Promover a inclusão digital: um assistente virtual para ensinar tarefas tecnológicas essenciais

Como bibliotecas, juntas de freguesia e organizações comunitárias podem combater a exclusão digital através de ferramentas educativas inovadoras

Assistente de Tarefas |

O Desafio da Exclusão Digital em Portugal

Vivemos numa era onde a tecnologia permeia quase todos os aspetos da nossa vida quotidiana. No entanto, uma parte significativa da população portuguesa ainda enfrenta barreiras no acesso e utilização das tecnologias digitais. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, cerca de 26% dos adultos entre os 55-74 anos nunca utilizaram a internet, criando uma divisão digital que afeta profundamente a sua participação na sociedade moderna.

Esta realidade é particularmente preocupante quando consideramos que tarefas que podem parecer simples para os mais jovens – como enviar um email com uma fotografia ou fazer uma videochamada – representam obstáculos intransponíveis para muitos cidadãos seniores e pessoas em situação de vulnerabilidade digital.

Uma Solução Inovadora: O Assistente de Tarefas Digitais

Para responder a este desafio, foi desenvolvida uma ferramenta educativa digital para facilitar o ensino e a aprendizagem de competências tecnológicas básicas. O Assistente de Tarefas é uma aplicação web interativa que guia os utilizadores, passo a passo, através das tarefas digitais mais comuns e essenciais.

As Seis Competências Fundamentais

A aplicação foca-se em seis áreas cruciais da literacia digital:

1. Enviar Email com Fotografias Ensina desde a abertura do programa de email até ao envio bem-sucedido de mensagens com anexos fotográficos – uma competência essencial para manter contacto com familiares e amigos.

2. Realizar Videochamadas Guia os utilizadores através do processo de estabelecer contacto visual à distância, uma ferramenta que se tornou indispensável, especialmente após a pandemia.

3. Organizar e Visualizar Fotografias Digitais Capacita os utilizadores para encontrar, ver e organizar as suas memórias digitais de forma eficiente.

4. Imprimir Documentos Desmistifica o processo de impressão, desde a seleção do documento até à configuração da impressora.

5. Aceder e Navegar em Sites de Notícias Promove o acesso à informação, ensinando como consultar fontes noticiosas credíveis online.

6. Navegação Básica na Internet Fornece as competências fundamentais para usar um navegador web com confiança e segurança.

Características Inclusivas e Acessíveis

O que torna esta ferramenta verdadeiramente especial é a sua abordagem centrada na acessibilidade:

  • Controlo do tamanho do texto: Permite ajustar o tamanho da letra para diferentes necessidades visuais
  • Linguagem simples e clara: Evita jargão técnico, utilizando terminologia familiar
  • Instruções visuais: Combina texto com ícones e representações gráficas
  • Progressão gradual: Divide tarefas complexas em passos simples e manejáveis
  • Interface intuitiva: Design limpo que reduz distrações e confusão

O Papel das Instituições Comunitárias

Bibliotecas Municipais: Centros de Aprendizagem Digital

As bibliotecas públicas encontram-se numa posição única para liderar esta transformação digital. Tradicionalmente centros de conhecimento e aprendizagem, podem facilmente expandir a sua missão para incluir a literacia digital.

Juntas de Freguesia: Proximidade e Confiança

As juntas de freguesia, pela sua proximidade com as comunidades locais, podem desempenhar um papel fundamental na identificação e apoio aos cidadãos em situação de exclusão digital.

Estratégias recomendadas:

  • Integração da ferramenta em centros sociais e de dia
  • Organização de “Cafés Digitais” onde a aprendizagem acontece num ambiente social
  • Identificação proativa de cidadãos que beneficiariam da formação
  • Criação de redes de apoio digital entre vizinhos

Escolas de Ensino de Adultos: Educação Formal e Não-Formal

Os estabelecimentos de ensino que já trabalham com adultos possuem a experiência pedagógica necessária para maximizar o potencial desta ferramenta.

Oportunidades de integração:

  • Inclusão como módulo em cursos de competências básicas
  • Desenvolvimento de certificações em literacia digital
  • Programas de formação para formadores
  • Criação de conteúdos complementares adaptados ao público local

Organizações de Apoio a Comunidades Desfavorecidas

Para populações em situação de maior vulnerabilidade social, o acesso à tecnologia pode representar uma ponte para oportunidades de emprego, serviços públicos e participação social.

Um Apelo à Ação Coletiva

A exclusão digital não é um problema individual, mas sim um desafio coletivo que requer uma resposta coordenada. O Assistente de Tarefas representa uma oportunidade única para organizações comunitárias demonstrarem liderança na construção de uma sociedade mais inclusiva e digitalmente competente.

Convidamos todas as bibliotecas municipais, juntas de freguesia, escolas de adultos e organizações sociais a:

  1. Experimentar a ferramenta nos vossos contextos específicos
  2. Adaptar a implementação às necessidades da vossa comunidade
  3. Partilhar experiências e boas práticas com outras organizações
  4. Defender políticas públicas que promovam a inclusão digital
  5. Investir na formação de equipas especializadas em literacia digital

O verdadeiro valor da tecnologia reside na sua capacidade de melhorar a vida das pessoas. O Assistente de Tarefas Digitais exemplifica esta filosofia, transformando a complexidade tecnológica em passos simples e acessíveis.

Num mundo cada vez mais digital, garantir que ninguém fica para trás não é apenas uma questão de justiça social – é uma necessidade para a coesão e desenvolvimento da nossa comunidade.


Educação, internet e o risco crescente de uma <<Escola Paralela>>

Um novo modelo alternativo de educação está a surgir online, competindo involuntariamente com a instituição escolar tradicional. Estamos preparados para a mudança?

Artigo de Miguel Ángel Escotet

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O desenvolvimento tecnológico na informação e comunicação ao longo do século passado provocou profundas mudanças sociais e políticas que moldaram praticamente todos os aspectos do nosso mundo. Muitas vezes pensava-se que a educação estava particularmente aberta a estas mudanças tecnológicas.

A rádio e a televisão, por exemplo, foram aclamadas como novas formas de mudar os meios de aprendizagem. No entanto, as vantagens educativas destes meios de comunicação, ainda hoje, não têm sido adequadamente utilizadas, quer nos sistemas de aprendizagem dentro da escola, quer fora da escola. O que podemos dizer sobre o aparecimento do computador, da Internet, dos sistemas digitais, das redes sociais e da actual disrupção da inteligência artificial generativa?

O que vemos agora é uma nova «escola paralela» a emergir nas nossas sociedades que, sem necessariamente pretender fazê-lo, compete com a instituição escolar tradicional.

Estes novos meios de comunicação e sistemas de informação, sejam eles digitais ou não, desenvolvem condicionamentos por meio de vocabulário, categorias conceptuais e atitudes. Os programas geram normas, valores e conteúdos ideológicos, explícitos ou implícitos, que tendem a estar relacionados com o modelo cultural e económico dominante à medida que participam na estrutura do poder social.

Em última análise, têm o potencial de criar mudanças duradouras no modelo social actual.

Falta sistema educativo

A imagem e o som cativam a nossa passividade. Ninguém deixa de reconhecer que estes meios de comunicação invasivos da privacidade desencadearam um avanço tecnológico crucial, que para o bem ou para o mal, mudou o nosso comportamento e hábitos sociais, e colocou instantaneamente ao alcance dos olhos, do coração e do cérebro tudo o que acontece no mundo.

Isso foi, ao mesmo tempo, acompanhado pela crise de solidão das sociedades mais avançadas, introduzida nos recantos mais íntimos da nossa vida privada.

O ser humano está mais inclinado a adaptar-se à ditadura dos média

No entanto, apesar do impacto monumental, estes meios de comunicação não foram integrados no sistema de educação formal. O seu potencial instrucional não está a ser explorado e eles são apenas um meio de aprendizagem decorativo na grande maioria das escolas em todo o mundo. Permitiu-se, sem querer, construir esta escola paralela, a da Internet e de todos os meios digitais e audiovisuais, que não só impõem comportamentos adequados, mas também glorificam e reforçam a violência, a discriminação, a atracção física superficial, o narcisismo irreverente, o desejo de acumular, a importância dos bens materiais sobre os espirituais.

Uma nova escola que ignora as minorias e coloca em grande risco a maior riqueza do nosso mundo, que é a sua própria diversidade cultural como eixo da liberdade, da criatividade, da transformação e do progresso. Tudo isso acontece sem levar em conta a forma como a ficção e a realidade se misturam cada vez mais nos nossos ecrãs.

Estes sofisticados meios de transmissão lançam estímulos permanentes de todos os tipos que competem — através de conteúdos e continentes — com uma versatilidade e plasticidade neurocêntrica que as escolas convencionais não oferecem.

Estamos perante um desenvolvimento  eletrónico e digital que revolucionou as «distâncias», os «tempos», os «espaços» — e a difusão da informação. O ser humano, despreparado para a mudança, está mais inclinado a adaptar-se à ditadura dos meios de comunicação e dos instrumentos do que a modificar os padrões de comportamento que estes impõem para obter deles o benefício adequado e justo.

Impressão da sociedade

A escola deve ensinar a refletir sobre a mensagem dos meios de comunicação de forma científica, humanística e estética. Esta é uma nova realidade exigida pelos tempos em todas as épocas de mudança. A escola deve romper com o papel de informante e promotora apenas da atividade da memória. A reforma educativa é uma atividade permanente da sociedade e não um manual legislativo.

 A escola deve ensinar reflexão científica, humanística e estética sobre as mensagens dos média

A verdadeira lei da educação é aquela cujo único artigo a obriga a mudar sem pausa, a tentar acompanhar o veloz comboio do progresso social, económico, científico e cultural. Só assim poderemos evitar escolas paralelas, uma vez que a formação e a informação funcionariam em conjunto e convergiriam. 
A educação como marca da sociedade adquiriria o seu potencial antecipatório. Permitiria formar um ser humano capaz de compreender o mundo vertiginoso do seu tempo, adaptando-se a ele e transformando-o.

Esta educação antecipatória exige uma nova dimensão no processo de aprendizagem. Para o lendário educador brasileiro Paulo Freire, o melhor aluno de física não é aquele que melhor conhece e memoriza as fórmulas, mas sim aquele que entende por que existem.

Eu acrescentaria que o melhor estudante de filosofia não é aquele que pode lecionar sobre Platão, Aristóteles ou Hegel, mas aquele que pensa criticamente sobre todos eles – e até corre o risco de pensar por si mesmo. A escola de amanhã terá de correr este risco se quiser colocar os meios tecnológicos ao seu serviço, em vez de ser controlada por eles.

Referência: Escotet, M. A. (2024). Education, Internet And The Growing Risk Of A “Parallel School.” Retrieved from https://worldcrunch.com/culture-society/https-worldcrunch-com-culture-society-countries-4-day-school-week

Ciberseguridad en la sociedad de la posverdad | De wikileads al Coronavirus

Maio de 2023 | Mariano Avalos

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Introducción

En el año 2016, el mercado global de detección de fraudes fue valorado por Allied Marked Research en USD 13,6 mil millones. En el contexto actual podemos percibir que existen muchas vulneraciones financieras y de datos de usuarios a través de páginas web falsas o virus informáticos. 

Parece contradictorio que en una sociedad que estimula el dataísmo (teoría que estimula como valor supremo el uso de los datos, potenciados por el big data y la inteligencia artificial), no se tomen medidas mínimas, básicas y sencillas para cuidar dichos datos e información.

El rechazo hacia métodos de autenticación fuertes a menudo resulta del temor de que sean inconvenientes y engorrosos. Pero ese miedo no siempre está justificado, porque la seguridad y la sencillez pueden resolverse juntas. Para una persona que utiliza un sistema bancario, de lealtad a una plataforma de negociación en línea, que utiliza una app a través de un dispositivo para publicar imágenes, etc., está brindando información extra a las empresas o a personas desconocidas sin saberlo. 

Tendremos que avanzar en un uso responsable y seguro de internet, de incorporar nociones básicas de ciberseguridad, que nos permita concretar y construir un uso social y educativo efectivo y seguro, personal y colectivo, consensuando y construyendo pautas y protocolos comunes. Sin duda que no será una tarea sencilla, pero tenemos la responsabilidad histórica de aportar en ese sentido, para participar de una sociedad más solidaria, donde nuestra participación digital está garantizada a través de un acceso y una calidad de uso seguro de las tecnologías.

Safer Internet Day | Kits 2023

Recursos |

Kits escolares chave na mão para preparar e liderar facilmente um workshop de educação digital para o Dia da Internet Segura e kits de família para interagir com os seus filhos e adolescentes.

Referência: Kits – Safer Internet Day 2023 – Internet Sans Crainte. (2023). Retrieved 6 February 2023, from https://www.internetsanscrainte.fr/programmes/kits-safer-internet-day-2023

Conteúdo relacionado:

Young people experiencing internet-related mental health difficulties: the benefits and risks of digital skills

2022

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The report includes young people talking openly and honestly about mental health difficulties and trauma (self-harm, sexual abuse, eating disorders, traumatic incidents, bereavement, bullying). Some readers might find these accounts distressing.

Livingstone, S., Stoilova, M., Stänicke, L. I., Jessen, R. S., Graham, R., Staksrud, E., & Jensen, T. K. (2022). Young people experiencing internet-related mental health difficulties: The benefits and risks of digital skills. An empirical study. KU Leuven, ySKILLS.

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