, abrir as portas para o acesso público em novembro de 2022, o professor associado da Wharton School of Business, Ethan Mollick, tuitou que “a IA basicamente arruinou os trabalhos de casa”, mas qualificou a sua declaração com “mas também tem pontos positivos”.

A educação em IA é amiga ou inimiga?

O superintendente do Distrito Escolar de Jordan, Anthony Godfrey, estava entre os profissionais da educação que, na época, não tendo informações suficientes para avaliar os danos potenciais do ChatGPT e de outras plataformas de IA emergentes, se viram obrigados a limitar o acesso das escolas às novas ferramentas.

“A inteligência artificial era o assunto do momento”, disse Godfrey. “Mas tivemos que fechá-la no nosso distrito e não permitimos acesso ao ChatGPT… porque não sabíamos que problemas ela poderia causar aos nossos alunos ou à nossa infraestrutura digital.”

Mas Godfrey ficou atento à progressão das ferramentas orientadas por IA, reconhecendo que, eventualmente, a tecnologia levaria a aplicações com o objetivo de “aproveitar o que a inteligência artificial poderia fazer por alunos e professores”.

Tudo mudou quando conheceu o professor veterano de Utah Caleb Hicks numa conferência de educação e ouviu falar sobre a startup de Hicks, SchoolAI.

Godfrey ficou intrigado com o que ouviu de Hicks, particularmente sobre os protocolos de segurança robustos da SchoolAI e as poderosas ferramentas da plataforma para alunos e professores. A forma como a plataforma funciona reflete que não é apenas um produto da engenharia de software aleatória, mas uma construída por educadores reais.

Esse é o tipo de resposta que Hicks e sua equipa têm procurado desde o lançamento da SchoolAI no verão passado.

Professores ajudando professores

“Nós gostamos de dizer que somos construídos por professores, para professores”, disse Hicks. “Muitas das pessoas da nossa equipa são ex-professores e estamos a reunir-nos regularmente com uma comunidade de professores atuais que estão a usar o nosso produto de maneiras novas e interessantes. Há uma grande diferença entre a nossa abordagem e a de alguém a tentar projetar ferramentas educativas que nunca esteve numa sala de aula.”

A SchoolAI divulga as suas ofertas de mais de 1.000 atividades com tutores de IA, jogos interativos, simulações, check-ins de bem-estar e uma biblioteca de atividades específicas de notas e assuntos. Os professores que usam a plataforma também recebem os benefícios dos painéis com feedback e moderação em tempo real, de acordo com a empresa, para que possam acompanhar facilmente o progresso dos alunos e desenvolver planos de aprendizagem personalizados para conhecer os alunos e saber o ponto onde estão.

Hicks está bem familiarizado com os desafios diários que os professores enfrentam, alguns dos quais são encarregados de ensinar novas aulas todos os dias para grupos de 30 ou mais alunos que percorrem as suas salas de aula a cada hora ou hora e meia.

“Todos nós pensamos em professores a trabalhar com 20 a 25 alunos de cada vez — já um número elevado — quando, na realidade, a maioria dos professores está a trabalhar com muitos, muitos mais”, disse Hicks. “Construímos a SchoolAI porque vemos uma oportunidade importante de trazer a IA para as salas de aula de uma maneira segura e protegida que beneficia professores e alunos de uma maneira que os pais aprovam.”

Hicks disse que a decisão que Godfrey e muitos outros administradores escolares tomaram para limitar o acesso a novas ferramentas alimentadas por IA foi a certa na época. Mas a SchoolAI, que é alimentada pelo ChatGPT e outros mecanismos baseados em IA, aproveitou as capacidades da inteligência artificial enquanto construía salvaguardas críticas e desenvolvia ferramentas que respondem às necessidades em evolução de alunos e professores.

“Embora muitos distritos escolares tenham proibido o ChatGPT, descobrimos que eles estão ansiosos para adotar o SchoolAI nas suas salas de aula assim que veem uma interface orientada por IA que permite que professores e alunos se conectem com check-ins diários, tutoria personalizada, simulações e jogos que se adaptam aos interesses e ao nível de competência de cada aluno”, disse Hicks.

SchoolAI nas trincheiras

O professor de inglês da Payson High School, Sam McGrath, disse que a chegada do ChatGPT foi uma bomba que levou a um nível de pânico entre professores e pais sobre o que a ferramenta pode prenunciar para a aprendizagem baseada em professores e como ela poderia ser usada como uma muleta por alunos que podem se voltar para ela para soluções fáceis para concluir as tarefas de casa.

Mas McGrath viu o potencial positivo logo no início.

“Ao explorar o ChatGPT, pensei logo em como eu poderia colocar a IA nas mãos dos alunos de uma maneira que incluísse limites apropriados e medidas de segurança”, disse McGrath.

Essa oportunidade chegou quando o seu distrito obteve um número limitado de licenças da SchoolAI para permitir que os professores que estavam interessados em utilizar a plataforma.

McGrath disse que trouxe a SchoolAI a bordo como uma ferramenta que lhe permite personalizar exercícios especificamente para os vários interesses e competências dos alunos, enquanto visa lições e conceitos específicos.

Ele também o adicionou como um portal para os alunos obterem informações sobre sua própria escrita, de uma forma que orienta o processo sem fazer o trabalho para os alunos.

“É um espaço onde eles podem obter feedback imediato e me permite monitorar o processo e oferecer orientação adicional”, disse McGrath.

Ele também usou os recursos do SchoolAI para adicionar novos exercícios curriculares, como criar um plano de julgamento simulado para explorar uma tarefa de leitura de uma de suas aulas, o romance de Reginald Rose, “Twelve Angry Men”.

McGrath também aprecia a oportunidade de incorporar o uso da SchoolAI como um caminho para familiarizar os alunos com as ferramentas de IA, que ele vê como um conjunto de conhecimento crítico para o futuro local de trabalho.

“Sinto que devemos aos nossos alunos oferecer algumas instruções sobre como usar essas ferramentas antes que elas entrem no mundo profissional”, disse McGrath. “É sobre segurança e sobre a melhor forma de usar essas ferramentas.”

IA no local de trabalho e na sala de aula

Godfrey também acredita que a IA está pronta para refazer o mundo do trabalho e vê a tecnologia como uma ferramenta com o potencial de fornecer uma poderosa ajuda para professores e alunos.

Para isso, o Distrito Escolar da Jordânia anunciou na quarta-feira que está a disponibilizar a SchoolAI nas suas 67 escolas: 3.350 educadores e mais de 57.800 alunos.

Em todo o país, 1.500 distritos escolares adotaram a plataforma da SchoolAI, totalizando mais de 20.000 professores e 100.000 alunos em Utah, Nova York, Ohio e Connecticut, de acordo com a empresa.

“A educação de nossas gerações futuras é extremamente importante; e dizer que os nossos professores estão a trabalhar arduamente nas suas salas de aula para responder às necessidades de cada aluno é um eufemismo”, disse Godfrey num comunicado à imprensa. “A parceria com a SchoolAI permite-nos introduzir uma ferramenta na sala de aula que permite que os professores obtenham informações valiosas sobre o nível de preparação dos seus alunos em cada assunto, facilitando o apoio de uma maneira personalizada que não era possível antes. Tudo isso é feito de forma escalonável, o que garante que os nossos professores possam fazer um trabalho melhor sem serem sobrecarregados.”

Godfrey disse que os professores do Distrito de Jordan tiveram a oportunidade de testar a SchoolAI e a decisão de oferecer a plataforma em todo o distrito foi o resultado de um processo competitivo no qual a empresa se distinguiu como “a clara líder”.

As críticas esmagadoramente positivas dos professores que usaram a plataforma e o apoio “entusiasmado” dos membros dos conselhos escolares comunitários do distrito, ajudaram a tomar a decisão.

Godfrey ressaltou a sua crença de que ferramentas de inteligência artificial como a SchoolAI não estão num caminho para substituir os professores, mas sim criar oportunidades para os professores “economizarem tempo nas coisas que eles já fazem e tornar possíveis coisas que eles nunca seriam capazes de fazer, independentemente do seu grau de proficiência”.

“Os professores nunca poderão ser substituídos”, disse Godfrey. “A relação entre professores e alunos é essencial. A SchoolAI melhora isso como uma ajuda eficaz ao professor e tutor do aluno.”

IA Educação 360º | projeto-piloto

Clicar na imagem para conhecer o projeto.

a tecnologia ao serviço da educação | 2023/24 | Ver .PDF

Saiba mais sobre o projeto aqui.

A avaliação de projetos de educação para os media, um princípio de boa governança

Foto de Scott Graham na Unsplash

Fonte. Autor: Jean-Claude Domenjoz

A avaliação das políticas educativas é essencial tanto para a sua pilotagem como para o debate público. Por este motivo, é importante que os seus resultados sejam coerentes. Uma caixa de ferramentas desenvolvida pela Ofcom propõe sugestões metodológicas para avaliar o impacto dos projectos educativos nos meios de comunicação social. Os autores académicos românticos podem contribuir para avaliar a pertinência, a eficácia e a eficiência da conceção dos programas curriculares.

A digitalização dos media e das produções culturais, a omnipotência dos media sociais, a desinformação generalizada e a rápida evolução dos usos estão a modificar profundamente a relação com a informação e as habilidades necessárias para entendê-la. É assim que a literacia mediática e informacional, na escola e ao longo da vida, se tornou uma questão vital para a nossa sociedade.

Planos de ação são elaborados tanto pelos poderes públicos quanto pelas organizações da sociedade civil para desenvolver o conhecimento mediático dos jovens e de certas categorias da população, geralmente com o objetivo de limitar os riscos de usos problemáticos dos media, bem como promover boas práticas.

É essencial que os resultados dessas políticas públicas de alfabetização mediática sejam conhecidos. No entanto, entre retórica e realidade muitas vezes há uma grande lacuna.

Avaliação, uma fase essencial na gestão de projetos educacionais

Os projetos educativos não devem fugir aos princípios gerais da boa governação. Devem ser adaptados às legítimas necessidades e expectativas da população em causa, geridos de forma eficaz e eficiente, com preocupação de transparência. O público e as partes interessadas devem ter acesso a toda a informação que lhes permita monitorizar a sua implementação, desde as intenções aos resultados. A participação é a palavra-chave da boa governação.

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